Sabatina Voto+: Gean Loureiro, candidato ao governo de SC, é entrevistado nesta segunda

Conexão ND Especial recebe candidatos ao governo do Estado para sabatina

Redação ND Florianópolis

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O Conexão ND Especial recebe os candidatos ao governo de Santa Catarina para uma sabatina, entre os dias 5 e 14 de setembro, na Record News. Nesta segunda-feira (5), os jornalistas do Grupo ND, Moacir Pereira e Vanessa da Rocha, recebem Gean Loureiro (União Brasil).

Com duração de 30 minutos, as entrevistas serão exibidas no horário do programa Conexão ND, às 22h30, e depois disponibilizadas em todas as plataformas do Grupo ND. As sabatinas são apresentadas por Moacir Pereira com a participação de jornalistas convidados.

Gean Loureiro é o candidato desta segunda-feira; Moacir Pereira e Vanessa da Rocha comandam a sabatina – Foto: Leo Munhoz/NDGean Loureiro é o candidato desta segunda-feira; Moacir Pereira e Vanessa da Rocha comandam a sabatina – Foto: Leo Munhoz/ND

Moacir Pereira: Qual é a alternativa que o futuro governador tem, se eleito, para resolver o dramático problema nas estradas estaduais no Oeste catarinense?

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Gean Loureiro: Os dados estatísticos, Moacir, apontam que 70% das estradas catarinenses estão em estado precário. A própria Fiesc apresentou um dado. O governador não precisa fazer diagnóstico. O diagnóstico já está pronto, precisa agir. Nós vamos ter um plano de manutenção que será vinculado ao gabinete do governador, onde vamos dividir em lotes e conseguir a revitalização imediata das estradas catarinenses. Mais do que isso, nós temos que ter projetos de engenharia bem elaborados. O Estado adotou uma estratégia de fazer em cada obra a licitação de um projeto de engenharia. Eu quando fui prefeito de Florianópolis fiz um projeto global. E se economizava o tempo da licitação e poderia se dar ordem de serviço de maneira imediata. É assim que vamos fazer no Estado. Garantir que o projeto seja bem executado. Que tenha um bom certame licitatório com uma atualização dos valores conforme prevê a legislação, garantindo a sua execução. Das últimas 40 obras licitadas pelo governo do Estado, quase 90% deram deserto, ou seja, nenhuma empresa participou da licitação. Alguma coisa está errada, tem que modificar o sistema e nós vamos modificar. Então, com um plano de manutenção imediata e uma estrutura de projetos de engenharia garantindo a execução dessas obras que são fundamentais nas rodovias catarinenses.

Moacir Pereira: E o que está errado? O que ficou errado que levou a 90% de licitações desertas?

Gean Loureiro: Primeiro a característica de fazer uma licitação de projeto de engenharia para cada obra. Quem ganha licitação muitas vezes é uma empresa pequena. O projeto vem com defeitos, com erros, né? A planilha de custos nem sempre vem atualizada e por isso nenhuma empresa participa. Eu estive recentemente num fórum, num painel, com todas as entidades de engenharia do Estado de Santa Catarina. E lá foram unânimes que, a forma como o Estado está fazendo, ninguém mais vai participar de licitação. Então nós temos mais de 40 obras. Não aparece ninguém para executar. Tem que modificar o sistema. É o que nós vamos fazer. Em Florianópolis eu fiz duas mil obras. Tive problema entre quatro, cinco ou seis obras. Mas de duas mil a gente vê que teve uma execução muito maior.

Vanessa da Rocha: O senhor fincou as suas raízes em Florianópolis. Vereador por dois mandatos, prefeito, reeleito. Teve uma rápida passagem pela Alesc. A sua história está atrelada ao município de Florianópolis. Qual é a sua estratégia para chegar ao interior do Estado, conquistar o eleitor do Norte, o eleitor do Oeste e de todas as regiões do Estado. De que forma o senhor pretende mostrar que o senhor é conhecedor e tem planos para todas as regiões do Estado?

