Depois de 12 anos, o MDB está de volta ao comando do executivo municipal de Biguaçu. O último prefeito do partido na cidade foi Vilmar Astrogildo Tuta de Souza, prefeito de 2001 a 2008. O próximo será Salmir Silva, eleito no último domingo (15), com 42% dos votos. O 2º colocado, Vilson (PP), é vice-prefeito da cidade atualmente e obteve 26% dos votos.
Salmir Silva (MDB) foi o prefeito eleito de Biguaçu em 2020 na Grande Florianópolis, com 42,86% dos votos. – Foto: Paulo Rodrigo Ferreira/Divulgação/NDO prefeito eleito, por sua vez, vem da oposição. Salmir é vereador na cidade, após disputar a sua primeira eleição em 2016. Veja como ficou a votação em Biguaçu:
- Salmir (MDB), 42,86%, 14.063 votos;
- Vilson (PP), 26,20%, 8.596 votos;
- André (PSL), 17,92%, 5.878 votos;
- Coronel Peres (Patriota), 5,96%, 1.952 votos;
- Marconi (DEM) 4,09%, 1.343 votos;
- João José (PT), 2,97%, 976 votos.
Câmara de Vereadores
A Câmara de Vereadores de Biguaçu será renovada em 2/3. A cidade tem 15 vereadores e apenas cinco foram reeleitos em 2020. Dos 15, sete são da base do governo: quatro do MDB, partido do prefeito eleito, três do Podemos, partido do vice-prefeito, Alexandre Souza.
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Salmir Silva (MDB) e Alexandre Souza (Podemos), prefeito e vice eleitos em Biguaçu no último domingo (15). – Foto: Paulo Rodrigo Ferreira/Divulgação/NDAs oito cadeiras restantes ficaram com partidos de três candidaturas majoritárias diferentes: três com o PSL, uma com o DEM e quatro com o grupo PSD (2), PL (1) e PP (1).
Avaliando o resultado, Salmir diz que trabalhando a proximidade com um desses grupos, é possível obter maioria na Câmara.
“Acho que esses vereadores novos entram com espírito de mostrar trabalho. Não são vereadores com vício político, da briga, da jogatina. Eles vêm com intuito de mostrar trabalho e cumprir o que estavam falando no processo político”, acredita o prefeito eleito de Biguaçu.
Veja, a seguir, a entrevista do ND+ com Salmir Silva (MDB). Ele vai suceder Ramon Wollinger (PSD) em 1º de janeiro de 2021. Entre as promessas, reduzir o número de secretarias e cargos na prefeitura.
ND: Prefeito, o senhor recebeu 42% dos votos e ficou quase 6 mil votos à frente do 2º. A que atribui a vitória?
Salmir: Acredito que essa diferença foi em função da intenção da população de continuar fazendo mudança. Vimos um cenário muito parecido na eleição de 2018 e acredito que a população estava, ainda, com esse objetivo de mudar.
Fizemos uma campanha pé no chão, humilde, apresentando propostas, diferentemente de outros que acharam que era só estar com a máquina, com a estrutura na mão.
ND: O senhor está se despedindo do mandato de vereador e também foi presidente da Câmara. Qual foi a maior lição que aprendeu na Câmara?
Salmir: Sempre atuei na iniciativa privada, a vida pública, pra mim, é nova. Acabou acontecendo em 2016, quando participei, pela primeira vez, de uma campanha e consegui me eleger.
Foi um aprendizado, pra mim, esses quatro anos de vida pública: saber como acontece a política. De fora, a gente imagina uma coisa, crítica sem conhecimento de causa e esse aprendizado que a Câmara trouxe, fez eu entender como muitas dessas situações acontecem.
Mas ainda digo que a maior experiência adquiri como presidente da Câmara. Conciliar a vida política do Legislativo com o administrativo público, que é totalmente diferente da iniciativa privada. Ali, acredito que consegui uma grande capacitação até na preparação para assumir um Executivo municipal, como vai acontecer agora.
