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Reforço policial, choro da mãe e ‘fuga’ da votação: os bastidores da cassação de Maikon Costa

Vereadores de Florianópolis somaram 17 votos favoráveis a cassação de Maikon Costa (PL), na sessão desta segunda-feira que durou mais de quatro horas

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Recheada de articulações desde a última semana, a sessão desta segunda-feira (4) foi marcada por muita tensão desde o acesso à Câmara de Vereadores de Florianópolis.

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    Maikon Costa (PL) desliga seu computador; vereador cassado em Florianópolis - Diogo de Souza/ND
    Maikon Costa (PL) desliga seu computador; vereador cassado em Florianópolis - Diogo de Souza/ND
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    Placar da votação do parecer pela cassação de Maikon Costa (PL) - Diogo de Souza/ND
    Placar da votação do parecer pela cassação de Maikon Costa (PL) - Diogo de Souza/ND
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    Galeria do plenário da Câmara de Vereadores ocupada por apoiadores de Maikon Costa - Diogo de Souza/ND
    Galeria do plenário da Câmara de Vereadores ocupada por apoiadores de Maikon Costa - Diogo de Souza/ND

Ao menos cinco viaturas da Guarda Municipal cercaram a Casa Legislativa com o efetivo distribuído pelos corredores. O acesso às galerias esteve limitado ao longo da sessão com mais de quatro horas de duração.

O vereador denunciado, Maikon Costa (PL), chegou com um colete com a seguinte frase: “fiscalizando o município”.

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Visivelmente acuado e intervindo a cada fala dos demais vereadores, Maikon Costa contava com a maior parte do apoio dos presentes nas galerias.

A mãe do vereador, em mais de uma oportunidade, chorou em meio às falas do filho.

Costa usou seu espaço de defesa – 60 minutos distribuídos entre ele e a advogada – para disparar acusações, sobretudo, endereçadas a vereadora Pri Fernandes (Podemos), a qual chamou de “corrupta” em mais de uma oportunidade.

Maikon Costa, que sempre se mostrou orgulhoso de oferecer oposição ao governo Topázio Neto, também divulgou supostos áudios em que o Executivo é acusado de ilegalidades na contratação de uma empresa para operar o sistema de estacionamento rotativo.

Outro ponto que chamou a atenção foi a ausência do líder do governo, Renato da Farmácia (PSDB), que registrou presença no início da sessão, mas se ausentou logo que o parecer começou a ser lido.

Segundo repassado à Coluna Bom Dia, ao ser questionado – informalmente – sobre o seu voto, respondeu que pouco importava já que ele iria “fugir” e não estar presente na hora da votação.

O indicativo do vereador, inclusive, já tinha sido destaque na Coluna Bom Dia já que ele se mostrava contrário a ideia de vereadores cassarem vereadores. “Quem tem que cassar é o povo”, alegou, na ocasião.

Se faltou contundência na denúncia pela quebra de decoro parlamentar por parte de Maikon, sobraram episódios controversos ao longo de sua trajetória na Câmara de Vereadores.

O resumo, de alguma forma, pode ser constatado na fala da vereadora Carla Ayres (PT), a mais contundente da noite:

“Independente do resultado dessa votação, meu entendimento desse afastamento é por segurança de todos os funcionários e assessorias, principalmente das mulheres desta casa [Legislativa], que se sentem ameaçadas com todas essas atitudes. […] É um basta a uma cesta recheada de posturas que afrontam nosso decoro, constantemente, diariamente”, discursou Carla Ayres (PT), ao justificar seu voto pela cassação de Maikon Costa (PL).

Essa foi a linha que conduziu a saída de Maikon Costa com 17 votos favoráveis e 4 votos contrários – além de uma ausência.

Suplente de Maikon Costa

Com a cassação consolidada e publicada no Diário Oficial do Município – até às 21h54 o documento ainda não havia sido disponibilizado – a substituição de Maikon Costa deverá consolidada também no TRE (Tribunal Regional Eleitoral), nesta terça-feira.

Com as devidas formalizações o futuro vereador Bruno Becker já será empossado na sessão ordinária agendada para às 16h.

Recurso de Maikon Costa

O vereador Maikon Costa, em mais de uma oportunidade, adotou uma fala de “derrota”. Ele também manifestou não saber sobre o recurso e, juntamente com a advogada, iria analisar a possibilidade de ingressar judicialmente para anular a decisão do plenário.