Reforma da Previdência exigirá mais dois anos de trabalho dos servidores de Florianópolis

Cálculo foi apresentado pelo presidente do Ipref, Luís Fabiano Giannini, em entrevista ao jornal ND sobre as mudanças e a necessidade da reforma da Previdência em Florianópolis

Foto de Nícolas Horácio

Nícolas Horácio Florianópolis

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A equipe do prefeito Topazio Neto (PSD) envia nesta terça-feira (11), à Câmara dos Vereadores de Florianópolis, dois projetos para viabilizar a reforma da Previdência voltada aos servidores públicos municipais.

Luís Fabiano Giannini explica o que está em jogo com a reforma da previdênciaLuís Fabiano Giannini explica o que está em jogo com a reforma da previdência – Foto: Germano Rorato/ND

Presidente do Ipref (Instituto de Previdência de Florianópolis), Luís Fabiano Giannini explica o que está em jogo caso a reforma não avance e, em linhas gerais, o que muda para os servidores ativos e inativos, se os textos forem aprovados. Segundo ele, os trabalhadores ficarão dois anos a mais trabalhando, em média.

A medida também aumenta o volume de contribuintes aposentados, tornando isentos apenas quem recebe até dois salários mínimos.

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ND: Qual a importância da aprovação da reforma da Previdência?

Luís Giannini: Temos um déficit atuarial de R$ 8 bilhões, ou seja, o que faltaria no fundo até pagarmos o último centavo ao último beneficiário das aposentadorias e pensões. E temos um déficit financeiro, ou seja, o quanto temos para pagar todo mês e o quanto arrecadamos, de R$ 10 milhões, resultando em R$ 130 milhões por ano para completar a folha dos aposentados.

Temos um problema técnico-financeiro muito grave, que precisa ser corrigido. Nenhum governo gostaria de fazer reforma da Previdência, porque é uma pauta muito sensível. Contudo, caso não seja feito nenhum movimento, esse número vai se tornar insustentável e teremos problemas para pagar os benefícios.

Topázio alerta sobre gastos e sugere reforma da Previdência – Foto: Nicolas Horácio/NDTopázio alerta sobre gastos e sugere reforma da Previdência – Foto: Nicolas Horácio/ND

ND: Qual é o risco que se corre, caso os projetos não sejam aprovados?

LG: Existe o CRP (Certificado de Regularidade Previdenciária) do Ministério da Previdência, demonstrando que o município cumpre as regras de Previdência. Florianópolis tem esse certificado por via judicial, mas caso não façamos a reforma, perderemos esse certificado e o município vai deixar de receber toda e qualquer verba voluntária da União e do Estado.

ND: Com a aprovação, em linhas gerais, o que muda?

LG: Importante frisar que a alíquota será mantida em 14%. A idade de aposentadoria será 65 anos para homens e 62 anos para mulheres. Nós aproveitamos a reforma da União. Não criamos regras. Em média, quem está no sistema vai levar por volta de dois anos a mais para se aposentar nas questões etárias.

Isso em relação aos 6.771 ativos. Outra questão importante é a taxação dos inativos. Hoje, os aposentados e pensionistas que ultrapassam R$ 8.157 em rendimentos pagam. O projeto amplia essa base contributiva para quem ganha acima de dois salários mínimos e até dois salários mínimos será isento.

A Reforma da Previdência trouxe importantes mudanças na aposentadoria – Foto: Canva/NDA Reforma da Previdência trouxe importantes mudanças na aposentadoria – Foto: Canva/ND

ND: Qual benefício para o servidor que está entrando e para os antigos?

LG: Poder se aposentar e receber os proventos de aposentadoria com tranquilidade. Hoje, há um risco eminente de faltar dinheiro para pagar aposentadorias e pensões. O que se busca é que não haja problema nenhum com o pagamento futuro.

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