Sabatina Voto+: Candidato ao governo de SC Carlos Moisés é o entrevistado nesta quinta

Conexão ND Especial recebe candidatos ao governo do Estado para sabatina

Redação ND Florianópolis

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O Conexão ND Especial recebe os candidatos ao governo de Santa Catarina para uma sabatina, entre os dias 5 e 14 de setembro, na Record News. Nesta quinta-feira (8), os jornalistas do Grupo ND, Moacir Pereira e Márcia Dutra, recebem Carlos Moisés (Republicanos).

Com duração de 30 minutos, as entrevistas serão exibidas no horário do programa Conexão ND, às 22h30, e depois disponibilizadas em todas as plataformas do Grupo ND. As sabatinas são apresentadas por Moacir Pereira com a participação de jornalistas convidados.

Márcia Dutra e Moacir Pereira entrevistam o candidato à reeleição Carlos Moisés – Foto: Leo Munhoz/NDMárcia Dutra e Moacir Pereira entrevistam o candidato à reeleição Carlos Moisés – Foto: Leo Munhoz/ND

Moacir Pereira: O que o senhor achou das manifestações de 7 de Setembro?

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Carlos Moisés: Foi um grande movimento, de massa, mostrou uma tendência da eleição. que o brasileiro está acordado, está querendo participar, até porque, antes do 7 de Setembro, a gente estava percebendo pouco movimento das eleições. Parece que é aquele jogo de futebol que vai acontecer, mas ninguém se interessou ainda saber como seu time vai jogar, como vai jogar. A eleição estava um pouco fria. Um ato de democracia, um culto à democracia, o 7 de Setembro. Ao mesmo tempo aquece essa proximidade que ela tem com as eleições de 2 de outubro.

Moacir Pereira: O senhor foi eleito em 2018 pelo 17. Agora em 2022, o senhor está com 22 ou está com outro número?

Carlos Moisés: Eu estou com o número 10, do jeito que é o nosso governo. O resultado nota dez para a pandemia, enfrentamento dessa crise sanitária. É o número do governador. O nosso partido está na base de apoio ao presidente Jair Bolsonaro, eu vou me dedicar à eleição em Santa Catarina. Sobre esse tema, inclusive, da forma como eu me elegi, com a ajuda do presidente Bolsonaro em 2018, eu tenho dito que os governadores precisam ter uma certa independência para as suas ações. Por exemplo, quando é para a gente ser colaborativo com o governo federal porque tem o interesse do catarinense, está morrendo gente, por exemplo na 470, na BR-163, na 280, na BR-285, conexão com o Rio Grande do Sul, Santa Catarina, com o apoio da Assembleia Legislativa, aprova investimentos nessas rodovias federais. Obra do governo federal, que roda exclusivamente, avança exclusivamente com recursos dos catarinenses. Eu não gosto da ideia de um governador bajulador. Quando é para a gente discordar sobre algum tema, como é o caso da pista do Aeroporto de Navegantes, que é uma pista para logística, de cargas, e houve o entendimento que ela deveria ir para o Paraná, enfim, a gente ia acabar perdendo o investimento, nós entramos com uma ação questionando essa atitude do Ministério da Infraestrutura e estamos discutindo isso no STF, por que o interesse dos catarinenses está acima de qualquer movimento de bajulação de político A ou B.

Márcia Dutra: Governador, o senhor falou das rodovias, mesmo com a questão do recurso do Estado, que foi aprovado até pela Assembleia Legislativa, a situação das rodovias é lamentável. Todos os dias a gente fala sobre esse assunto aqui, a segunda-feira é triste. As nossas edições do nosso SC no Ar, por exemplo, que eu tenho a honra de ser editora-chefe e apresentadora, todas as segundas-feiras a gente traz acidentes, mortes, feridos. A 470, a questão do Oeste do Estado. As rodovias do Oeste do Estado, quando a gente mostra as imagens, parece que a gente não está falando de Santa Catarina, parece que não está falando de uma região tão rica, com tantas indústrias, tão poderosa e eu queria saber do senhor, se tiver oportunidade de governar nosso Estado tão rico e tão poderoso por mais quatro anos, o que o senhor pretende fazer para solucionar essa questão das estradas que não combinam com Santa Catarina?

