Putin sinaliza negociação mas quer que tropas ucranianas derrubem o presidente do país

Presidente russo anunciou nesta sexta (25), por meio de porta-voz, a condição para negociar com a delegação ucraniana; radiação de Chernobyl aumenta após invasão da Rússia

Julia de Araujo Florianópolis

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Em meio a invasão da Rússia à capital da Ucrânia, Kiev, nesta sexta-feira (25), o presidente russo Vladmir Putin abre brecha para negociação entre os países e incentiva tropas ucranianas a tomarem o poder.

Soldados das tropas ucranianas perdem a vida defendendo a capital do país – Foto: Sergei Supinsky/AFP/NDSoldados das tropas ucranianas perdem a vida defendendo a capital do país – Foto: Sergei Supinsky/AFP/ND

O porta-voz russo, Dmitri Peskov, anunciou que Putin quer enviar uma delegação russa para Minsk, capital da Bielorrússia, que liga a Rússia e a Ucrânia. Porém, a condição de paz é a rendição do exército ucraniano.

“Putin está disposto a enviar uma delegação russa de alto nível para Minsk para negociações com uma delegação ucraniana”, disse Peskov a agências russas de notícias.

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O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, declarou que tenta um acordo com Putin desde antes do início da invasão russa. Segundo informações da AFP (Agence France-Presse), essa é a primeira vez, desde o início das invasões, que Putin abre diálogo com possibilidade de negociação.

Vladimir Putin deu uma declaração polêmica ao exército ucraniano, incentivando-o a “tomar o poder” na cidade de Kiev e, derrubar o presidente ucraniano Volodimir Zelenski junto com demais autoridades do país, que ele chamou de “neonazistas e viciados em drogas”.

“Tomem o poder em suas mãos. Acho que vai ser mais fácil negociar entre vocês e eu”, disse Putin ao exército ucraniano em um discurso na televisão russa.

O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Yves Le Drian, ofereceu, nesta sexta-feira (25), ajuda ao presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky , durante a transmissão da rádio France Inter.

“A segurança do presidente Zelensky é um elemento central neste momento, estamos em condições de ajudá-lo se necessário. É importante que ele mantenha sua posição”, disse o representante francês.

Radiação em Chernobyl aumenta após chegada de tropas russas

O governo ucraniano anunciou nesta sexta-feira (25) que após a invasão dos militares russos à cidade de Chernobyl, foram registrados dados preocupantes de radiação na usina nuclear que está desativada, porém ainda contaminada.

“Houve um aumento nos indicadores acima dos níveis de controle às 03h20 (22h20 de quinta-feira no horário de Brasília)”, informou à AFP o vice-diretor do departamento ucraniano para questões de segurança em instalações nucleares, Alexander Grigorach.

O porta-voz da Ucrânia acrescentou que garantir a segurança da usina é uma forma de “garantia que as formações nacionalistas ou outras organizações terroristas não poderão usar a situação do país para organizar uma provocação nuclear”.

O parlamento do país não tem mais detalhes sobre o aumento da radiação, pois os funcionários de monitoramento foram evacuados e apenas o sistema de monitoramento continua dando informações sobre a radiação no local.

Invasão da capital ucraniana

O exército russo invadiu a capital da Ucrânia com tanques que circulam por bairros da cidade atacando os civis. Os líderes políticos e militares ucranianos trabalham com um cenário de invasão de Kiev ainda nesta sexta. O cerco à capital é cada vez maior.

Veículos militares ucranianos passando pela rua da Independência em Kiev – Foto: Daniel Leal/AFP/NDVeículos militares ucranianos passando pela rua da Independência em Kiev – Foto: Daniel Leal/AFP/ND

Segundo um correspondente da agência francesa France-Presse, explosões e tiros foram registrados no bairro de Obolonsky, no norte de Kiev. Moradores correram para buscar proteção quando ouviram as explosões.

Durante a madrugada, autoridades ucranianas confirmaram enfrentamentos com unidades blindadas russas nas cidades de Dymer e Ivankiv, localizadas a 45 e 80 quilômetros ao norte de Kiev, respectivamente. Na tentativa de atrasar o avanço das tropas russas, militares ucranianos explodiram uma ponte sobre o Rio Teteriv, em Ivankiv, informou a CNN.

A vice-ministra da Defesa da Ucrânia, Hanna Maliar, declarou que mais de 800 militares russos foram derrubados durante a tentativa de invasão realizada pelo país vizinho desde esta quinta-feira (24). As informações são do portal R7.

Sete aviões militares, seis helicópteros, 30 tanques e 130 veículos blindados de combate também foram destruídos durante os conflitos entre as tropas russas e ucranianas.

Razões do conflito

O presidente russo justificou a entrada militar na Ucrânia pela necessidade de eliminar elementos de tendência nazista nas cidades ucranianas que fazem fronteira com a Rússia.

Segundo ele, estes grupos estariam cometendo um genocídio contra a população russófona, porém, nenhuma prova foi apresentada comprovando a declaração de Putin.

“O presidente Putin tomou a decisão por esta operação militar especial para desmilitarizar e desnazificar a Ucrânia para que, livres dessa opressão, os ucranianos possam escolher livremente seu futuro”, afirmou o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov.