Quanto custa um deputado federal?

Deputados federais custam mais de R$ 30 milhões por ano aos cofres públicos. Gastos para manter gabinetes cresce 25% no último ano; transporte impulsiona aumento nas despesas

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Quanto
custam
os Deputados Federais Catarinenses?

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foi o custo em 2021 aos cofres públicos
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em média por parlamentar em SC

Os deputados federais de Santa Catarina custaram mais de R$ 30,7 milhões aos cofres públicos no ano de 2021, o que representa uma média de R$ 1,9 milhão por parlamentar. A despesa engloba o custeio das atividades do deputado e toda a assessoria e equipes que compõem os gabinetes.

Além da remuneração mensal de R$ 33.763,00, cada deputado federal tem direito a 18 tipos de verbas agrupadas em 4 categorias principais: a cota parlamentar, a verba de gabinete, o auxílio-moradia e a cota para viagens oficiais.

Dos diversos tipos de verbas recebidas para o exercício do mandato, a cota parlamentar chama a atenção pela discrepância de gastos: o deputado que mais gastou dinheiro para exercer o mandato consumiu oito vezes mais recursos do que o deputado que menos gastou – o que levanta o debate sobre economia e eficiência na gestão do dinheiro público.

COTA PARLAMENTAR

Os limites de gastos são definidos pelos próprios parlamentares com base no orçamento anual.

Os 16 deputados federais catarinenses gastaram R$ 4,4 milhões da cota parlamentar em 2021. O valor é 25% maior do que a quantia gasta em 2020,  que contabilizou R$ 3,5 milhões.

2020
R$ 3.5 MILHÕES
2021
R$ 4.5 MILHÕES

O QUE É COTA PARLAMENTAR?

A Cota para o Exercício da Atividade Parlamentar custeia as despesas do mandato. Dos 14 tipos de gastos, 5 estão relacionados com transporte e representam a maior fatia das despesas. Ao longo de 2021, os deputados gastaram R$ 2,4 milhões em transporte, o que corresponde a 55% do total gasto.

O valor da cota muda de Estado para Estado porque depende do preço das passagens aéreas até Brasília. No caso de Santa Catarina, cada deputado federal teve o teto de R$ 39.877,78 por mês em 2021, o que somou o limite de R$ 478.533,36 anual.

Diferente de 2020, primeiro ano da pandemia, em que a maioria das sessões ocorreram de forma remota, 2021 teve a retomada das sessões presenciais, o que ajudou a impulsionar as despesas com passagens aéreas nos deslocamentos de Santa Catarina à Brasília. Os voos consumiram R$ 974 mil dos cofres públicos em 2021. A segunda maior despesa dos deputados foi com aluguel de veículos. Os parlamentares gastaram R$ 808 mil com locação.

Também em 2021, o preço dos combustíveis sofreu altas sucessivas e fechou o ano no valor médio de R$ 6,61, conforme a ANP (Agência Nacional do Petróleo). O custo para abastecer os veículos foi a terceira maior despesa e contabilizou R$ 699 mil no ano. O valor é suficiente para encher tanques com 105 mil litros de gasolina. Considerando carros com quilometragem média de 13,5 km/l e que uma volta à terra tem 43 mil quilômetros, os deputados abasteceram os veículos o suficiente para dar 33,7 voltas no Planeta Terra.

PASSAGENS AÉREAS

Os mais gastões passaram o ano voando; parlamentar chega a contabilizar 33 voos num mesmo mês

O deputado Daniel Freitas (PL) lidera o ranking dos gastos com passagens aéreas. Conforme dados do Portal da Transparência da Câmara dos Deputados, o parlamentar consumiu R$ 117 mil em voos. Março de 2021 registrou o maior gasto com 33 bilhetes de avião emitidos, que contabilizaram R$ 24,6 mil no mês. O deputado Rodrigo Coelho (Podemos) contabilizou a segunda maior despesa com passagens que somaram R$ 107,6 mil. Na sequência aparece Fabio Schiochet (União) com o somatório de R$ 95, 5 mil.