Gean Loureiro: Como presidente estadual do União Brasil, eu permiti, nos últimos dois anos, a viajar muito pelas regiões de Santa Catarina. A nossa pré-campanha adotou uma estratégia que teve competência política para formar muito cedo a chapa com o vice Eron Jordane e com o candidato a senador Raimundo Colombo. Isso permitiu que a gente pudesse ir nessas regiões estadualizar mais um nome, se tornar mais conhecido, vencer essa barreira do desconhecimento. Agora com a campanha de TV e rádio no horário eleitoral gratuito, isso acontece de maneira muito mais intensa. O que essa população quer é conhecer o que eu fiz, saber da minha característica que é um político trabalhador, um político de resultado, um político de entrega de obras que é o que deseja para cada região. Santa Catarina é um Estado de muitas capitais e cada uma tem a sua característica, cada cidade tem a sua particularidade. Saber interpretar essa particularidade e saber o desejo de cada região, isso acabou acontecendo de maneira antecipada por nós. Nós entregamos um plano de governo que discutiu muito com a sociedade civil, com as cidades o que deveria ser feito. Então, temos uma proposta muito mais completa. Isso me deixou um candidato com maior potencial, garantindo vencer essa barreira do desconhecimento, que agora com o programa eleitoral acontece com mais intensidade.

Vanessa da Rocha: Acredita que está vencendo essa barreira? Quais são os próximos passos?

Gean Loureiro: Estamos vencendo essa barreira, os apoios políticos também se concretizam. Eu cito aqui o apoio do prefeito de Chapecó João Rodrigues, que é o coordenador geral da campanha. Ele traz uma nova realidade. Os números das pesquisas já demonstram um crescimento. O meu vice, por ser de lá, vai ter um período onde vai atuar na campanha mais naquela região, mas nós estamos trabalhando todas as regiões de maneira igual. A minha maneira de governar, quando fui prefeito, era trabalhar por todas as regiões. E hoje, o fato de estar sempre presente, discutindo e participando já demonstra de maneira clara como que vou governar para todos os municípios do nosso Estado.

Moacir Pereira: Candidato, nos debates também e também nos programas eleitorais percebe-se claramente que os candidatos de sua maioria estão tratando muito da questão da saúde. Na saúde fala-se até em 140 mil cirurgias que estão represadas aqui em Santa Catarina. O senhor também tem tratado dessa matéria. Eu gostaria de saber, objetivamente, para os nossos telespectadores do Conexão ND Voto Mais, concretamente, como é que o senhor resolveria esse problema, se fosse eleito?

Gean Loureiro: Tem uma alternativa muito clara. Não adianta publicar editais, como o Estado fez, com a tabela SUS para que os hospitais filantrópicos e privados possam realizar um mutirão para reduzir essa fila que acontece hoje. Hoje tem que se apresentar uma tabela com o dobro, uma proposta, um edital, com o dobro da tabela do SUS, como fez o Estado de São Paulo, onde se verticalize, se contrate a consulta pré-operatória, se contratem os exames pré-operatórios, a cirurgia propriamente dita, os exames pós-operatórios e a consulta pós-operatório. Você tem que tirar a pessoa da fila do SISREG, do Sistema de Regulação. Hoje a pessoa vai fazer a consulta no município, volta para sua cidade, faz um exame em outro, volta para sua cidade. E daí fica esperando para fazer a consulta. Ele demora tanto que, quando vai fazer a consulta, o exame já não tem mais validade. Já tem que fazer um novo. E a fila não se vence. E o Estado insiste em apresentar uma tabela onde não tem atratividade para os hospitais. Eu, nas minhas visitas pelo Estado, sempre visito os hospitais das cidades. Os hospitais filantrópicos estão aptos a operar mais, fazer mais cirurgias. Agora eles não podem pagar para fazer isso. Ele já tem dificuldade de se manter. Agora se oferecer um valor atrativo, todos eles vão participar e vão garantir a redução de filas.

Moacir Pereira: E se o Tribunal de Contas vetar essa duplicação do valor para o edital?

Gean Loureiro: Não tem por que vetar, é uma disputa livre, qualquer um pode fazer. Eu tenho que estabelecer um preço que seja atrativo. O Estado de São Paulo fez isso, está reduzindo a fila. E pode ser executado. Então você tem todo o amparo jurídico para fazer, o amparo técnico e a viabilidade econômica que pode mudar o quadro. Ou nós vamos continuar elevando em 450 pessoas por dia o tamanho dessa fila.

