“Primeiro ato será fazer grande auditoria”, diz Levi sobre rio Mathias, em Joinville

Candidato do Democracia Cristã apresentou suas propostas para a maior cidade catarinense em entrevista ao Grupo ND

Juliane Guerreiro Joinville

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A série de entrevistas com os pretendentes à prefeitura de Joinville entra na reta final. E nesta quarta-feira (28), foi a vez do candidato Levi Rioschi (DC) falar sobre o seu plano de governo e as suas propostas para a maior cidade de Santa Catarina.

Levi Rioschi tem 47 anos, é formado em Gestão Pública pela Faculdade Unopar Joinville e é gestor público e profissional liberal. Foi secretário parlamentar da Câmara Federal entre 2009 e 2011. Eleito vereador em 2013, presidiu a Escola do Legislativo da Câmara de Vereadores entre 2014 e 2015, mesmo período em que foi membro da Comissão de Agricultura, Comércio e Indústria.

Entrevista com Levi Rioschi foi conduzida pela apresentadora Sabrina Aguiar – Foto: Juliane Guerreiro/NDEntrevista com Levi Rioschi foi conduzida pela apresentadora Sabrina Aguiar – Foto: Juliane Guerreiro/ND

Confira a entrevista:

No seu plano de governo, você fala na prefeitura itinerante, em que o prefeito e o secretariado iriam até os bairros. Como isso funcionaria? Qual seria a periodicidade dessa ação?

A prefeitura itinerante é uma ação já programa, pensada, pesquisada e conversada com técnicos e em outras cidades ela deu certo. A prefeitura itinerante é quando o prefeito se desloca do seu gabinete e despacha nos bairros, dá ordem de serviço nos bairros, junto com seu secretariado.

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Numa cidade como Joinville, a grande reclamação das pessoas é que, sempre que o indivíduo sabe que tem que ir à prefeitura, ele tem um calafrio. Então, por que o prefeito não faz diferente? O prefeito deve estar onde o povo está, eu defendo isso. 

O prefeito reúne seu secretariado em espaços públicos, como as subprefeituras, pede relatório com data e hora sobre as demandas daquela localidade. Na outra semana, no outro mês, ele vai pra outra localidade. É a prefeitura muito mais perto da população. Mais Joinville, menos prefeitura.

Você fala em implantar elevados nos principais pontos da cidade. Que pontos são esses? De onde viriam os recursos?

Se nós observarmos cidades circunvizinhas e muito menores, como a nossa gloriosa Corupá, ali tem um elevado. Por que nós temos que ficar na Getúlio Vargas com o carro com o motor ligado esperando o trem passar? Já que não se tomou uma decisão ainda a nível federal de tirar a linha férrea, por que nós joinvilenses temos que ficar fadados a ser interrompido o nosso direito de ir e vir por causa de um trem?

A criação dos elevados nos quatro pontos da cidade será onde tiver um gargalo. Eu vou citar como exemplo aqui o bairro Adhemar Garcia, a tão famigerada ponte que nem aconteceu. O pessoal reclama muito na zona Norte, próximo à Univille, nos quatro cantos da cidade. Isso também não é o suficiente, mas nós vamos implantar.

Nós temos que ter ruas paralelas bem pavimentadas. A prefeitura, hoje só anuncia “utilize rotas alternativas”, mas muitas vezes o indivíduo vai pegar uma rota alternativa e ele arrebenta com o carro porque a sua está sem pavimentação, sem sinalização. Então, a implantação do elevado é sim uma necessidade e vai ser feita. A busca do recurso, nós podemos, inclusive, estabelecer parceria público-privada. A gestão pública moderna e atual tem que se fazer. Se não se encontra um meio dentro do serviço público, tem que buscar uma parceria privada para o bem da coletividade, eu defendo isso.

No seu plano de governo, você defende parcerias com a iniciativa privada para o funcionamento do sistema de saúde. Que parcerias são essas? Como elas funcionariam?

