Faz anos que dona Maria chegou em casa, na Cachoeira, tentando conter com a manga do seu casaco o sangue que corria na testa, depois de tropeçar numa buraco e bater a cabeça no poste patenteado bem no meio da estreitíssima calçada pública.
O ciclista e o cidadão que anda a pé precisam driblar veículos – Foto: Flávio Tin/Arquivo/NDUm cálculo aleatório presume que hoje na Ilha da Magia mais de 10 pessoas esfregam o rosto no poste toda a semana pela devoção ao celular. Pudera, aquela barra de concreto ainda dificulta a passagem do pedestre em pleno século 21.
Na Ilha há uma explicação: quem manda é o governo do Estado, onde a Casan é campeã de cavaletes protegendo buracos ou canos furados em ruas, e a Celesc já deveria se destacar no Guinness World como a campeã em posteamento. Isso faz parte de uma cidade que privilegia carros.
SeguirO governo revitalizou a SC-401 recuperando o asfalto e criando terceira pista em elevações. O ciclista e o cidadão que anda a pé precisam driblar veículos. Da mesma forma, as ruas “restauradas” pela prefeitura alimentam o embate entre carros e cidadãos.
A prefeitura ainda tenta em algumas ruas minimizar a dificuldade do ciclista e pedestres, mas por que ainda valoriza mais os carros do que os cidadãos?
A propósito, o problema não é só da Ilha. Em Tubarão, na última quinta-feira, a amada professora Amaline Mussi tropeçou em um pedaço de madeira na Beira-Rio. Por sorte suas mãos foram mais resistentes.
Enquanto isso, na praça da Cachoeira…
– Ô Venanço, concorda que a nossa Desterro precisa valorizá bem mais a medicina das bruxas?
– Tás falando das benzedoras, curandeiros e tantos outros, é Lelo?
– Pois Venanço não acha que uma benzedura ia acabar com a dança das cadeiras no palácio do governo?
– Poisentão, o Moisés deve voltá de novo porque o Supremo arquivou as denúncias. A vice, que de novo botô novos secretários, volta pró isolamento…..
– Não tem jeito, Venanço, governador não fala com a sua vice e a briga vira arrastão e vai pela Assembleia Legislativa e tribunais. Acho que a vice deveria renunciar, não acha?
– Lelo, poder é igual osso na boca de cachorro. Ninguém larga fácil.
– Quem sabe umas cabeçadas no poste podem resolver. E é fácil, basta andar a pé em Floripa.
– Ou cair num buraco da Casan… Deus do Céu, a pandemia é fichinha.