Carlos Moisés: Eu recebi 74% das rodovias estaduais ruins ou péssimas. Eu não falo na emoção, nós temos que falar com números, tecnicamente. Eu recebi 74% das rodovias ruins ou péssimas. Hoje elas estão 24% ruins ou péssimas. E nós vamos, obviamente, zerar esse número. Em relação às rodovias federais, a BR-163 no Oeste era considerada a pior rodovia do Brasil. Nós estamos fazendo pavimento de concreto lá, com R$ 100 milhões dos catarinenses. Obra do governo federal e nós estamos avançando nessa obra. Então, tem várias rodovias no Oeste, tanto em infraestrutura municipal quanto estadual, mas o que a gente trabalha é o seguinte: a Fiesc fez um levantamento, a Voz Única da Facisc, e a universidades: 74% das rodovias em 2018 estavam ruins ou péssimas. Assumi o governo dessa forma, com déficit de R$ 1,2 bilhão e nós pagamos a dívida que se dizia impagável da saúde, avançamos no superávit do Estado, fechamos as torneiras, revisamos contratos e conseguimos investir em rodovia federal, estadual e municipal.

Moacir Pereira: Os seus adversários, aqui mesmo no Conexão ND, eles questionaram esses números. Dizem que o volume de rodovias em péssima situação está acima de 50%. Por que o governo Moisés atrasou tanto na execução dessas obras que continuam sendo prioritárias para Santa Catarina?

Carlos Moisés: Quem vive nas cidades sabe, nós estamos tirando obras da história, aguardadas há 50, 60 anos. Nós não tínhamos um governo programático antes do nosso. Então, assumimos um governo sem projeto. Para fazer uma obra pública, a lei exige que você tenha um projeto, tem que licitar, demora dois, quatro meses para uma licitação, quando não há recursos, enfim, judicialismo. Isso é fazer obra pública, esse é o desafio. Por isso que ninguém queria administrar o Estado, só queriam ser governador, mas não apresentar resultado. Nós apresentamos resultados. Depois dessa licitação, se demora aí um ano, um ano e pouco, para receber os projetos, no mínimo 12 meses para fazer um bom projeto de uma rodovia. E depois vem uma licitação para contratar a mão de obra e a empresa que vai fiscalizar a execução. A gente saiu de 74% de ruins ou péssimas, baixamos para 24%. Estamos avançando em ferrovias em Santa Catarina, são R$ 54 milhões em projetos de duplicação para acesso a aeroportos. E quando eu recebi o Estado de Santa Catarina, nós tínhamos na infraestrutura aeroportuária 21 aeroportos no Estado, oito estavam praticamente fechados, hoje só faltam dois para reabrir. Correia Pinto é um aeroporto na Serra catarinense que estava fechado há mais de 20 anos e tinha dinheiro público ali, não se executava e botamos para funcionar agora com voo para São Paulo, Viracopos. Então há uma transformação efetiva no resultado do nosso trabalho que está fazendo com que Santa Catarina seja um Estado que mais emprega, que mais abre emprego no país. Um dos Estados que mais têm inclusão digital, e com um governo leve no relacionamento com o empreendedor.

Márcia Dutra: Moacir Pereira comentou que seus adversários questionaram esses números em relação às rodovias aqui mesmo no Conexão ND. Também no Conexão ND, um de seus adversários usou o seguinte dado: 1.264 escolas em Santa Catarina estão em situação muito ruim. Dessas 1.264, 900 tiveram sequer uma manutenção nos últimos quatro anos.

Carlos Moisés: Deve ser de outro Estado, porque Santa Catarina tem 1.064 escolas. Então, se ele está falando de 1.264 escolas, não deve ser em Santa Catarina.

Márcia Dutra: Mas a situação das escolas estaduais não é satisfatória, governador.