Nós temos que trabalhar com data, dia e hora, com metas. Eu sou oriundo da iniciativa privada e nela, se você não tiver competência, você não se estabelece. As consultas represadas, os exames de alta complexidade, tratamento de doenças degenerativas, doenças graves, têm um gargalo muito grande e nós temos que buscar essa parceria com laboratórios particulares, clínicas, hospitais particulares porque a saúde pede passagem, é uma questão de urgência.

Eu não posso admitir que uma secretaria do município vai ligar pra casa de um contribuinte depois que ele já perdeu a vida. Nós temos que estabelecer parceria público-privada com laboratórios, com hospitais e com clínicas para ter um prazo rápido, urgente e necessário para a realização de exames, cirurgias, tratamentos de doenças graves e degenerativas.

Você fala em “valorização plena dos professores”. Quais são seus projetos nesse sentido?

Eu defendo a meritocracia para o servidor público, em especial para os professores. Eu quero cumprimentar a todos os professores da nossa gloriosa Joinville, que fazem um trabalho de excelência, às vezes com condições muito difíceis. Às vezes é a quadra de esporte que nunca foi colocada pelo poder público, a merenda repetitiva, antes da pandemia teve um período em que as crianças comeram arroz com sardinha três, quatro meses seguidos, isso é um absurdo.

Eu recebi reclamações que tem estabelecimentos de ensino com sala de aula interditada, que falta o professor auxiliar e não dá pra aplicar a matéria. Eu tenho uma situação de um auditório numa escola em que estava prestes a cair o teto na cabeça das pessoas. Ele teve interditado, três salas de aula interditadas. Foram feitas várias reuniões com a secretaria e nada se resolveu.

Então, meritocracia ao servidor e a condição plena, dentro do espaço físico, na área de ensino para que o professor possar dar uma aula de qualidade e para que o aluno tenha um ensino de qualidade e de excelência.

Você fala em criar um grande centro público para as disputas de todas as modalidades do esporte. Onde esse centro seria construído e com que recursos?

Eu frequento campos de futebol do esporte amador e eu pude perceber que competidores, até de outras modalidades, estavam no semáforo pedindo ajuda em dinheiro para poder fazer as suas competições, isso é inadmissível. Eu quero criar um local, um centro, que pode ser ou na zona Norte, Sul, Leste ou Oeste, nós haveremos de encontrar um meio, o prefeito tem que ter boa vontade.

O prefeito tem que executar, tem que dar ordem de serviço. Pode buscar uma parceria público-privada para diminuir essas taxas que eles não conseguem pagar para se inscrever, para fazer uma disputa. Então, esse centro será construído para a valorização de todas as modalidades de esporte, inclusive o esporte feminino, que é muito importante para o município. Esse é um projeto e eu tenho o compromisso com essas pessoas.

O ND+ ouviu especialistas que apontaram que as políticas públicas para a juventude são essenciais para a segurança pública. Quais são suas propostas nesse sentido?

A juventude é a excelência na nossa sociedade, ela se mistura com a melhor idade, com as crianças, com todas as pessoas. Eu defendo que, na grade curricular de ensino, o jovem possa ter um direcionamento para uma profissão; que, juntamente com o ensino, ele possa ter um caminho para, quem sabe, sair dali e procurar uma profissão.

O jovem precisa de mais, precisa que tenha um espaço para o lazer, um lugar que possa ter uma aula de música, por exemplo. Pode se buscar no jovem a oportunidade de ser um empreendedor, um grande artista da nossa cidade. Eu quero investir muito no jovem. O gestor público tem que proporcionar oportunidades para os jovens e nós queremos estar atuantes e firmes com eles.

Você propõe desburocratizar a gestão pública para trazer investimentos para a cidade. Quais ações pretende fazer nesse sentido?