ND: Os partidos que apoiaram sua candidatura na majoritária fizeram sete cadeiras na Câmara, os demais partidos oito. Como analisa o resultado na Câmara?
Salmir: Quando a gente entrou no pleito e analisou a quantidade de candidatos, a gente já tinha noção de que ninguém faria a maioria. Isso mostrava que nenhuma coligação faria maioria, porque houve uma pulverização muito grande de candidatos a vereador.
Mas eu ainda saio satisfeito. Conseguimos colocar sete do grupo. Significa que precisamos nos aproximar de algum partido e se formos analisar, os demais partidos não são de uma única coligação, se torna mais fácil.
ND: A eleição de 2020 ocorreu com a Grande Florianópolis em nível gravíssimo de transmissão da Covid-19, hoje passou para o grave. O que fará para conter o vírus?
Salmir: Vamos precisar trabalhar junto com os demais municípios. Não vejo o trabalho isolado resolvendo o problema, porque a gente tem uma circulação grande, principalmente da metrópole. Acho que precisamos trabalhar integrado, buscando a redução, de forma gradual, lógico, mas prezando pelo emprego, pelo serviço, pela renda, para que a gente não passe a ter dificuldades.
Precisamos analisar bem os próximos passos e isso devemos fazer assim que assumir, procurando os prefeitos da região para, em conjunto, e também com o Estado, trabalhar estratégias para conter a evolução do vírus. Temos que fazer a economia girar, para que a gente não passe por uma pandemia também econômica.
ND: O senhor conhece os demais prefeitos da região. Acha importante ideias integradas? Se sim, em quais áreas?
Salmir: A maioria dos prefeitos eleitos da Grande Florianópolis eu tenho contato, alguns um relacionamento mais aprofundado. Acredito que não vai existir dificuldade de trabalhar estratégias conjuntas.
Além da Covid-19, acredito que um assunto muito importante para a nossa região é o transporte público integrado. Precisamos evoluir nisso, até para criar facilidades para o nosso usuário.
ND: O senhor já definiu nomes do secretariado?
Salmir: Não. Ainda não decidi nada, como é tudo muito recente, claro, eu tinha coisas em mente, mas o nosso principal objetivo foi apresentar propostas, dentro de uma realidade financeira condizente com as possibilidades do município e com a origem dos recursos, sem trabalhar nomes.
Como a eleição foi no domingo, estamos trabalhando, agora, o encerramento do processo eleitoral, a questão de contas partidárias, fechamentos. Também estamos em negociação com o executivo municipal do momento, tratando sobre a transição, para termos conhecimento e para assumir com a máquina andando, sem grandes surpresas. A gente deve iniciar o processo de montagem da equipe na próxima semana.
ND: Qual será a marca do seu mandato? Qual legado pretende deixar?
Salmir: Eu diria que a gente vem com quatro bandeiras. A primeira: uma grande reestruturação administrativa, para diminuir o custo da máquina. Vamos diminuir secretarias e cargos, reaproveitar as pessoas, criar motivação, são vários cenários para fazer que a gente produza mais e melhor com menos.
O segundo ponto é trabalhar forte uma reformulação das leis do município, para dar uma tranquilidade maior ao empresariado local e ser mais atrativo para quem quer se instalar no município.
“Mais emprego e renda”, uma das promessas de Salmir (MDB) para Biguaçu – Foto: Paulo Rodrigo Ferreira/Divulgação/NDA terceira é trabalhar forte na geração de mais emprego e renda para a nossa população. E a bandeira que eu, hoje, identifico como a mais necessária é aproximar o poder público da população. Isso a gente faz através do orçamento participativo, que já foi utilizado pelo nosso município fortemente quando o MDB, era governo.
ND: Qual o ponto negativo da cidade? E qual o destaque de Biguaçu?
Salmir: O ponto negativo ainda acho que é o travamento na economia. Precisamos reestruturar as leis para dar mais tranquilidade e velocidade na liberação de alvarás e abertura de novas empresas. O ponto positivo é a nossa posição geográfica nessa região, que vem em uma crescente e onde a gente tem muitas possibilidades de expandir.