A segunda-feira (18) começou com novos ‘capítulos’ no conflito armado entre Rússia e Ucrânia. O presidente russo Vladimir Putin concedeu um título honorário a uma brigada militar russa suspeita de atacar gravemente a região de Bucha, nos arredores de Kiev, na Ucrânia, enquanto a cidade de Lviv, no Oeste, foi alvo de outros ataques que deixaram ao menos sete mortos.
Forças destruíram com “mísseis de alta precisão” um “centro logístico e importantes lotes de armamentos estrangeiros na Ucrânia – Foto: Ronaldo Schemidt /AFP/NDO título honorário dedicado é o de ‘Guarda’, entregue para a 64ª Brigada de Infantaria Motorizada, louvando o grupo. Palavras como heroísmo, tenacidade, determinação e coragem foram utilizadas para classificar as tropas, acusadas pela Ucrânia de crimes de guerra em Bucha.
Alvos identificados
O exército russo informou que utilizou de mísseis de alta precisão para atingir um centro logístico e lotes de armamentos estrangeiros, fornecidos à Ucrânia durante a última semana para encarar a guerra. A doação partiu dos Estados Unidos, e estava armazenada perto de Lviv.
SeguirO governador da região, Maksym Kozitsky, citou quatro ataques com mísseis de cruzeiro, disparados a partir do Mar Cáspio. Foram três contra infraestruturas militares e um contra um depósito de pneus. Todos os alvos foram gravemente afetados, conforme explicou Kozitsky. “No momento, temos sete mortos e 11 feridos, incluindo uma criança”, afirmou.
Cabe lembrar que Lviv é, atualmente, um refúgio para os deslocados. A cidade ainda abriga embaixadas de países ocidentais, transferidas de Kiev. “Hoje, entendemos claramente que não temos nenhum lugar seguro na Ucrânia. É muito perigoso”, declarou à AFP Natalia, funcionária de um banco, depois dos ataques.
Já na segunda maior cidade da Ucrânia, Kharkiv, os bombardeios russos, na manhã desta segunda, matou pelo menos três pessoas. Nos arredores da cidade, as forças ucranianas começaram a tomar posições ao longo do fim de semana, atrás de pequenos montes de terra e crateras, de onde monitoravam o avanço dos russos.
“Quanto mais tempo eles ficarem em um lugar, mais entrincheirados estarão, mais difícil será eliminá-los”, disse um sargento que se identificou como Oreshek. “Eles têm que se retirar”, acrescentou.
Mais de 4,9 milhões de pessoas fugiram da Ucrânia desde 24 de fevereiro, de acordo com dados atualizados pela ONU nesta segunda-feira. Mais de 65 mil deixaram o país nas últimas 24 horas.
Por sua parte, a UE (União Europeia) condenou os bombardeios. “São contínuos, indiscriminados e ilegais de civis por parte das forças armadas russas”.
No plano diplomático, Volodymyr Zelensky afirmou esperar que o país receba o estatuto de candidato à UE em algumas semanas, após entregar ao embaixador do bloco na Ucrânia, Matti Maasikas, dois arquivos com o pedido de adesão.
Ucrânia na UE
O presidente Zelensky, durante reunião feita em Kiev, alegou que a Ucrânia já integra o bloco há mais tempo. “Nosso povo, em seu íntimo, em sua alma, já está mentalmente na Europa há tempos. Apesar de tudo, cada país deve cumprir esse procedimento”, afirmou.
“Uma nova etapa da Ucrânia a caminho da UE. Tempos extraordinários requerem medidas extraordinárias e uma velocidade extraordinária”, destacou Maasikas.
Geralmente, a obtenção do estatuto de candidato à UE leva anos. “Bruxelas “nos deu uma real oportunidade de concluir o procedimento em semanas ou meses”, disse Zelensky.
A integração à UE é um processo de longo prazo para aproximar a legislação do país da legislação europeia. O procedimento requer negociações complexas sobre muitos temas e critérios difíceis de serem cumpridos por um país em guerra, como estabilidade política e uma economia de mercado viável.
Também é necessário a concordância unânime dos 27 membros da UE, países divididos sobre o tema. Oito países como República Tcheca, Letônia, Lituânia, Estônia, Bulgária, Polônia, Eslováquia e Eslovênia, pediram, em carta aberta, o início das negociações para à adesão.
No entanto, um terço dos Estados-membros, entre eles Bélgica, Holanda, Itália e Espanha, estão mais reservados sobre o tema, segundo uma fonte diplomática contatada pela AFP.
*Com informações da AFP.