Vanessa da Rocha: Candidato, gestão da máquina pública. O senhor enviou a reforma administrativa para a Câmara dos Vereadores no ano passado e o senhor propôs mudanças no funcionamento da Comcap. Em entrevista ao portal ND Mais em janeiro de 2021, o senhor disse que estava combatendo “superprivilégios”. Eu questiono o senhor, no âmbito estadual, se eleito, de que forma que o senhor vai administrar? Como vai ser a sua relação com o funcionalismo público? Irá propor cortes? O senhor acredita que é necessário enxugamento? Como vai lidar com as estatais?

Gean Loureiro: O administrador sempre tem que estar preocupado em reduzir o custeio da máquina pública para poder investir mais. A gente está vivendo um momento de tranquilidade, onde na pandemia, o governo federal auxiliou com recurso para saúde, inclusive foi para folha de pagamento. Uma compensação por uma queda de arrecadação de mais de R$ 1 bilhão para Santa Catarina. De uma queda que não se concretizou, né? O congelamento do reajuste do salário dos servidores por três anos, que permitiu dar um fôlego para o Estado, e hoje tem uma sobra de caixa. Mas isso não vai ser nada eterno. Vai chegar um momento que você vai ter que ter o controle dessa máquina. O controle da máquina, eu vou fazer como eu sempre fiz: garantindo custeios. Todos os superprivilégios a gente vai reavaliar, que têm que ser reavaliados em todos os momentos, diminuir a estrutura da máquina. E aquilo que se faz onde a iniciativa privada pode fazer mais barato e melhor, não tem por que o poder público insistir naquilo que não é atividade essencial do poder público. Em Florianópolis a gente fez uma redução onde a gente paga 40% do que custava para Comcap, onde já está fazendo com a empresa privada. São exemplos como esse que eu vou adotar para sobrar mais recursos para saúde, educação, justiça social, que tanto precisa.

Gean Loureiro é o candidato ao governo de SC pelo União Brasil – Foto: Leo Munhoz/NDGean Loureiro é o candidato ao governo de SC pelo União Brasil – Foto: Leo Munhoz/ND

Vanessa da Rocha: No âmbito estadual em relação às estatais, seu olhar sobre a gestão que é feita hoje? O senhor mudaria alguma coisa?

Gean Loureiro: Bom, primeiro, tanto a Celesc quanto a Casan têm que cumprir uma função pública. Hoje há muitos no Estado, o Estado inteiro reclama da qualidade de energia, não se tem uma agência para poder buscar uma alternativa, se é ter um atendimento. Hoje parece que a Celesc trabalha muito mais para os acionistas terem lucro do que para desenvolver o nosso Estado. Apenas 30% de quem precisa tem energia trifásica. A mesma coisa com os investimentos da Casan. A Casan tem quase 200 contratos com prefeituras no Estado de Santa Catarina. Alguns deles com 0% de cobertura na captação e tratamento de esgoto, e esse quadro tem que ser modificado. Então, nós precisamos de empresas estatais muito mais resolutivas, é isso que a gente deseja.

Moacir Pereira: Candidato, o senhor foi o primeiro lançado oficialmente como postulante ao governo de Santa Catarina. Fechou logo a sua coligação, portanto foi o que mais girou pelo nosso Estado há vários meses. O que o senhor percebeu assim que a população catarinense mais deseja do Governo do Estado?

Gean Loureiro: A prioridade hoje não tem como fugir, é a saúde, né? Hoje nós temos problemas de planejamento, problemas de funcionamento, falta de referências nas regiões para poder ter atendimento. Na verdade, não se profissionalizou o serviço da saúde nos últimos quatro anos. E decaiu muito nesse período. Você vê que a gente não teve planejamento que chegou a faltar leito de UTI pediátrico. Moacir, quando falta leito para criança tu imagina o resto. Chegou a morrer duas crianças por falta de leito de UTI. Isso é inaceitável para um Estado como Santa Catarina. Nós não podemos viver isso. O segundo ponto crítico é a questão das nossas estradas. O estado em que elas se encontram, nós já falamos que precisa ser modificado. E o terceiro ponto que se fala pouco é o apagão de mão de obra qualificada que se tem em Santa Catarina. Hoje nós dependemos do sistema S, com Senai qualificando, que é muito pouco para a demanda que existe, e o Governo do Estado pouco trabalha nessa qualificação de mão de obra. Para isso nós vamos modificar o ensino médio, onde vamos realizá-lo num período integral, além do regular, também o ensino técnico, garantindo empregabilidade dos jovens que saem das escolas. Hoje nós estamos formando uma legião de desempregados e de jovens sem qualificação para o mercado de trabalho. A gente quer preparar jovens que saem com empregabilidade e prontos para atuar na indústria catarinense.

