Reflexão sobre as greves em tempos de hoje

Movimento grevista de servidores de Criciúma remete a uma reflexão sobre o potencial dos movimentos paredistas nos tempos do domínio da tecnologia

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Os movimentos paredistas como instrumento de pressão sempre existiram e em outros tempos foram muito eficientes. Nos dias atuais, o cenário já não é mais o mesmo. Uma greve, mesmo que geral, não consegue paralisar a maioria dos setores.

Decisões de greve como a do Sindicato dos Servidores de Criciúma estão cada vez menos frequentes. – Foto: Divulgação/NDDecisões de greve como a do Sindicato dos Servidores de Criciúma estão cada vez menos frequentes. – Foto: Divulgação/ND

Esta reflexão vem a partir da greve deflagrada pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municiais de Criciúma, na última quinta-feira (25). Apesar de, a princípio, ter conseguido parar apenas o Parque de Máquinas, não parou as obras, pois a maioria delas, atualmente, são terceirizadas.

Na área administrativa, também não houve significativo prejuízo aos contribuintes, pois além de ter sido parcial, a greve sofre vazamentos, porque as pessoas conseguem fazer tudo de forma remota se houver alguma redução no serviço físico. Mesmo que o acesso ao prédio viesse a ser impedido, o que não aconteceu por força policial, os servidores poderiam acessar remotamente o sistema.

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Desta forma, foi-se o tempo em que uma greve de servidores parava tudo. Tomo, por exemplo, a greve dos bancos, que quando ocorria parava o país. Hoje, elas nem acontecem mais, já que o grande percentual de serviços é feito de foram virtual.

Emenda-se a este raciocínio, ainda, o fator da separação dos setores por categoria e a absoluta falta de sentimento coletivo nas corporações. Uma vez atendida a sua reivindicação o trabalhador tende a rejeitar a convocação sindical, por exemplo. Foi o que aconteceu em Criciúma, onde o governo atendeu a classe do magistério e sem ela dificilmente uma greve neste campo próspera.

Nem alcancei ainda o raciocínio do quanto as entidades sindicais ficaram fragilizadas por uma série de fatores, que vão desde o histórico desagradável em algumas categorias, a reforma trabalhista que as excluiu como representante legítimo do interesse coletivo ao fato que associou os movimentos ao quadro político partidário. Em Santa Catarina, isso é numericamente explicado.

Criciúma já foi considerado o berço do sindicalismo laboral em Santa Catarina, hoje vê frágil um movimento de greve dos servidores públicos municipais.

Ponto critico favorável aos servidores como em Criciúma, atualmente, são as creches. Estas paradas impactam em vários setores e a maioria dos trabalhadores deste setor não estão enquadrados no magistério.