Placas de obras abrem polêmica sobre campanha eleitoral antecipada de Moisés; Estado nega

Faixas em pelo menos três pontos estratégicos de Florianópolis são consideradas ilegais por advogados ouvidos pelo blog; governo do Estado garante que ação é transparente e estímulo ao controle social

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Placas de obras públicas estaduais instaladas em pelo menos três pontos estratégicos de Florianópolis podem parar na Justiça Eleitoral – sob denúncia de campanha antecipada por parte do governador Carlos Moisés (sem partido).

Dois advogados ouvidos pelo blog confirmam a possibilidade. Já o governo estadual acredita que está tudo de acordo com a lei.

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    Placa na estrutura do antigo pedágio da SC-401 está fixada nos dois sentidos - Altair Magagnin/ND
    Placa na estrutura do antigo pedágio da SC-401 está fixada nos dois sentidos - Altair Magagnin/ND
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    Placa na ponto Colombo Sales, de saída da Ilha de Santa Catarina - Altair Magagnin/ND
    Placa na ponto Colombo Sales, de saída da Ilha de Santa Catarina - Altair Magagnin/ND
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    Placa na ponte Pedro Ivo, na entrada da Ilha de Santa Catarina - Divulgação/ND
    Placa na ponte Pedro Ivo, na entrada da Ilha de Santa Catarina - Divulgação/ND

Por lei, a publicidade de governos – federal, estadual e municipal – deve ter conteúdos informativo, educativo ou social. No caso de placas de obras, informações como valores investidos e datas de início e término se encaixam no que prevê a legislação.

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“A menção que faz x anos é meramente com o caráter eleitoral, da promoção da atual gestão, ainda mais que está noticiado que o atual governador é candidato à reeleição”, disse um dos advogados, que pediu condição de anonimato.

A pedido do blog para aprofundar o posicionamento, o advogado destacou um voto do então ministro do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Sepúlveda Pertence, em 2001. A ação analisava caso de propaganda eleitoral extemporânea e subliminar em jornal e outdoors.

Em um trecho do voto, o relator afirmou:

  • “Não há como olvidar que a presente publicidade tinha o condão de fortalecer a candidatura do recorrente, na medida em que traçava um paralelo entre a sua administração e a anterior, despertando a lembrança dos eleitores para as suas qualidades de administrador. Não se trata, ao contrário do que afirma o recorrente, de publicidade institucional, mas, sim, de propaganda eleitoral subliminar extemporânea, desapercebida dos caracteres educativo, informativo ou de orientação social exigidos pela Constituição.”

Transparência e estímulo ao controle social, diz Estado

O entendimento do governo estadual é diferente. Procurada pelo blog, a representação do Executivo afirmou que “entende não existir nenhum óbice à instalação das referidas placas, pois não caracterizam promoção pessoal com finalidade eleitoral”.

“Elas divulgam informações de interesse público, uma vez que contribuem para a compreensão dos investimentos realizados e das responsabilidades do governo na obra ou ação divulgada, tendo por finalidade a transparência da gestão pública, além de estimular o controle social”, manifestou o Estado.

Guerra entre gestões recentes

Independentemente de serem crime eleitoral, ou não, as placas são mais um ingrediente da guerra política entre as gestões públicas estaduais mais recentes.

Há uma semana, o governador Carlos Moisés (sem partido) afirmou que “acabou com a roubalheira” das gestões anteriores.

O único ex-governador a responder foi Raimundo Colombo (PSD), que chamou o sucessor de “irresponsável com as palavras”.