Carlos Moisés: Estamos fazendo obra em mais de mil escolas catarinenses, nós temos 1.064 escolas em Santa Catarina. Mais de mil delas estão sofrendo intervenção. Isso é papel de oposição ou de adversário político, que eu não acho decente usar um dado errado, uma notícia falsa. Mas quem conhece e vive nas cidades sabe que nós investimos R$ 7,7 bilhões na educação dos catarinenses e isso envolve infraestrutura. Foi a primeira vez na história do Estado de Santa Catarina que a gente investe o mínimo institucional. Se usava até o salário do aposentado para justificar o investimento de 25% que a Constituição determina. Nós fizemos 27,4%. Primeira vez que o professor tem o salário mínimo de R$ 5 mil, uma remuneração mínima muito acima da média e do piso nacional. E a primeira vez que a gente enfrenta questões importantes da evasão escolar do ensino médio, por exemplo, o bolsa estudante, são mais de 57 mil alunos recebendo quase R$ 600 por mês, que está pagando o aluguel de muitos desses alunos colocando comida em casa e está mantendo eles na escola, que é o lugar de adolescente também. Então nós temos ações inéditas, enfrentamento da pobreza menstrual das nossas alunas, a primeira vez que um professor recebe um laptop para chamar de seu, que o Estado entrega para os professores levarem para casa. Então, há um movimento muito diferente na educação e o nosso time, a aldeia da educação, reconhece isso. O que eu recomendo é que as famílias conversem nas suas cidades com quem dirige as nossas escolas. Além disso nós investimos também em escolas municipais: creches, em parceria com os prefeitos, investimos mais de R$ 6 bilhões nos municípios, com transferência voluntária do governo do Estado.

Moacir Pereira: Outra questão muito polêmica é a situação da saúde e, sobretudo, cirurgias que estão na fila com mais de, segundo os candidatos, 140 mil, outros candidatos falaram 110 mil. Eu já ouvi propagando do senhor falando em 40 mil. Qual é exatamente o número oficial hoje?

Carlos Moisés: Nós temos hoje 58 mil pessoas na fila de espera por cirurgia. Deve ser outro Estado também que esses candidatos estão falando, porque nós temos 58 mil. Neste ano nós fizemos 84 mil cirurgias eletivas. E pactuamos para fazer 24 mil por mês com os hospitais. Dentro da política hospitalar catarinense. E no mês passado nós fizemos mais de 17 mil cirurgias e estamos já nos aproximando dessa meta, de 24 mil cirurgias, é só fazer as contas. Até o final do ano nós vamos zerar. Se eu tenho 58 mil, tem aí quatro meses para terminar o ano.

Moacir Pereira: E quantos milhares entraram nessa fila durante 2022?

Carlos Moisés: Exatamente, essa fila não para de crescer. Então você que a gente está conseguindo baixar o número e o catarinense tem que entender o seguinte: eu enfrentei a maior crise sanitária da história do Brasil e da humanidade de crises recentes. Dois anos nós tivemos que suspender cirurgias eletivas, tivemos que fazer cirurgias de tempo sensível, mas tivemos que suspender. E olha o nosso resultado. Temos expectativa real de zerar a fila que era algo que não se falava em Santa Catarina até o final do ano, porque pactuamos e os hospitais acreditam nessa gestão que paga as contas da saúde. A gestão anterior ficou devendo R$ 750 milhões. A nossa gestão paga. Por isso os hospitais filantrópicos estão tocando as cirurgias eletivas para nós.

Márcia Dutra: Mas tem muito hospital filantrópico passando necessidade, passando dificuldade. Tem a situação gravíssima no Hospital Regional do Oeste, aliás o Estado costuma dar dinheiro, mas não resolve. É uma situação que parece que não tem fim. O que o senhor tem a dizer sobre isso? E aproveito para pegar carona que o assunto ainda é saúde, do Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis. Eu cubro o hospital há 33 anos e nunca vi o hospital tão mal. Tem infiltração, cai teto, falta funcionário, falta equipamento, falta água, falta tudo. E o hospital está do lado da sua casa.

Carlos Moisés: Não essa a imagem, Márcia, que você passa para o catarinense que eu tenho do Hospital Infantil. Ali tem um time de gestores que estão trabalhando forte. Não falta equipamento. Se faltar equipamento, não faltam recursos. Se precisar intervir na gestão a gente intervém.

