PSL revela por que Moisés abandonou o próprio partido

Presidente da sigla diz que governador não conhecia nem os vereadores e acredita que o processo de impeachment atrapalhou as eleições do ano passado

Foto de Paulo Rolemberg

Paulo Rolemberg Florianópolis

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Um casal que morava na mesma casa, mas não dormia na mesma cama. Foi assim que o presidente estadual do PSL, deputado federal Fábio Schiochet, definiu a relação do partido com o governador Carlos Moisés, que no último sábado (10) anunciou a saída da sigla.

Moisés anunciou desfiliação em reunião neste sábado em Florianópolis – Foto: Divulgação/NDMoisés anunciou desfiliação em reunião neste sábado em Florianópolis – Foto: Divulgação/ND

A desfiliação era esperada pela cúpula partidária no Estado desde novembro do ano passado, após a absolvição no primeiro processo de impeachment.

Schiochet não escondeu que existia um distanciamento do governador  com o partido e ficou evidente no próprio evento ocorrido no sábado com a presença de vereadores do PSL.

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“O governador não conhecia nem os vereadores do partido. Estavam todos com crachá para identificar o nome de cada um”, comentou.

Moisés não avisou

O presidente do PSL em Santa Catarina lamentou que o governador não  tenha expressado, diretamente, para ele a saída do partido. “Considero Moisés grande amigo meu, mas em nenhum momento ele falou: estou saindo do partido”, disse.

Apesar de evitar críticas ao governador, Schiochet foi enfático ao afirmar que a presença de Carlos Moisés no partido acabou atrapalhando o PSL  nas eleições municipais no ano passado.

Na época, o governador  enfrentava o processo de julgamento do primeiro impeachment e a Assembleia Legislativa autorizava a abertura do segundo processo pela compra irregular de 200 respiradores.

“Atrapalhou mais que ajudou”, frisou. O PSL catarinense deve continuar com apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). “Fomos eleitos  tendo o presidente Bolsonaro como cabo eleitoral, inclusive o próprio governador. A maioria do partido segue a cartilha do Bolsonaro”, reforçou o deputado federal.

“O importante agora é manter o partido unido”, finalizou ao lembrar que, atualmente, o PSL catarinense tem quatro deputados federais, cinco  deputados estaduais, 17 prefeitos e 143 vereadores.

Três alas

Para o deputado estadual Felipe Estevão, da bancada do PSL na Alesc, desde os primeiros meses do mandato, Carlos Moisés abandonou as suas bandeiras de campanha. “Como também abandonou o próprio partido”, comentou.

Estevão apontou que o partido está dividido em três alas: os que estão com o presidente do partido; os que estão com o governador e aqueles que estão com Bolsonaro. Ele prevê a saída de deputados bolsonaristas do partido.

Saída oficial deve ser confirmada nesta semana

Carlos Moisés deve oficializar a saída do PSL no início desta semana. O governador informou que ficará sem partido pelos próximos meses. A medida, conforme Moisés, tem o objetivo de garantir foco total na administração do Estado.

“O momento exige dedicação exclusiva para que possamos superar de vez
a pandemia, acelerando ainda mais a vacinação, e garantir a continuidade do crescimento econômico em Santa Catarina”, afirmou.

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