Maiores gastadores em 2021

DANIEL FREITAS (PL)

R$ 117 MIL

RODRIGO COELHO (Podemos)

R$ 107,6 MIL

R$
0
TOTAL GASTO COM PASSAGENS AÉREAS EM 2021

ALUGUEL DE CARROS

Carros viram objeto de ostentação com dinheiro público Deputados locam carros de luxo para ficar à disposição o ano todo – incluindo recessos e feriados

O deputado Fábio Schiochet (União) apresenta a maior despesa com aluguel de veículos. São dois modelos novos de carros de luxo locados para ficar à disposição do deputado durante 12 meses, inclusive nos períodos de recesso parlamentar e feriados. O aluguel de um Toyota Corolla custou R$ 4,2 mil por mês e por um Ford Fusion, foram pagos R$ 4,9 mil ao mês. Depois de Schiochet, os deputados Hélio Costa (Republicanos) e Daniel Freitas (PL) apresentaram as maiores despesas com R$ 90.9 mil  e 75.8 mil, respectivamente. Os dois também mantiveram carros de luxo e modelos SUV à disposição durante períodos que incluem recessos e feriados. Por outro lado, dois deputados economizaram recursos e não alugaram veículos: Rodrigo Coelho (Podemos) e Gilson Marques (Novo). A menor despesa com aluguel foi do deputado Coronel Armando (União) que locou um Hyundai HB20 durante o mês de julho e gastou R$ 3.154,33.

Maiores gastadores em 2021

FÁBIO SCHIOCHET (UNIÃO)

R$ 105.600 mil

HÉLIO COSTA (REPUBLICANOS)

R$ 90,9 MIL

DANIEL FREITAS (PL)

R$ 75,8 MIL

R$
0
TOTAL GASTO COM ALUGUEL DE CARROS EM 2021

COMBUSTÍVEL

Deputados gastam em média R$ 3,6 mil por mês para manter tanques de gasolina cheios

Os deputados federais gastaram R$ 699 mil com combustíveis, o que representa a média de R$ 3,6 mil mensal por parlamentar.  O deputado Pedro Uczai (PT) apresentou a maior despesa com combustíveis com a soma de R$ 64,1 mil em 2021. Uczai gastou cerca de R$ 5,4 mil ao mês para abastecer veículos, o que corresponde a cerca de 800 litros de gasolina por mês e 26 litros por dia. Nesse cenário, o deputado precisa ter rodado 350 quilômetros todos os dias para gastar todo o combustível. Na prestação de contas apresentada pelo parlamentar, todos os meses há notas para um posto de combustível de Chapecó, no Oeste. No mês de agosto de 2021, o parlamentar abasteceu 1.108 litros no local, o que contabilizou R$ 6,2 mil em consumo de diesel e gasolina. Não há informações na nota fiscal sobre a entrega do combustível, se ocorreu na mesma data e se houve distribuição para mais de um veículo. Para consumir todo o combustível abastecido no posto no mês de agosto, o deputado precisa ter passado todos os 30 dias do mês com o carro em deslocamento, durante 8 horas ininterruptas, incluindo sábados e domingos. Depois de Uczai, as maiores despesas são de Fabio Schiochet (União) e Geovania de Sá (PSDB).

R$ 3.600/MÊS

é a média de gastos dos Deputados em 2021

Maiores gastadores em 2021

PEDRO UCZAI (PT)

R$ 64,1 MIL

FÁBIO SCHIOCHET (UNIÃO)

R$ 60,7 MIL

R$
0
TOTAL GASTO COM COMBUSTÍVEL EM 2021

DIVULGAÇÃO

Dinheiro público para potencializar redes sociais

Os deputados federais catarinenses gastaram um total de R$ 591,4 mil em divulgação no ano de 2021. A despesa é dividida entre 14 dos 16 deputados, sendo que Daniel Freitas (União) e Caroline de Toni (União) não utilizaram verbas para esse serviço. O deputado com maior gasto é Darci de Matos (PSD), que utilizou R$ 111,6 mil no ano. Foram gastos de R$ 8,4 mil a R$ 10,4 mil por mês em serviços de comunicação digital e produção/curadoria de conteúdos para redes sociais do parlamentar. Prática reproduzida, em menores valores, pela maioria dos outros deputados.