Carlos Moisés promete construir o maior complexo hospitalar da América Latina – Foto: Leo Munhoz/NDCarlos Moisés promete construir o maior complexo hospitalar da América Latina – Foto: Leo Munhoz/ND

Márcia Dutra: Mas não sou eu que estou dizendo isso. Eu ouvi de várias pessoas.

Carlos Moisés: Vamos falar do Hospital Infantil. Quais os projetos que os outros governos passaram e tiveram para o Hospital Infantil? Nós temos uma infraestrutura que precisa ser efetivamente modificada. Nós vamos construir ali o maior complexo hospitalar da América Latina, o terceiro maior da América Latina.

Márcia Dutra: É aquele que vai juntar todos os hospitais?

Carlos Moisés: Vai ser o maior do Brasil: R$ 850 milhões de investimento. Todo o processo já está no Tribunal de Contas. Vencemos toda a parte de manifestação de interesse, de audiência pública. Vencemos uma série… Da construção da modelagem, para a gente fazer uma grande parceria público-privada. Além desse complexo, são cinco hospitais novos que nós vamos fazer.

Moacir Pereira:  A mobilidade. Só tem um acesso para chegar ali.

Carlos Moisés: Exatamente. Nós temos ali, inclusive, que intervir na questão lúdica do Hospital Infantil. A criança não pode se sentir dentro de um hospital. E isso e a encomenda da parceria público-privada que nós fizemos, investindo também na Palhoça, com mais um hospital. Estamos criando um novo Instituto de Cardiologia de Santa Catarina, ordem de serviço já dada de mais de R$ 365 milhões. Isso, depois de uma pandemia, nós temos esse resultado de governo, depois do melhor resultado do Brasil na pandemia, porque é a menor letalidade do Brasil, e o menor desemprego do Brasil. Nós resolvemos cuidar da vida das pessoas e resolvemos também cuidar da economia do nosso Estado com o melhor resultado do país, isso dito por organismos independentes. Não é o Moisés que está falando, é o Ipea, o Centro de Liderança Pública em São Paulo, que avaliou como nós enfrentamos a pandemia e os números que nós temos. E mais uma coisa, quando a gente fala em hospital filantrópico, que é muito importante destacar, nós fizemos de forma inédita a política hospitalar catarinense. Antes os diretores de hospital, eles tinham que vir beijar mão de político aqui na Capital para pedir recursos para os hospitais. Nós em 2019 criamos a política hospitalar catarinense e revisamos ela em 2020 que coloca para 173 hospitais filantrópicos em Santa Catarina um orçamento disponível, por exemplo, esse ano, de mais de R$ 600 milhões. Você sabe o quanto os hospitais filantrópicos levavam do Estado de Santa Catarina? Menos de R$ 100 milhões por ano nas gestões anteriores. Nós começamos a aumentar, foi R$ 180 milhões no primeiro ano, R$ 300 no segundo e assim por diante, até chegar um orçamento em 2022 de R$ 600 milhões de reais. Isso é inédito em Santa Catarina.

Márcia Dutra: Mas rapidinho só para fechar, o Hospital Regional do Oeste, solução para aquele hospital?

Carlos Moisés: Olha, aportamos dois repasses de recursos ali vultosos,  inclusive, de mais de R$ 15 milhões. Estamos socorrendo o hospital que é o nosso papel também. Montamos uma auditoria para acompanhar os processos no hospital para entender o porquê o hospital está apresentando essa dificuldade e o Estado vai ser parceiro. Ele é um hospital filantrópico filantrópico, com gestão independente, o município de Chapecó tem gestão plena, então é corresponsável também. De repasse de recurso para aquele hospital a partir dos recursos do SUS. Nós temos que entender uma questão também muito importante, Márcia, que talvez vocês não tenham abordado aqui. Eu acho que tem quase dez anos, mais ou menos, que o Governo Federal não revisa a tabela do SUS. É uma violência com quem trabalha em saúde. Nós precisamos enfrentar as questões no seu nascedouro.

Moacir Pereira: Por que a classe política não se mobiliza? No Brasil inteiro?