Eu penso que a burocracia emperra o crescimento de uma cidade e ela se resolve quando todos os entes conversam. As reuniões isoladas, as disputas, o cabo de guerra, o projeto de poder pessoal é que ocasiona essa burocracia. Quando o gestor público tem o entendimento de crescer, de fazer a notabilidade, a grandiosidade de uma cidade, tem uma meia dúzia de pessoas que não concordam por birra, por ego e tem que se passar por cima disso.

Tem que buscar na lei se quem libera, por exemplo, as assinaturas, os alvarás não cumprir o seu papel tem que ser substituído e tem que buscar na iniciativa privada alguém que tenha a competência de fazer a desburocratização do serviço público. Joinville não pode mais esperar, nós já perdemos muitos empreendimentos. Não é possível que a maior cidade do Estado seja pensada pelos seus gestores como se fosse uma rua sem saída.  Então, nós vamos fazer uma Joinville grande de novo, desburocratizando nem que seja buscado na terceirização.

Hoje, a licitação e as obras do rio Mathias estão suspensas. Como pretende lidar com a questão?

O primeiro ato do prefeito eleito é fazer uma grande auditoria nas contas referentes a essas obras. Eu penso que foi uma obra totalmente desacertada, milionária, que até agora me parece que, se for concluída como está, não vai ter um resultado positivo. Cabe ao gestor fazer essa auditoria severa nas contas públicas, reunir profissionais altamente competentes que tenham a capacidade de iniciar e terminar essa obra para o bem da cidade de Joinville.

Qual é a sua proposta para a licitação do transporte coletivo em Joinville? Tem propostas para reduzir a tarifa?

É uma questão de urgência do nosso governo fazer a licitação do transporte público coletivo. E mais, esse transporte chamado de integrado está superado, obsoleto. Ele já não contempla mais a necessidade dos joinvilenses. Eu quero implantar o transporte que tinha chamado de pega fácil ou de ligeirinho, que circula rapidamente em toda a cidade por um preço bom, uma qualidade de transporte muito boa. Vamos fazer a licitação para que tenha competitividade, para que o preço seja muito barato e seja uma qualidade boa e eficiente para a nossa população.

Entrevista foi transmitida pelo programa Balanço Geral – Foto: Juliane Guerreiro/NDEntrevista foi transmitida pelo programa Balanço Geral – Foto: Juliane Guerreiro/ND

Joinville estará, no início de 2021, ainda em cenário de pandemia. Como pretende aquecer a economia da cidade? 

A economia da cidade não pode parar por conta de uma catástrofe, de uma pandemia. Esse mal é terrível, letal, nós sabemos disso, e tem que fazer duas ações paralelas: dar boas condições ao servidor público de estar num local seguro e de atender bem a população. As testagens, por exemplo, têm que ser feitas rapidamente para que a população possa se livrar desse mal o quanto antes ou, tendo todo cuidado possível, até a chegada de uma vacina.

No entanto, eu quero ressaltar que o gestor público tem que cuidar da saúde e da população. Mas ele tem que cuidar muito bem da saúde financeira do município. Não pode deixar que a pandemia possa trancar a empresa de alguém, deixar de funcionar, deixar de um empreendedor abrir seu novo negócio. Volto a dizer, cuidar muito bem da saúde da população e cuidar da saúde financeira do município. Eu defendo a liberdade econômica.

Por que o eleitor joinvilense deve votar em você?

Eu quero dizer, com muito respeito e humildade, que eu peço o voto e gostaria da confiança de todos os joinvilenses. A minha vida é interagindo e atuando em associações de moradores, conselho de saúde, conselho de segurança. Eu fui vereador muito atuante, fazendo gabinete de bairro, atendendo de porta em porta, presidindo várias comissões temáticas em diversos setores, como a comissão de saúde.

Por esse fato, eu me sinto preparado. A minha formação acadêmica é na gestão pública e eu tenho o desejo de governar para todas as pessoas. Por isso, eu me sinto preparado e peço, humildemente, o voto no 27.

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