Preso em SC diz que empresário grande paga ‘por cabeça de Alexandre de Moraes’

Márcio Giovani Nigue, conhecido como "professor Marcinho", foi preso neste domingo (5) após ordem de prisão preventiva que partiu do ministro do STF, Alexandre de Moraes

Foto de Willian Ricardo

Willian Ricardo Chapecó

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Às vésperas das manifestações do 7 de Setembro e um consequente aumento da tensão entre o Judiciário e o Executivo, a PF (Polícia Federal) prendeu neste domingo (5), em Otacílio Costa, na Serra de Santa Catarina, o professor Márcio Giovani Nigue, conhecido como “professor Marcinho”.

Alexandre de Moraes pediu a prisão do professor de SC — Foto: Jane de Araújo/Agência Senado/NDAlexandre de Moraes pediu a prisão do professor de SC — Foto: Jane de Araújo/Agência Senado/ND

A ordem de prisão preventiva (sem data para terminar) partiu do ministro do STF (Superior Tribunal Federal) Alexandre de Moraes. A alegação para a prisão é que ele estaria “incitando pessoas para cometimento de crimes violentos”.

Nigue estava em casa e foi encaminhado ao Presídio Regional de Lages, também na Serra. Ele deve passar por audiência de custódia, procedimento que serve para que um juiz valide a detenção. “Ele mora aqui em Otacílio Costa e a soltura dele não apresenta perigo para a sociedade”, argumenta o advogado Silvano William Antunes, que cuida do caso.

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Em transmissão ao vivo no TikTok, Márcio disse que há um empresário “grande” que está oferecendo dinheiro pela “cabeça” do ministro Alexandre de Moraes, “vivo ou morto”. A ordem foi expedida no âmbito do inquérito sobre os atos antidemocráticos do 7 de Setembro.

“A partir de hoje, nós temos um grupamento no Brasil que vai caçar ministros [do STF] aonde quer que eles estejam. Portugal, Espanha, China, onde eles estiverem. Agora no Brasil, com os ministros do Supremo, vai ser assim, vai ter prêmio pela cabeça deles”, disse o bolsonarista.

E continuou: “Não vou falar agora quem é, pois, podem me torturar, mas tem um empresário grande aí que está oferecendo… tem uma grana federal, que vai sair o valor pela cabeça do Alexandre de Moraes. Vivo ou morto, para quem trazer ele [sic]. O Brasil demorou, mas aconteceu”, disse.

Relator de inquéritos e processos que miram o presidente Jair Bolsonaro, Alexandre de Moraes é um dos alvos maiores dos apoiadores do chefe do Executivo, recebendo ataques e ameaças constantes. 

Em resposta a uma publicação do perfil do STF, por exemplo, o ex-PM Cássio Rodrigues Costa Souza chama Moraes de “careca filho da p*” e “advogado do PCC”, afirmando que vai matar o ministro e sua família.

Prisões em SC

Na semana passada, o STF decretou a prisão do morador de Joinville Marcos Antônio Pereira Gomes, de 33 anos, conhecido como Zé Trovão.  Ele se encontra foragido.

O jornalista Wellington Macedo, que também teve mandado de prisão expedido foi detido pela Polícia Federal. Ambos são acusados pelo STF de incitarem atos antidemocráticos.

Investigação

A abertura de inquérito para apurar a organização de atos antidemocráticos foi realizada ainda em abril de 2020 pelo ministro Alexandre de Moraes.

A decisão atendeu a um pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras. O procurador-geral justificou o pedido ao STF dizendo que os “fatos em tese delituosos envolvendo a organização de atos contra o regime da democracia participativa brasileira” foram cometidos “por vários cidadãos, inclusive deputados federais”.

Em junho do ano passado, a Polícia Federal cumpriu 21 mandados de busca e apreensão no âmbito do inquérito. As recentes ações do STF são uma das justificativas dos protestos programados em todo o país para esta terça-feira, feriado do dia 7 de Setembro.

Com informações do Estadão*

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