Prefeito de Jaraguá do Sul afirma estar pronto para disputar governo de SC em 2022

Antídio Aleixo, do MDB, foi mais um entrevistado do ND Notícias na série com lideranças políticas catarinenses ao jornalista Paulo Alceu

Redação ND Florianópolis

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Dentro da série de entrevistas com lideranças políticas catarinenses para o telejornal ND Notícias, o convidado desta vez do jornalista Paulo Alceu foi o prefeito de Jaraguá do Sul, Antídio Aleixo Lunelli (MDB).

O prefeito comentou as medidas adotadas pelo governador de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL), no início da pandemia, e disse acreditar que as atitudes precipitadas acarretaram sérios problemas na economia do Estado.

Prefeito de Jaraguá do Sul afirma que está pronto para candidatura a governador do Estado em 2022 – Foto: Rodrigo Lima/NDPrefeito de Jaraguá do Sul afirma que está pronto para candidatura a governador do Estado em 2022 – Foto: Rodrigo Lima/ND

O prefeito Antídio Aleixo garantiu ainda estar pronto para disputar governo em 2022. “Nós temos que unir os homens de boa vontade e que querem fazer a diferença, e eu me coloco no meio deles”.

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O que o senhor fez, em relação ao combate a pandemia, que de repente não faria agora?

É difícil até de dizer. Nós quando chegamos, e a partir daquele momento que o nosso governador emitiu aquele decreto, nós imediatamente montamos uma comissão de combate à Covid, onde tivemos a participação de diversas entidades da nossa sociedade de Jaraguá do Sul, empresarial, polícia militar, ministério público, OAB. Então nós fizemos um trabalho visando o máximo possível o controle e o combate.

Eu diria que nós sempre procuramos conciliar muito bem a questão sanitária, a questão da saúde pública, juntamente com a questão empresarial, porque nós, afinal de contas, dependemos, precisamos, e não podemos em momento algum fazer um lockdown, fechar tudo.

Eu diria que eu acredito que nós fomos muito bem, e tivemos um controle, inclusive daquela medida onde tivemos  que tomar nas questões de horário, que isso fez com que a pandemia em alguns momentos realmente, nós conseguíssemos reduzir.

Olha, é difícil dizer hoje, neste momento. Acho que nós fomos muito bem no nosso município Jaraguá do Sul com as medidas que nós adotamos, sempre procurando conciliar. Inclusive na questão da educação, por exemplo, em uma semana nós tínhamos a nossa secretaria da educação, toda integrada, em casa, com sistemas via computador.

Os que não tinham acesso, a prefeitura colocou nas casas. A nossa educação, com a nossa Secretária, que é muito exigente também, nós conseguimos dar uma certa normalidade para que tudo acontecesse. Então, eu acho que nos tomamos todas as medidas cabíveis naquele momento.

Em relação ao governo do Estado, qual a análise que o senhor faz referente ao enfrentamento da Covid-19?

Eu acredito e vejo que talvez o nosso governador, lá atrás, no momento em que ele decidiu aquele decreto, sem ouvir a sociedade, as entidades representativas, faltou diálogo. Naquele momento, o governador deveria ter se reunido com os representantes da indústria, do comércio, as classes produtivas, e deveria ter ouvido mais antes de ter tomado aquela medida tão radical naquele momento, que mostrou sérios impactos na economia catarinense.

Isso tudo, talvez, com o tempo, seriam medidas que deveriam ser tomadas dentro do que se fazia necessário com o crescimento da pandemia. Eu acho que foi ‘queimada a largada’, porque, de um dia para à noite, nós recebemos no colo, e tivemos que tomar sérias medidas, onde nós nem sabíamos que caminho deveríamos seguir.

Tivemos o Ministério Público, que foi muito parceiro, nós criamos esse comitê, Jaraguá do Sul foi pioneiro nisso, inclusive quero registrar que tem um dos menores índices de mortalidade, se não é o menor, é o segundo menor, do Estado de Santa Catarina, com mais de 100 mil habitantes. Acredito e vejo sempre a questão do diálogo, de sentarmos com as entidades de classe, e ai sim, vamos tomando as medidas necessárias.

