Quem é golpista?

O ministro Edson Fachin, por exemplo, proibiu os voos de helicóptero da polícia sobre as favelas do Rio de Janeiro

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O líder do governo na Câmara, deputado Ricardo Barros, disse que “vai chegar uma hora” em que as decisões judiciais não serão cumpridas pelo Executivo. Para o editorial do Estadão, isso constitui “ameaça explícita de desobediência civil”.

Plenário da Câmara dos Deputados – Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados/NDPlenário da Câmara dos Deputados – Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados/ND

Diz o jornal: “É um padrão bolsonarista. Esse desafio à ordem constitucional, de clara natureza golpista, é parte do processo de deterioração da democracia deflagrado por Bolsonaro desde sua posse.

Ao avisarem que não pretendem acatar ordens judiciais, a não ser as que considerem ‘fundamentadas’, os bolsonaristas expõem com clareza sua estratégia de desmoralizar as instituições da República para submetê-las a seus propósitos liberticidas”.

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O editorial parece escrito em outro país qualquer que não o Brasil, onde o Poder Judiciário tem sido o primeiro a desmoralizar as instituições da República ao promover um ativismo abjeto e rasgar a Constituição com enorme frequência.

A análise precisa do jornalista J.R. Guzzo, em coluna na Gazeta do Povo, contrasta com uma narrativa claramente de oposição, que força a barra para demonizar o atual governo.

Guzzo abre colocando os pingos nos is e resgatando alguns exemplos, entre tantos, de ações absurdas do STF, que “funciona cada vez mais abertamente como o principal protetor do crime no Brasil — e tem cada vez menos interesse em disfarçar o que está fazendo”.

O ministro Edson Fachin, por exemplo, proibiu os voos de helicóptero da polícia sobre as favelas do Rio de Janeiro: “o único direito que ficou garantido, no caso, foi o dos criminosos, que agora estão protegidos de ações policiais capazes de revelar suas posições no território que ocupam”.

Além disso, o ministro Marco Aurélio soltou um dos maiores traficantes de droga do país; o homem fugiu no ato, e nunca mais foi encontrado. O ministro Gilmar Mendes é o rei da soltura, e a ministra Rosa Weber deu ao governador do Amazonas, Wilson Lima, o privilégio de não ser interrogado na CPI circense, que o gabinete paralelo do lulismo comanda. Qualquer pessoa séria e atenta já percebeu que é a atual composição do nosso STF que mais ameaça nossos pilares republicanos, bastante frágeis.

Vale o arbítrio, o voluntarismo, o casuísmo. Mas quem só pensa em derrubar Bolsonaro “passa pano” até para essa suprema ameaça, enquanto tenta levar a sério uma CPI ridícula e com a relatoria de Renan Calheiros. Para atingir Bolsonaro, vale tudo. Nossa imprensa em geral é cúmplice desse establishment podre.

Eis o que está cristalino para grande parcela do povo que enxerga com mais clareza os fatos, por não sofrer de patologia antibolsonarista ou de abstinência da roubalheira petista: o “sistema” quer expelir Bolsonaro custe o que custar. E por isso criam uma narrativa de ameaça fascista fantasma vindo do atual governo, enquanto resgatam monstros do pântano como Renan Calheiros e até mesmo Lula.