Maiores gastadores em 2021

DARCI DE MATOS (PSD)

R$ 111,6 MIL

PEDRO UCZAI (PT)

R$ 88,6 MIL

R$
0
TOTAL GASTO COM DIVULGAÇÃO EM 2021

CONSULTORIA

Serviços de consultoria também estão na lista dos principais gastos

A maioria dos deputados federais de Santa Catarina fez uso de recursos da cota parlamentar para serviços de consultoria, pesquisas e trabalho técnico – destinados a apoios na criação e estratégias sobre projetos na Casa. No total, 10 dos 16 parlamentares gastaram R$ 510 mil nesse tipo de serviço em 2021. Os gastos anuais por deputado variam, como no caso de Celso Maldaner (MDB), que utilizou R$ 3,8 mil ao longo de todo o ano, até os R$ 141,6 mil gastos pelo deputado Pedro Uczai (PT), que foi o ‘campeão’ de gastos nesse tipo de serviço, tendo contratado equipes técnicas em quase todos os meses de 2021.

Maiores gastadores em 2021

PEDRO UCZAI (PT)

R$ 141,6 MIL

FABIO SCHIOCHET (UNIÃO)

R$ 134,1 MIL

R$
0
TOTAL GASTO COM CONSULTORIA EM 2021

VEJA O RANKING

O QUE DIZEM OS DEPUTADOS:

A equipe de cada deputado recebeu o espaço padrão de até 400 caracteres para falar sobre as despesas e produtividade. Cada deputado foi informado do total atingido em cota parlamentar conforme os dados do Portal da Transparência e a informação de qual despesa predominou no levantamento. Três parlamentares não responderam ao questionamento: Geovânia de Sá (PSDB), Ricardo Guidi (PSD) e Rogério Peninha Mendonça (MDB). Também houve casos de deputados que questionaram o levantamento e a informação de gastos obtida no Portal da Transparência. É o caso da equipe de Ângela Amin (PP). Entre os outros 12 deputados que responderam aos questionamento, a maioria extrapolou o tamanho da resposta e teve a resposta cortada para ocupar o mesmo tamanho dos demais.

Ângela Amin (PP)


De acordo com o Núcleo de Controle da Atividade Parlamentar, o gasto anual com locação de veículo da deputada Ângela Amin em 2021 foi de R$62.400 em SC e R$ 16.000 em Brasília. Bem diferente, portanto, do número apresentado. Os valores são os habituais e “verás” que em Brasília por causa da atividade parlamentar estar mais remota, o valor foi infinitamente menor.

Carlos Chiodini (MDB)

Na condição de único catarinense presidente de uma Comissão na Câmara dos Deputados, a de Viação e Transportes – CVT, durante todo o ano de 2021, houve a necessidade de estar em Brasília todas as semanas para conduzir os trabalhos, mesmo nos períodos de sessões remotas. A CVT realizou 72 reuniões, sendo audiências públicas; reuniões com ministro; mesas redondas; seminários e reuniões deliberativas.

Carmen Zanotto (Cidadania)

Como parlamentar da Saúde atuei intensamente nas ações de combate à pandemia. Estive em Brasília de forma presencial, inclusive nos períodos de recesso. Na busca de vacinas, medicamentos para intubação e habilitações de leitos de UTI. Em dezembro garantimos o credenciamento de serviços como a radioterapia de Itajaí e outros recursos. Que resultou em mais de R$ 27 milhões aos cofres de Santa Catarina.

Caroline de Toni (União)


O uso de dinheiro público, em todas as esferas, deve ser tratado com responsabilidade e eficiência. Desde a campanha, quando não usei recursos do Fundo Eleitoral, percebi a preocupação da população e logo abri mão de várias regalias como o auxílio mudança, o plano de saúde e de aposentadoria especial. Sigo no intuito de fazer o melhor, me manter atuante e presente em Santa Catarina, aplicando o dinheiro público de forma eficiente.

Celso Maldaner (MDB):


Os gastos com as passagens aéreas não representam o valor real, e as mesmas se fazem necessárias porque é o traslado para o deputado sair de Chapecó e ir até Brasília.

Coronel Armando (União)

Nosso mandato busca aliar economia e eficiência. Em 2021 economizamos 66,71% da cota parlamentar; R$ 273 mil não foram utilizados. Abri mão de serviços não essenciais, como auxílioalimentação, aluguel de carro e imóvel funcional. Só ressarcimos aluguel de um escritório em Joinville, hospedagem e gasolina em viagens e passagens aéreas, pois, mesmo com a pandemia, temos trabalho em Brasília e, infelizmente, o aumento das passagens aéreas e de combustíveis refletiu nas despesas.