O senhor acredita que houve omissão do Governo Federal, ou ele teve uma participação dentro do que era necessário e importante no combate à Covid-19?

O Governo Federal, do nosso presidente Jair Bolsonaro, eu entendo que se fez importante e necessário, até porque nós tínhamos que romper esses 13 anos do governo PT, fez muitas coisas boas para o nosso Brasil, mas, também entendo que nessa questão da pandemia, o nosso presidente também deveria ouvir um pouco mais a questão técnica, ouvir mais os médicos, os cientistas, e não levar assim, só de forma política , ou achar que o problema não existe.

Ele existe, é sério, hoje nós temos mais de 400 mil  mortes no nosso país. É aquilo que eu acabei de colocar, acho que nós temos que respeitar as entidades, nós também precisamos ter humildade.

Quero dizer de lá atrás, quando ninguém nem sabia quem era o nosso presidente Bolsonaro, na época quando ele ainda era deputado federal pelo Rio de Janeiro, filiado ao PP, eu admirava, sempre admirei e via seus vídeos, inclusive fui recebido por ele, e faz bastante a minha linha, dentro daquilo que acredito que nós precisamos na gestão pública.

Nós não poderíamos mais conviver com a questão da corrupção, como estava, espalhado por nosso país. Então tem o seu lado importante para nosso país, mas sinceramente, se eu como presidente agiria diferente nessas questões da pandemia.

Nós temos uma CPI da pandemia. Primeiro quero saber sua opinião sobre essa CPI, e segundo começam a ser ouvidos agora os governadores, e depois os prefeitos. Jaraguá recebeu muito dinheiro federal?

Nós recebemos sim, e fizemos a devida aplicação com muita cautela, dentro daquilo que precisava o investimento e tratamento da Covid-19. Fomos levando, e conseguimos. Não saímos queimando dinheiro em momento algum, nós somos muito, muito responsáveis com o dinheiro público. Referente a hoje, nós ouvimos muitas questões de desvios, de corrupção, e talvez a cidade pense, e faça importante e necessário nesse momento para o devido esclarecimento para nossa população.

Agora, tem um lado também político, levado muito para a politicagem que eu não concordo com isso, até por certos comandantes e pessoas que se colocam ai. Eu acho que nós precisamos do bom termo, precisamos da seriedade na política, nós precisamos da boa política. Não é da política de esquerda ou direita, nós precisamos da boa política.

A boa política é aquela onde estamos em um debate de ideias, independentemente de bandeira partidária, e onde nós temos o resgate dos valores , e aquilo que se faz necessário para que nós tiremos a nossa população da miséria.

Eu quero dizer que, cada viagem internacional que nós fizemos, quando chegamos no aeroporto de São Paulo, no aeroporto do Rio de Janeiro, e olhamos em volta, e essa construção enorme de favelas que temos, talvez nas últimas décadas, gente, que país é esse? Esse não é o país que eu sonho, nem que eu quero para os meus filhos, nem para os meus netos.

Então, a boa política é aquela feita com resultado, com transparência, com eficiência, com entrega para a população, é isso que nós precisamos. Diminuir essa democracia, o peso do Estado que nós temos em cima dos ombros de quem trabalha, de quem produz, de quem gera riqueza, de quem gera emprego.

Nós somos defensores dessa política, da boa política, o que acontece aliás, em todos os setores da nossa economia, da nossa casa, da nossa vida. E é isso que nós precisamos , nós não devemos fazer politicagem e simplesmente ficar jogando pedras ou areia no meio da engrenagem em nome de uma oposição burra, isso nós temos que acabar.

Nós temos que estar no debate de ideias, na discussão, na seriedade, nós temos que nos unir e nos juntar com os homens de bem, é isso que precisamos. Afinal de contas, isso tudo que estamos passando hoje nada mais é que gestos e atitudes politicas e públicas que foram tomadas lá atrás. Nós precisamos mudar e para isso que estamos aqui dando a nossa contribuição.

De que maneira o senhor enxerga nossa economia em um processo de recuperação?

