‘Os Vales vão trabalhar em unidade’; diz deputado após audiência sobre barragens em Rio do Sul

Lideranças políticas do Estado se reuniram nesta quinta-feira (22) para discutir prevenção às cheias do rio Itajaí-Açu e seus afluentes

Foto de Lucas Adriano

Lucas Adriano Blumenau

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Diversas lideranças políticas e representantes de órgãos públicos estaduais de Santa Catarina estiveram presentes em uma audiência pública importante na noite desta quinta-feira (22), em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí. O encontro lotou o auditório do Centro de Inovação Norberto Frahm.

Lideranças políticas do Estado se reuniram nesta quinta-feira (22) para discutir prevenção das cheias do rio Itajaí-Açu e seus afluentes – Foto: Gerri Consoli/Redes Sociais/Reprodução/NDLideranças políticas do Estado se reuniram nesta quinta-feira (22) para discutir prevenção das cheias do rio Itajaí-Açu e seus afluentes – Foto: Gerri Consoli/Redes Sociais/Reprodução/ND

Em discussão, alternativas para contenção das históricas cheias do rio Itajaí-Açu e seus afluentes através das barragens. O encontro ganhou ainda mais destaque com a expectativa da influência do fenômeno ‘El Niño’ sobre os próximos meses na região.

Lideranças como o prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt (Podemos), prefeito de Rio do Sul, José Thomé (PSD), secretário de Estado da Infraestrutura, Jerry Comper, o secretário da Defesa Civil de Santa Catarina, Coronel Luiz Armando Schroeder Reis, membros do IMA (Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina), pessoas da comunidade e membros de entidades de classe participaram do encontro.

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Em entrevista ao ND+ nesta sexta-feira (23), o deputado estadual Gerri Consoli (PSD), autor da proposta que viabilizou a reunião, destacou os fatos mais importantes discutidos no encontro.

“O que de mais concreto (…) que foi decidido ontem, é que os ‘Vales’ (Alto Vale do Itajaí e Médio Vale do Itajaí) pela primeira vez vão trabalhar em unidade. Entendeu-se que existe um sistema de barragens que agem em conformidade uma com a outra para dar uma resposta para os Vales e isso era importante que se entendesse e essa foi a primeira vitória de ontem”, destacou o parlamentar.

Outro ponto positivo do encontro, na visão do deputado, foi a presença de lideranças indígenas, que abordaram a questão da barragem de José Boiteux e o não prosseguimento das obras de construção de um novo canal extravasor, além da manutenção da barragem, que está inoperante.

Segundo o deputado, membros da Defesa Civil de Santa Catarina confirmaram na reunião que os trabalhos no local foram paralisados pois um sítio arqueológico e uma caverna foram descobertos próximo da barragem, fazendo com que a obra na barragem de José Boiteux não pudesse ganhar andamento.

Outra questão abordada pelo deputado, com relação à construção de novas três micro barragens nas regiões de Petrolândia, Taió e Braço do Trombudo é o impasse para definir se será a Defesa Civil quem dará andamento à obra ou a secretaria de Estado da Infraestrutura.

Consoli (PSD) destacou que, no encontro, os integrantes da Defesa Civil disseram que não havia orçamento anual disponível ou equipes de trabalho para construção de três novas micro barragens.

No local, segundo o deputado, o secretário de Estado da Infraestrutura, Jerry Comper, que é da região do Alto Vale do Itajaí, falou na reunião e comprometeu-se que a secretaria poderia ajudar, caso o governo do Estado assim determinasse.

“Identificou-se quais obras tem licenciamento, quais obras estão licitadas, quais estão esperando a ordem de serviço, para o que nós já temos dinheiro. Ficou-se claro também que o governo federal, o Ministro Waldez (Ministro do Desenvolvimento Regional do Brasil), esteve em Florianópolis visitando a Defesa Civil (…) e ele confessou ao governo do Estado, que o governo federal quer essas obras e que em julho será lançado o PAC 3 (Programa de Aceleração do Crescimento) e eles querem que essas obras sejam credenciadas”, disse o deputado ao ND+.

Edital para manutenção das barragens existentes

Na reunião, a Defesa Civil de Santa Catarina comunicou que no dia 6 de julho será aberto um edital para licitação de manutenção das barragens hoje existentes e operantes. Mesmo com reparos a serem feitos, segundo o parlamentar, técnicos do órgão destacam que as barragens de Taió e Ituporanga estão em condições de operação.

Com relação à construção das três novas micro barragens, o parlamentar estima que as obras podem demorar de 2 anos e meio a 6 anos de trabalhos. Os investimentos estimados, em valores ainda não atualizados, giram na casa dos R$ 180 milhões.

Lideranças de Blumenau também estiveram presentes

Deputados estaduais de Blumenau, assim como o prefeito Mário Hildebrandt (Podemos), que também é presidente da Amve (Associação dos Municípios do Vale Europeu), estiveram presentes e reforçaram que a prevenção às cheias é uma prioridade.

“As enchentes fazem parte da nossa história, mas é inadmissível que nossos municípios não recebam auxílio imediato quando desastres climáticos acontecem. A manutenção das barragens é fundamental, mas além disso, o auxílio imediato precisa acontecer, principalmente aos municípios menores que não têm condições de bancar as despesas e atender a população num momento de crise natural”, afirmou o prefeito Mário Hildebrandt durante o evento.

Entre os assuntos discutidos na audiência estava a manutenção imediata das barragens de Ituporanga, Taió e José Boiteux. A última não está em operação há muitos anos, conforme já noticiado pelo ND+, enquanto as duas primeiras necessitam de reparos.

“De acordo com a nossa Defesa Civil, a inoperância das barragens pode significar um aumento de até 2 metros no nível dos rios. E essa pode ser a diferença entre não haver uma enchente ou torná-la um evento de pequeno, médio ou grande porte. E com elas, famílias inteiras atingidas e municípios precisando de auxílio”, finalizou o prefeito de Blumenau.

Representantes do Governo do Estado se fizeram presentes, além de deputados estaduais. Entre os pedidos apresentados durante a audiência, prefeitos e comunidade solicitam também da Assembleia Legislativa a criação de uma Comissão permanente de discussão para assuntos de Defesa Civil.

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