Daniel Freitas (PL)

Todos os gastos são feitos de forma transparente e a serviço de Santa Catarina e de todos os catarinenses. Temos um Estado com 295 municípios, onde atuo de forma ampla, sempre em roteiro levando recursos ou conferindoas demandas de perto. Todo o gasto da cota é usado dentro dos critérios técnicos e conforme as normas estabelecidas. Nestes três anos de mandato já viabilizei e encaminhei cerca de R$ 100 milhões através de emendas parlamentares e recursos extra

Darci de Matos (PSD):

O uso da cota parlamentar é algo legítimo e de uso restrito ao mandato do parlamentar. Sendo ela responsável por dar publicidade aos atos do mandato e suporte para que possa trabalhar em defesa das necessidades e dos pleitos da população catarinense. Trabalho semanalmente presencial em Brasília, nos dias de sessão plenária e em reuniões de comissão. Além de diversas agendas em Ministérios e órgãos do governo.

Fabio Schiochet (União)

Na utilização das verbas de gabinete, procuramos estar rigorosamente adequados às rubricas e suas circunstâncias legais. Tendo como filosofia ser um deputado municipalista, entendo como fundamental a visita aos municípios, sendo que em 2021 visitamos 209 cidades catarinenses e percorremos 137 mil kms para conhecer as suas necessidades em áreas fundamentais como saúde, educação, agricultura, infraestrutura urbana, segurança pública e assistência social.

Gilson Marques (Novo)

Renunciei a todos os privilégios do cargo e utilizo apenas o necessário para fazer a minha função. Dos R$ 440 mil disponíveis, meu gabinete utilizou cerca de R$ 50 mil. Estes cortes já resultaram numa economia de mais de R$ 4 milhões até agora, me tornando o parlamentar mais econômico da história de SC. Se o Congresso gastasse menos, poderia cobrar menos impostos da população.

Hélio Costa (Republicanos)

Nossas ações sempre primaram pela economicidade. No primeiro ano (2019), gastamos aproximadamente R$ 328 mil e no ano seguinte (2020) o custo foi reduzido para R$ 221 mil, apresentando uma redução de quase 40%. Já em 2022, o aumento ocorreu por vários fatores que em muito se justificam pela conjuntura econômica. A consultoria, por exemplo, foi uma necessidade que se impôs em virtude da pandemia, denotando acúmulo de ações que não haviam sido enfrentadas até então.

Rodrigo Coelho (Podemos)

Sempre zelei pelo bom uso do dinheiro público, sendo um dos parlamentares catarinenses mais econômicos. Fui premiado pelo Ranking dos Políticos como o melhor deputado do Brasil em 2021, grande parte pela transparência das ações, respeito ao dinheiro público e combate à corrupção e os privilégios. Mesmo em plena pandemia, seguimos com o trabalho, enviando recursos para quase 200 cidades catarinenses.

Pedro Uczai (PT)

O princípio da transparência sobre a aplicação dos recursos públicos que estão sob gestão de agentes públicos está garantido naConstituição Federal e regulamentado em lei ordinária. Portanto, sempre é salutar, talvez um dever, a imprensa contribuir com a boa informação sobre como os agentes públicos fazem a gestão dos recursos. Todos os gastos da cota parlamentar do gabinete do deputado federal Pedro Uczai estão dentro da lei e das regras/ normas determinadas pela mesa diretora e presidência da Câmara dos Deputados.

NÃO RESPONDERAM

Três parlamentares não responderam ao questionamento: Geovânia de Sá (PSDB), Ricardo Guidi (PSD) e Rogério Peninha Mendonça (MDB).

Quanto custam os senadores catarinenses?

Os três representantes de Santa Catarina no Senado usaram R$ 877 mil somente para despesas com o exercício do mandato em 2021 A maior parte dos custos diz respeito a transporte, despesas de gabinete, consultoria e segurança

VEJA COMPLETO

Veja a eficiência de cada parlamentar catarinense

Confira o quanto eles produziram, as presenças nas sessões deliberativas e o valor trazido por cada um para o Estado em emendas
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