Prefeitos de cidades atingidas por enchente em SC falam sobre importante visita de ministro

Ministro Waldez Góes visitou as cidades do Alto Vale no sábado (25) para avaliar os estragos causados pelas fortes chuvas que castigaram a região

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Aysla Pereira Blumenau

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O ministro da Integração e Desenvolvimento Regional, Waldez Góes (PDT), visitou Santa Catarina no sábado (25) para analisar ações emergenciais e estratégias de reconstrução aos efeitos causados pelas fortes chuvas na região do Alto Vale do Itajaí.

Ministro Waldez Góes visitou as cidades do Alto Vale no sábado (25) para avaliar os estragos causados pelas enchentes Prefeitos de cidades atingidas por enchentes em SC falam sobre importante visita de ministro – Foto: Prefeitura Rio do Sul/Reprodução ND

A visita aconteceu após determinação do presidente Lula (PT). Góes foi acompanhado pela comitiva formada pelo Secretário Nacional de Proteção e Defesa Civil, Wolnei Wolff, do presidente do Sebrae Nacional, Décio Lima (PT), e de técnicos da Defesa Civil Nacional.

Eles foram recebidos pelo overnador Jorginho Mello (PL), pelo secretário da Infraestrutura, Jerry Comper (MDB), e pelo secretário da Proteção e Defesa Civil, Coronel Luiz Armando Schroeder Reis (PL) e debateram sobre ações de socorro às milhares de pessoas prejudicadas pela chuva.

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Os prefeitos de Trombudo Central e Agrolândia falaram sobre a importância da visita dos representantes do Governo Federal e Estadual, para que eles pudessem ver de perto a situação delicada em que os municípios se encontram.

Trombudo Central enfrentou enchente histórica

Antes de ir para Rio do Sul, a primeira reunião foi realizada em Trombudo Central, cidade que enfrentou a maior enchente de sua história. A prefeita da cidade, Geovana Gessner, destacou a importância da visita e reconhecimento do triste momento vivido na região.

“Fico feliz com a atenção que o governo do Estado e governo Federal tem nos dado e isso tem sido super importante, da ajuda humanitária, de agora a gente ser reconhecido de estado de calamidade pública, documentação e tudo mais”.

A prefeita comentou que foram calculados cerca de R$ 40 milhões de prejuízos causados devido à enchente e 1.135 moradores perderam tudo de dentro de suas casas, ficando apenas com a roupa do corpo.

“20 das casas também foram levadas com a enchente e 90 % do nosso  comércio foi atingido”, pontuou Gessner.

Ainda conforme a prefeita, os recursos são necessário para dar acesso à propriedade, continuar com a agricultura que foi muito atingida e fortalecer o comércio e todas as pessoas da cidade.

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    Ministro Waldez Góes visitou as cidades do Alto Vale no sábado (25) para avaliar os estragos causados pelas fortes chuvas que castigaram a região - Moisés Stuker NDTV
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Em Rio do Sul, ministro falou sobre recursos destinados às cidades atingidas

Em reunião com prefeitos de cidades atingidas pelas recentes enchentes e autoridades em Rio do Sul, o ministro  disse que não faltarão recursos para os municípios que tiveram prejuízos com as enchentes, tanto nas ações de resposta humanitária, como para reconstrução.

O prefeito da cidade, José Thomé, falou em nome do município, Amavi (Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí) e da Fecam (Federação Catarinense de Municípios) e colocou que no Alto Vale, os prejuízos foram superiores a R$ 780 milhões nos eventos de chuva em outubro, mas que em novembro, os valores serão muito maiores, mesmo com levantamentos ainda não encerrados.

Ministro Waldez Góes visitou as cidades do Alto Vale no sábado (25) para avaliar os estragos causados pelas enchentes Ministro Waldez Góes visitou as cidades do Alto Vale no sábado (25) para avaliar os estragos causados pelas fortes chuvas que castigaram a região – Foto: Prefeitura Rio do Sul/Reprodução ND

Praticamente todas as cidades da região decretaram situação de emergência ou estado de calamidade pública.

