Por que Israel e Palestina estão sempre em guerra?

Especialista explica origem do conflito e porque se estende até os dias de hoje

Daiane Nora Florianópolis

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A recente escalada do conflito entre Israel e Palestina, que ganhou as manchetes após o ataque do Hamas no dia 7 de outubro, é apenas um capítulo de uma disputa muito mais antiga.

De acordo com Danielle Jacon Ayres Pinto, professora de Relações Internacionais da UFSC e Pós-Doutora em Ciências Militares, a criação do Estado de Israel em 1947 é um bom marco temporal para entender o conflito.

Conflito entre Israel e Palestina Homem segura bandeira da Palestina – Foto: Jaafar ASHTIYEH / AFP

“Aquilo que nós assistimos hoje como conflito territorial nasce com essa criação do Estado de Israel num espaço que era majoritariamente ocupado por palestinos”, explica Danielle.

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Após a devastação da Segunda Guerra Mundial e o holocausto que vitimou 6 milhões de judeus, o movimento sionista que defendia a formação de um Estado Nacional para os judeus na Palestina, ganhou força.

Criação do Estado de Israel

Com o apoio da comunidade internacional, a ONU criou o Estado de Israel em 1947, dividindo o território da Palestina de maneira controversa entre judeus e árabes.

“Ela divide o território de forma não igualitária do ponto de vista métrico. Não é geograficamente fácil de se encaixar, sabe? Essa é uma primeira questão que já causa alguns problemas”, explica Danielle.

“A segunda questão é que os árabes nunca concordaram com essa divisão. Então, foram acontecendo várias guerras”, explica a especialista.

Guerra da Independência ou Nakba

A primeira delas, a Guerra da Independência ou Nakba. Israel ganha essa guerra e já aumenta um pouco o seu território, afirma Danielle. Depois ocorrem mais duas guerras que vão ser travadas pelo Egito e pela Síria em uma tentativa de recuperar o território e expulsar os judeus da região.

Guerra dos Seis Dias

A Guerra dos Seis Dias, em 1967, em que Israel ganha o conflito rapidamente, toma as Colinas de Golã e parte do deserto do Sinai, onde está a passagem de Rafah.

“Israel consegue tomar um território maior dentro do espaço do que era a divisão inicial. É ali que começa a nascer Gaza e Cisjordânia com mais clareza”, comenta Danielle.

Guerra do Yom Kippur

A segunda guerra é do Yom Kippur, que Israel também vence. “É nesse momento que começam a surgir dentro da Cisjordânia os assentamentos judaicos dentro de território palestino e aumenta cada vez mais a clivagem na região”, explica Danielle.

Depois acontecem duas Intifadas, levantes do povo palestino contra os judeus, uma em 88 e uma nos anos 2000. É na primeira Intifada que o Hamas é fundado.

Hamas vence eleições

Em 2005, após a morte de Yasser Arafat, líder da Autoridade Palestina, o Hamas ganha as eleições e a maioria das cadeiras no parlamento.

“Ao ter o controle político e fazer parte do governo também na Cisjordânia, Hamas acaba expulsando os líderes políticos da Fatah, da Autoridade Palestina de Gaza, e começa a praticar uma política de aniquilação do território de Israel”, explica Danielle.

Em 2006, Israel começou a fazer bloqueios na região de Gaza e também a construir muros na Cisjordânia. “É desde esse momento que Gaza sofre com bloqueios. É por isso que eles brigam hoje. Esse é hoje o mote central da briga”, conta Danielle.

“Segundo Hamas, eles atacaram no dia sete porque não foi possível, numa data específica religiosa deles, chegar até a Mesquita de Al-Aqsa porque Israel proibiu. Não é o argumento central, mas é uma das motivações”, conta Danielle.

Quando questionada se Israel não respeitou a divisão do território realizado pelas ONU, Danielle responde: “A retórica de Israel é que ele foi atacado e apenas defendeu-se. Ele anexou esses territórios com a justificativa de que aquilo era necessário para a segurança deles”, explica.

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