Reinado de Charles III pode enfraquecer monarquia do Reino Unido; entenda os motivos

Após a morte de sua mãe, Elizabeth II, Charles se torna o rei do Reino Unido e passa a se chamar Charles III

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Ana Schoeller Florianópolis

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O príncipe Charles é agora rei do Reino Unido. O monarca assume a coroa após a morte de sua mãe, a rainha Elizabeth, nesta quinta-feira (8). Segundo o jornal The Guardian, o novo rei será Charles III. No entanto, seu reinado pode enfraquecer a monarquia do Reino Unido.

Novo reinado de Charles III pode trazer instabilidade à monarquia – Foto: AFP/Divulgação/NDNovo reinado de Charles III pode trazer instabilidade à monarquia – Foto: AFP/Divulgação/ND

De acordo com a analista de relações internacionais Ana Hoffmann, o enfraquecimento acontece por alguns fatores. O primeiro deles é que, após a perda de grandes líderes, é comum que haja um período de instabilidade.

“A  monarquia tem uma relação muito forte com a rainha (Elizabeth II). Ela é um símbolo conhecido por todos. Quando você perde um símbolo, um líder importante, você passa por um período de instabilidade. Ou seja, pessoas contestam e passam a duvidar do sistema. Sem o apoio popular, a monarquia pode deixar de existir”, analisa Hoffmann.

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A analista explica que quem mantém a coroa é a população, por meio de impostos. Por este motivo, em crises econômicas e políticas, as pessoas passam a contestar se querem continuar com o sistema.

Movimentos separatistas

O Reino Unido é uma união política de quatro países: Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte. É principalmente na Escócia que crescem os chamados “movimentos separatistas”, que querem se desvincular da coroa.

De acordo com Hoffmann, manter o reino unido e conter o movimento separatista é um dos grandes desafios do novo rei.

“Os movimentos separatistas da Escócia ficaram mais fortes com com a saída do Reino Unido da União Europeia (através do Brexit)”, explica.

A saída do Reino Unido da União Europeia foi determinada por meio de um referendo votado em 23 de junho de 2016 por 17,4 milhões de pessoas. Porém, foi só em janeiro de 2020, com o chamado Brexit, que o Reino Unido deixou de ser um Estado-Membro da União Europeia.

Improvável

Apesar de toda instabilidade, Hoffmann aponta que não impossível mas é improvável que o Reino Unido deixe de ser uma monarquia no curto e médio prazo.

“Tudo vai depender de como a população vai reagir a nova coroa, se os movimentos separatistas vão se fortalecer e causar as rupturas e se a crise econômica será contida”, pontua.

Há ainda quem apoie a monarquia. Segundo a analista isso acontece porque a família real é um símbolo nacional que atrai turistas e faz parte da identidade do Reino Unido.

Monarquia tem poder em outros países

Além dos países que compõem o Reino Unido, a monarquia tem interferência em outras nações, por mais que elas tenham um sistema político próprio. A coroa tem poderes como a dissolução do parlamento, anúncios de guerra e paz e acordos comerciais.

Além do Reino Unido, outros 14 países consideram o rei da Inglaterra como chefe de Estado:

  • Canadá,
  • Austrália,
  • Nova Zelândia,
  • Antigua,
  • Bahamas,
  • Belize,
  • Grenada,
  • Ilhas Salomão,
  • Jamaica,
  • Nova Guiné,
  • San Kitts,
  • Santa Lucia,
  • São Vicente e Grenadinas e
  • Tuvalu.
Além dos quatro países do Reino Unido, Charles III também é chefe de Estado da Nova Zelândia e outras 13 nações – Foto: pxhere/Divulgação/NDAlém dos quatro países do Reino Unido, Charles III também é chefe de Estado da Nova Zelândia e outras 13 nações – Foto: pxhere/Divulgação/ND

Charles, o ativista ambiental

A analista aponta que uma das grandes qualidades do novo rei é o interesse pelo ativismo ambiental. Em 2009, o monarca chegou a vir ao Brasil para falar de pautas ambientais e a preservação da floresta amazônica.

Hoffmann conta que o agora rei se envolve com movimentos que buscam minimizar as mudanças climáticas.

“Ele pode trazer esse olhar de sustentabilidade para o governo dele. Charles sempre se envolveu muito com pautas ambientais. Das mudanças climáticas à preservação de florestas e do oceano. Ele chegou a participar da construção de uma carta com um plano de recuperação para o planeta com o apoio de empresas e indústrias”, conta.

A carta foi lançada em janeiro de 2021. Intitulada “Terra Carta” o documento tem como compromissos voluntários apoiar acordos internacionais sobre clima, biodiversidade e desertificação, apoiar esforços para proteger metade do planeta até 2050 e tornar os investimentos e fluxos financeiros compatíveis com um futuro de baixas emissões de gases de efeito estufa.

De acordo com o jornal inglês “The Guardian” as empresas que apoiam o lançamento do Terra Carta incluem BlackRock (gigante estadunidense no mercado de investimentos), Bank of America (um dos maiores bancos americanos) e HSBC (um banco global britânico fundado em 1865).

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