“Nós suplicamos por auxílio para as famílias, para o cidadão, seja em ajuda humanitária, apoio financeiro e linhas de crédito, mesmo com valores pequenos, mas com juros condizentes, e também a liberação do FGTS para todas as pessoas da cidade, não apenas as atingidas. A população de Rio do Sul, os empresários, precisam de apoio, precisam de ajuda. A situação é muito ruim para muitos municípios e nós precisamos de sinais positivos para reconstruir e ter otimismo, seja no apoio para quem teve prejuízos, ou com a sinalização de obras que reduzam o impacto das chuvas volumosas”, explicou Thomé.

O governador Jorginho aproveitou a oportunidade para comunicar que terá uma audiência na quarta-feira (29) com os prefeitos de cidades catarinenses atingidas, para avaliar possíveis auxílios aos municípios através de um fundo específico.

Também será explicado sobre os repasses de ajuda humanitária e como poderão fazer as primeiras obras do projeto JICA de prevenção e mitigação de enchentes, como as barragens de Mirim Doce e Petrolândia, já previstas para o início do ano que vem.

“É sempre importante distribuir o peso dessa responsabilidade”

O prefeito de Agrolândia, José Constante, também falou sobre a visita da comitiva no Alto Vale e enfatizou a necessidade em reivindicar recursos para conseguir ajudar as pessoas prejudicadas.

“É sempre importante distribuir o peso dessa responsabilidade. Fomos atingidos com mais de 510 mm, é uma chuva bastante concentrada. Hoje são mais de 400 famílias que tiveram os seus pertences todos perdidos, 11 casas totalmente comprometidas”, comentou José.

Ele ainda pontuou que o trabalho inicial, o de salvar vidas, foi feito com apoio da comunidade e Corpo de Bombeiros, mas o trabalho mais difícil vem agora, que é voltar à normalidade.

“Com certeza a vinda do governo Federal aqui na nossa região e do governo do estado é de extrema importância, porque eles vão conhecer de perto a realidade e sentimento. O nosso papel enquanto gestor público é reivindicar, mostrar as nossas dificuldades e cobrar, tanto do Governo do Estado como do Governo Federal, a transferência de recurso para que possamos investir e custear essas despesas tão altas que fogem da nossa possibilidade de resposta com os recursos próprios das nossas cidades”.

Investimentos do governo federal

Segundo o governo federal, o Ministério da Saúde garantiu o kit calamidade e também a Força Nacional do SUS. O Banco do Brasil ofereceu ajudas humanitárias, para garantir crédito ao setor público e privado. Além disso, a Caixa Econômica contribui com a liberação de fundo de garantia por dentro do serviço.

A recepção de propostas de ação de prevenção de desastres naturais está sendo realizado pelo Ministério da Cidade e já conta com mais de 220 propostas apresentadas pelo Estado e por munícipios catarinenses. Ainda, o Ministério do Desenvolvimento Social apoiou com cerca de R$ 2,3 milhões para o acolhimento de 7.152 pessoas.

Góes disse que mais de R$ 80 milhões já estão aprovados para Santa Catarina. Contudo, as liberações serão realizadas à medida que as prefeituras concluírem seus planos de trabalho.

“Certamente a nossa ação vai acontecendo de acordo com os planos que vão chegando”, afirmou o ministro, que reconheceu 188 municípios de Santa Catarina em estado de calamidade pública.

Os recursos aprovados serão destinados à reconstrução de casas e pontes, reparos em escolas e outros prédios públicos, bem como à compra de cestas básicas e kits de higiene, dormitório e limpeza.

Estradas

Cerca de R$ 100 milhões foram investidos pelo Ministério do Transporte para o restabelecimento de estradas federais no Estado. O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) destinou mais de R$ 640 milhões para o plano de rodovias do governo de Santa Catarina.

Além disso, o governo está realizando a duplicação da BR-280 e BR-470, e o Ministério do Desenvolvimento Agrário está cuidando da renegociação e prorrogação das dívidas, além de garantir o seguro para o agromais.

Contribuiu o repórter Moisés Stuker