Carlos Moisés: É preciso que a gente tenha políticos independentes, que não sejam bajuladores do poder. Para não usar uma expressão mais chula aqui. Nós precisamos de políticos independentes que falem a verdade, que façam o que o governador Moisés faz em Santa Catarina. Quando é para ser parceiro do governo federal, faz. Fomos parceiros quando o ministério não conseguia habilitar os leitos de UTI, que é R$ 6 mil numa diária de UTI na pandemia. Nós fomos nesses hospitais aí e afiançamos para os hospitais: abram as UTIs que o governo de Santa Catarina, o catarinense vai pagar. E assim o fizemos. Quando tivemos as emendas parlamentares para o agronegócio, federais em Santa Catarina, que o preço das coisas subiu, o governador Moisés disse, não, vamos complementar R$ 32 milhões, não vamos cortar nenhum município, vamos ajudar o agronegócio. Aliás, falar de agro, Santa Catarina foi o estado brasileiro que mais investiu recurso público no agronegócio no Brasil. Santa Catarina é menor que o Paraná, é menor que o Rio Grande do Sul territorialmente, é menor que São Paulo, é menor que o Mato Grosso. Isso é a nossa gestão, Moacir, é sobre isso que nós estamos falando. E colocar a responsabilidade efetivamente em quem tem que ter responsabilidade. Se enquanto nós pagarmos R$ 3 para uma consulta médica, R$ 4, R$ 5, seja lá o que for, que não remunera nem a energia que você liga na sala para o médico atender, nós temos que falar a verdade. Temos que enfrentar questões importantes para o Brasil.

Moacir Pereira: Agora os seus adversários e os bolsonaristas aqui em Santa Catarina, os mais digamos assim, fanáticos, eles acusam o senhor de ter sido eleito pelo Bolsonaro e ter abandonado o Bolsonaro, ter traído o presidente Bolsonaro. E que isto levou a muitos prejuízos para o Estado que não teve atenção do governo federal. E ainda, a propósito dessa questão, o senhor tem afirmado que durante seu período houve corrupção? Denuncia publicamente na propaganda, que houve contratos superfaturados nas gestões anteriores.

Carlos Moisés: Da minha não. Na minha não tem corrupção. Nós combatemos a corrupção.

Moacir Pereira: E essa gestão é de Colombo ou de Eduardo Moreira?

Carlos Moisés: Olha, essas investigações estão em andamento, eu vou deixar esse trabalho para a polícia, né? Que é o papel dela, Ministério Público, Tribunal de Contas, órgãos de controle. Eu vou falar para o catarinense o que eu fiz. Nós economizamos R$ 505 milhões revisando contratos, fechando torneiras como a Ponte Hercílio Luz que nós entregamos no primeiro ano de governo aos catarinenses. Não é como a rodovia SC-401 que estava aí dez, 15 anos esperando aqui em Florianópolis, a rodovia mais movimentada do Estado. O acesso ao Sul da Ilha que nós aceleramos e entregamos. E estamos fazendo obra em todas as regiões de Santa Catarina com esse dinheiro que ia para o ralo, com esse dinheiro da integridade do nosso governo. E querem nos macular com R$ 33 milhões dos respiradores que esse governador foi o primeiro a agir. Não existe governo à prova de golpe em plena pandemia. Quem não compra é porque é covarde. Não é? Nós tínhamos que salvar os catarinenses. Foi feito uma compra. Não foi honrada a entrega. Este governador foi o primeiro, muito antes dos órgãos de controle, aí ir no nascedouro, seguir o dinheiro com a Fazenda e com a PGE, entrar com uma ação e bloquear R$ 38 milhões. Aliás, R$ 13 milhões agora semana passada, retrasada, já foram liberados pela Justiça para vim para o tesouro do Estado, o restante está na conta na Justiça e demora o tempo que demora.

Moacir Pereira: O senhor agora conhece bem a máquina, de acordo? Se o senhor for eleito, o que que o senhor mudaria?

