Meias, cuecas, mensaleiros, propinodutos, “mão” no Fundo Partidário, caixa-2, diretores de estatais ou novos impostos. Muitos são os financiamentos de campanha.
Agora mesmo há um novo instrumento: o fundo dos partidos, votado duas vezes. Há dois anos, numa primeira versão, o cofre foi fixado em R$ 2 bilhões.
Cofre – Foto: PixabayEm votação recente, acabou majorado para quase R$ 5 bilhões, escândalo também protagonizado duas vezes, pois necessitou da derrubada de um veto do Executivo. Quer dizer: o “crime” foi praticado com dupla intenção e volúpia.
SeguirMuitas são as espécies que habitam o serpentário de finórios e salteadores do patrimônio público, que hoje consolidam uma nova “biodiversidade”: a do“germe” que adora morder o erário, especialmente para o financiamento de campanhas. Nunca se viu zoológico mais disposto a desfalcara Viúva. Com a cumplicidade de autoridades que deveriam mostrar zelo e exação com os dinheiros públicos.
Ocorre – no mundo inteiro, mas com “impunidade” brasileira – uma singular licenciosidade com as expensas do Estado: por ser “público” o dinheiro, todo mundo se acha no direito de tirar uma “casquinha” desse baleiro.
Estranho, criam-se licenças para roubar, a partir de uma permissão legislativa: a criação dos Fundos Partidários, dinheiro público colocado no cofre de instituições particulares. Caso único no mundo.Soam patéticas as denúncias dos partidos, uns contra os outros, no poder ou fora dele.
Todos recolhem esse“dízimo” com insopitável entusiasmo, plugados nas tetas dos Fundos ou das empresas estatais. Estas se prestam ao papel de financiadoras complementares de campanha, quanto maior a estatal, maior o “garfo”.
Que haja “sugadores profissionais” em todos os partidos não é surpresa: o que espanta, mesmo, é a banalização desse tipo de crime, o estelionato contra o Estado, praticado com incrível freqüência pelos partidos, pelos governos, pelos “costumes” – e sempre sob a frouxa e insuficiente coerção da lei.
Aliviar o erário é um esporte permanente, uma espécie de “estado de necessidade” da burocracia, manipulada pelos mandatários políticos de plantão.