Santa Catarina é o melhor Estado do Brasil. Santa Catarina é feita por empreendedores, por pessoas que aqui chegaram, independente se é alemão, italiano ou polonês, se é afrodescendente, portugueses. A nossa economia é versátil, e um Estado maravilhoso, que se recompõe com uma velocidade. Com tudo que nós estamos passando Santa Catarina ainda cresce. Santa Catarina carece de boa gestão. Santa Catarina precisa de gestão.

Eu digo que Santa Catarina é o Estado que todos os Estados do nosso Brasil querem imitar, mas esse povo, que é um povo ordeiro, trabalhador, um povo incansável, desde nosso agricultor, a nossa agroindústria, a nossa tecnologia, as indústrias que temos no nosso município fazem a diferença.

Quero dizer que Santa Catarina nos orgulha, é um Estado que poderia ser um país, talvez igual a um dos melhores países da nossa Europa. Ele se reinventa, e tem um dinamismo, uma força tão grande e tão forte, que dentro de tudo que nós estamos passando, continua crescendo, continua sendo exemplo, modelo.

Agora, nós temos que acertas alguns pontos, principalmente na questão do investimento, no ensinamento, na educação que nós ficamos atrasados, principalmente quando nos referimos a questão do ensino médio, que é do Estado, nós temos que recuperar, nós precisamos recuperar nossas estradas, as nossa vias.

Nós temos que dar condições para que o empresário consiga ter o Estado mais próximo dele, para que continue crescendo ainda, de um forma muito melhor. Nós temos hoje o custo público, que onera tanto as nossas empresas.

Você está preparado para disputar o governo do Estado em 2022?

Sim, preparado. Eu faço parte do MDB, nosso partido é o MDB, e quero dizer que nós temos três pré-candidatos no momento, que é o senador Dário Berger, nosso presidente Celsio Maldaner, e também me coloquei a disposição. Então, estamos nesse momento fazendo um trabalho interno dentro do partido, e se tivermos êxito, e formou o indicado ou ou votado, para representar e concorrer as próximas eleições, preparado sim.

Quero dizer o seguinte: eu não sou melhor do que ninguém, mas eu venho de uma família humilde, fui criado na roça, eu sei o que é ser um colono, um agricultor, e depois eu fui empregado também. Eu sei o que é ser um empregado, um funcionário, um assalariado.

Mais tarde começamos a nossa empresa que completa agora, dia primeiro de outubro 40 anos. Depois fui dar a minha contribuição no setor público, me coloquei a disposição para concorrer as eleições do município de Jaraguá do Sul, e chegamos em um momento muito difícil, e fizemos, e tomamos as medidas que se faziam necessárias naquele momento.

Quero dizer que eu tenho um senso de patriotismo dentro de mim, que nós fomos criados em um berço lá com os nossos nonos, nosso avós, de mãe e pai dentro daqueles princípios da simplicidade, da honestidade, da transparência.

Eu aprendi com meu saudoso pai, que nós precisamos cuidar muito do nosso dinheiro, que ele desaparece facilmente, mas quando o dinheiro não é nosso, nós devemos cuidar, no mínimo, dez vezes mais. Eu fui criado dentro desse princípio, e não vai ter cidadão, partido politico, não vai ter empresa que vai me corromper, em momento algum.

Eu tenho os meu princípios muito fortes, e quero dar a minha contribuição participando da vida pública, ajudando a transformar, mudar, melhorar, aperfeiçoar aquilo que nós ainda estamos convivendo, com leis da época de Getúlio Vargas.

O Estado, o município, ele precisa se atualizar para realidade de hoje. Então eu venho dentro dessa geração, esse é o meu sonho e a minha contribuição que darei até o último momento da minha vida, que eu tiver forças e poder participar, é isso que eu gostaria que acontecesse. Com o objetivo principal de nós termos o Estado de Santa Catarina, um país muito melhor do que esse que nós encontramos hoje.

Nosso país tem condições pelo menos, de ser a terceira economia do planeta, um país com dimensões continentais, com esse povo maravilhoso que tem, para, isso é política? Nós temos que unir os homens de boa vontade e que querem fazer a diferença, e eu, me coloco no meio deles.