Carlos Moisés: Eu tenho 30 anos de serviço público, né? Antes de ser governador. Eu fui enganado como você foi enganado, como a Márcia foi enganada, como quem está nos ouvindo em casa foi enganado também, não tinha dinheiro para nada. Muito tempo a gente foi enganado. Eu tenho um depoimento de um prefeito que pediu para um governador uma ambulância e o governador disse: “eu vou te dar metade em dez parcelas de dez mil” e o restante ele tinha que se virar na cidade dele e depois tinha que assar um boi pra entregar a ambulância, não é? Para o município. Então o que nós estamos fazendo aqui de movimento efetivamente municipalista é essa história de se afastar do Bolsonaro. A árvore a gente conhece pelos frutos. Você pode ser uma pessoa que está caminhando com alguém, mas que não concorda com tudo que ela faz. Isso não é traição, isso é amor à vida, amor aos catarinenses e mais, quando você caminha por exemplo, como nós fizemos, né? A gente construiu um Estado resiliente, um Estado que precisa de entrega para os catarinenses e vocês dizem se afastou. Mas de que forma se afastou? Quando você escolher ser o governo mais colaborativo com o governo federal que tem na história de Santa Catarina, como temos agora no agro, na questão das UTIs, na questão das rodovias federais. “Mas a BR-470 é obra federal”, dizem, mas estão morrendo catarinenses na rodovia, cem mortes por ano. Então tem R$ 300 milhões dos catarinenses lá, é problema do governador Moisés, isso é problema meu. Quando um catarinense está sofrendo é problema desse governo.

Carlos Moisés falou das suas obras e projetos para a continuidade do governo – Foto: Leo Munhoz/NDCarlos Moisés falou das suas obras e projetos para a continuidade do governo – Foto: Leo Munhoz/ND

Márcia Dutra: Governador, túnel subaquático, ligando Navegantes a Itajaí: fato ou boato? Isso vai acontecer?

Carlos Moisés: É um projeto que está sendo modelado e eu tenho convicção que sai. Existe o consórcio também de municípios trabalhando no projeto. Nós vamos ser parceiros. Tem tanta coisa boa acontecendo. Nós estamos fazendo conexões importantes com regiões que dependiam de balsa, como é o caso de Araranguá, que está construindo uma ponte sobre o Rio Araranguá, Laguna, a ponte do Pontal lá na Ilha de Santa Marta, né? Com o Mar Grosso, aquela região dos mole ali. Outra ponte importante que funciona uma balsa ali também. Navegantes funciona a balsa. Essa vai ser a solução. Nós já estamos tirando do papel uma ponte sobre o Rio Tubarão. Entre Tubarão e Capivari de Baixo. Então, é factível. Dinheiro do Estado colocado no consórcio de municípios e o município está executando as obras e nós vamos ser parceiros lá também.

Moacir Pereira: Outra questão polêmica levantada aqui no Conexão, e também na campanha, é o problema do efetivo da Polícia Civil e da Polícia Militar. Um dos candidatos disse que no governo Colombo foram admitidos mais de quatro mil policiais militares. Que na sua gestão apenas mil policiais militares. Por que isso?

Carlos Moisés: Nós estamos admitindo na medida em que a nossa capacidade de formação concebe, ou seja, a gente abriu concurso para mil policiais ano passado, mais 500, e assim por diante. Havia 11 anos e tem candidatos desses que estão correndo à vaga de governador que passaram pelo Estado aqui, foram gestores públicos estaduais e durante o governo inteiro não incluíram um agente da segurança pública, um policial.

Moacir Pereira: Quem foi esse candidato?

Carlos Moisés: Eu vou deixar que as pessoas pesquisem. A curiosidade é importante, né? Nesse momento da informação. Tem gente que não. Nós temos candidatos é processado, é réu condenado por Lei Maria da Penha, bate na mulher, e está discutindo políticas públicas nos debates, aqui na TV, para as mulheres, Moacir, Márcia?

Moacir Pereira: Quem é esse candidato?

Carlos Moisés: Curiosidade. Dá um Google aí.

Moacir Pereira: Então, voltando à pergunta. Por que ao invés de quatro mil do Colombo o senhor não nomeou seis mil?

Carlos Moisés: Não, nós temos a capacidade de formação. É um dado que precisa ser checado, mas a nossa capacidade de formação hoje é essa. Havia 11 anos que não entrava um perito do Instituto Geral de Perícias, hoje a Polícia Científica do Estado de Santa Catarina, e nós abrimos concurso, no primeiro momento, 97 vagas e assim por diante, em todas as áreas entraram agentes novos. Na área do sistema prisional, na área da Polícia Civil, delegados, agentes, enfim, na área dos bombeiros, da Polícia Militar.

Moacir Pereira: O senhor é da área da segurança. Sinceramente, não há falta de efetivo?

Carlos Moisés: Há.

Moacir Pereira: Se o senhor for eleito governador, o senhor vai mudar?

Carlos Moisés: Nós vamos continuar fazendo a inclusão. Não sei se você lembra recentemente, eu mandei para Assembleia um projeto de lei que, não sei porque cargas d’água não foi aprovado, e a gente cria uma figura, você sabe que nós temos um impacto da previdência em Santa Catarina muito forte, né? São bilhões e bilhões de reais que quem está nos assistindo agora paga essa conta para os aposentados, e eu mandei para Assembleia um projeto de lei que cria um militar temporário e o Policial Civil também temporário pode ser incluído nisso, os bombeiros temporários que ficam até oito anos na atividade são incluídos, formados, são colocados à disposição. O estado podendo chamar, inclusive, por concurso essas pessoas em até 40% do efetivo previsto. Então são cerca de mais de 2,5 mil homens e mulheres para os bombeiros e mais de dez mil homens com efetivo da Polícia Militar é previsto é cerca vinte mil, cerca de dez mil homens para a Polícia Militar. Esse projeto não avançou, eu vou reapresentá-lo, eu pretendo reapresentá-lo porque esse é um projeto que não impacta na previdência. Ele fica oito anos e depois se aposenta ou contra esse tempo para o INSS, para a previdência geral.

Moacir Pereira: Governador, bate-bola, sim ou não, contra ou a favor.

Márcia Dutra: Porte de arma?

Carlos Moisés: Acredito que o porte de arma é para quem tem efetivamente condição de portar arma, né? Não pode ser libera pra qualquer um. A favor dentro do que a lei preconiza.

Moacir Pereira: Governador, foro privilegiado.

Carlos Moisés: Eu acho que algumas questões, né? Que podem ser, por exemplo, diligenciadas. A gente percebe movimentos político e em todos os setores, em todos os seguimentos, dentro do Executivo, dentro do Legislativo, dentro do Judiciário, então, talvez não proteger quem comete algo errado, mas ter um foro adequado para discutir, para que isso não seja tratado lá no quintal de casa, né? No município, o prefeito ser perseguido, por exemplo, um promotor.

Márcia Dutra: Aproveitando o gancho, estabilidade do servidor público.

Carlos Moisés: É nesse sentido é o que eu estava colocando, né? Nós mandamos o projeto de uma carreira típica do Estado e que não vai dar estabilidade. Oito anos.

Moacir Pereira: Atual servidor público, o senhor é a favor ou contra e a manutenção da estabilidade?

Carlos Moisés: Eu penso que para algumas carreiras sim e para outras, alguns serviços nem devem ser feitos pelo Estado, diretamente.

Moacir Pereira: Saidinha das prisões.

Carlos Moisés: É, eu sou contrário da forma como está sendo. Hoje o aparato do sistema prisional não tem condição de averiguar efetivamente quem tem condição de estar na rua nem acompanhar os seus atos.

Márcia Dutra: Mudança no calendário eleitoral, a junção de todas as eleições.

Carlos Moisés: Eu preconizei isso na outra eleição, torci que acontecesse, que juntasse, porque me parece que há um movimento quase que comercial, né?

Moacir Pereira: Os políticos não vão deixar, governador.

Carlos Moisés: Por isso que a gente precisa investir em educação como nós investimos, porque a educação vai mudar os políticos.

Moacir Pereira: Prisão em segunda instância, favor ou contra?

Carlos Moisés: Eu penso que em determinada as condições, sim, desde que esse processo sejam todos muito bem conduzidos e que enquanto houver o princípio do réu, da inocência ele tem que ser bem comprovado, então cada processo é um processo, Moacir.

Márcia Dutra: Redução da maioridade penal.

Carlos Moisés: Eu acho que nós temos que incrementar o que a gente tem, né? Nós temos falta de vaga para o sistema no Brasil, aqui em Santa Catarina está caminhando bem a questão, principalmente do menor infrator. Mas eu acho que essa é uma questão que tem que ser enfrentada no seu conjunto.

Moacir Pereira: Ponto facultativo, a favor da extinção ou pela permanência?

Carlos Moisés: Eu penso que é uma questão também da autoridade saber escolher. Né? Às vezes o ponto facultativo, por exemplo, ele pode prejudicar o andamento do serviço se ele for contraído, por exemplo, se for um dia, é um feriado e você quiser trazer ele e trabalhar no feriado, eu penso que a inversão, a flexibilização do calendário de feriado seria interessante.

Márcia Dutra: Privatizações, contra ou a favor. Tem empresas públicas que dão prejuízo e, aí?

Carlos Moisés: É, tem empresas públicas, por exemplo, como a Epagri, que ela é dependente do governo, né? Mas ela precisa existir, ela atende ao agricultor. Por isso que nós investimos, fomos o Estado que mais investiu em agricultura no Brasil. Cada caso é um caso. A empresa que for mal gerida, essa sim, não deve continuar.

Moacir Pereira: Redução do número de partidos políticos no Brasil.

Carlos Moisés: Eu acho importante. Nós deveríamos reduzir para até termos linha de atuação ideológica bem definida. Acho importante reduzir. Talvez no máximo dois, três, quatro partidos.

Márcia Dutra: STF. Esse momento de críticas e confusões e polêmicas. Sua opinião?

Carlos Moisés: Olha, eu acho que o STF é uma das instituições que são baluarte da democracia. É uma instituição, é um poder tem que ser respeitado como tal. Eu não vou estar avaliando decisões monocráticas, enfim de juiz, de ministro A, B ou C.  Assim como a gente pode questionar e a Assembleia Legislativa? E o governo do Estado?

Moacir Pereira: Mas o senhor é governador, o líder de Santa Catarina, por isso o senhor concorda com as decisões monocráticas absurdas?

Carlos Moisés: Algumas decisões monocráticas eu não concordo, efetivamente, algumas delas inclusive tinham que se submeter ao crivo do plenário, de uma decisão colegiada, porque é muito poder, né? Na mão de uma pessoa só. Então eu acho que o STF, em alguns casos, ele tem que rever decisões e por isso que existe recurso, né? Ele rever a decisão de ministro.

Moacir Pereira:  E por que o senhor nunca fez uma declaração contra esse absurdo do STF?

Carlos Moisés: Veja bem, uma coisa é a decisão da pessoa e outra coisa se você errar aqui no ND, uma coisa é eu não concordar com essa decisão. Outra coisa é eu dizer que o ND não presta. Que o ND não é um jornalismo

Moacir Pereira: Mas se eu errar sou eu que estou errando, não é o grupo.

Carlos Moisés: Exatamente. E aí, para isso, existem recursos. Quando eu estou inconformado com uma decisão judicial, eu devo recorrer.

Moacir Pereira: Desculpa, decisão do Supremo não tem recurso, ela é a última instância.

Carlos Moisés: Quando ela é monocrática, tem que deliberar, é assim que funciona a Justiça.

Moacir Pereira: Mas decisões do Supremo não tem recurso para ninguém.

Carlos Moisés: Agora eu penso, Moacir, assim que guerra, essa briga, não dá escola, não dá estrada, não leva a lugar nenhum, não dá melhores hospitais, né?

Márcia Dutra: Então, temos 48 segundos para suas considerações finais.

Carlos Moisés: Eu quero agradecer a vocês Márcia, Moacir, ao grupo ND, pela oportunidade de prestar contas aos catarinenses. Eu trabalhei muito, né? Trabalhei duro durante esses três anos e meio, quase quatro anos aí, cuidando dos catarinenses, valorizando a vida e as pessoas, fazendo o maior investimento da história de Santa Catarina na educação. As pessoas dizem que educação é importante, eu estou mostrando que é importante. Na saúde, enfrentamento da pandemia, enfim. E o maior investimento, seis vezes mais de investimento em infraestrutura, de manutenção rodoviária como a gente tem provado isso. Então eu quero pedir o voto do catarinense no dia 2 de outubro, vote 10, vote Moisés, Udo Döhler para vice e o nosso senador Celso Maldaner 155 e vote também nos candidatos da nossa coligação.