Vanessa da Rocha: Candidato, nós recebemos perguntas de todas as nossas regiões do Estado, dentro do jornalismo focado em cada região que o grupo ND estabelece. Em relação à região Oeste, entre os questionamentos sobre saúde, se destacou a questão da saúde, mas também se destacou a questão do agronegócio e da segurança. Então eu gostaria de questionar quais são as suas propostas para melhorar essas áreas, em especial a região Oeste do Estado.

Gean Loureiro: O agronegócio tem três assuntos que são fundamentais, um a gente já tocou, que é a infraestrutura. Hoje, nós não temos estradas para poder permitir a chegada de insumos e muito menos o escoamento da produção, onde grande parte é exportada e precisa ir até o Litoral nos portos catarinenses. Temos uma BR-282 totalmente defasada, onde não se discute a sua duplicação. Nós queremos ir junto ao presidente da República discutir o não pagamento da dívida do Estado em contrapartida de o Estado executar a duplicação da BR-282, para que isso possa se concretizar. Essa é uma obra de Estado, não é uma obra de governo. Ela não vai acabar em quatro anos. Mas ela tem que começar iniciando pelas áreas urbanas, onde têm que ter essa duplicação imediata. Realizando as terceiras faixas, e posteriormente, a sua duplicação por completo. São etapas em ordem que podem ser realizadas de maneira prioritária que modificam o quadro. Hoje a produção está saindo de madrugada para garantir um menor trânsito, mas a insegurança nas rodovias é extrema. Além da infraestrutura, nós temos o problema da energia. Onde não temos energia trifásica para o agricultor, que sente muita dificuldade com a variação da dosagem de energia que chega. Isso vem causando problemas nos frigoríficos, causando problemas numa série de indústria do agronegócio prejudicando muito a produção. E o terceiro, é a acessibilidade à internet. Hoje a própria Secretaria da Fazenda está exigindo nota fiscal eletrônica, mas não levou uma rede até o pequeno agricultor para garantir que ele possa emitir do seu local a nota fiscal eletrônica. Então são três pontos fundamentais que vão garantir mais competitividade para a indústria. Fora isso, na segurança nós temos um problema sério de efetivo. O governo Raimundo Colombo ingressou 5.500 policiais na Polícia Militar. O governo Carlos Moisés ingressou mil policiais na Polícia Militar. Hoje nós temos menos policiais militares do que tínhamos há quatro anos. Hoje nós temos menos policiais civis do que tínhamos há quatro anos. E não se tem uma política de reposição. A própria estrutura de capacitação e treinamento dos cursos é para atender apenas 500 policiais por semestre. Isso dá apenas mil policiais por ano. E a previsão de aposentadoria é mais de dois mil em 2023. Você vê como o quadro tem que ser alterado. Essa alteração vai se discutir de várias formas, ampliando a estrutura de capacitação e garantindo que possa modificar esse quadro. A Polícia Civil está comprometendo, essencialmente, a polícia investigativa. Muitos inquéritos não vêm sendo realizados, e o que que o criminoso está sentindo? Está sentindo que a impunidade está prevalecendo. Então, eu posso rescindir porque eu nunca sou condenado. Tem inquérito que acaba não acontecendo. Hoje o descontentamento da Polícia Civil, que não tem diálogo com o governo do Estado, assim como os praças que também não têm diálogo, vem piorando ainda mais essa relação, desmotivando toda a estrutura de recursos humanos que tem que ser modificada e no nosso governo a gente vai fazer a diferente.

Moacir Pereira: Então quer dizer que a Polícia Militar e a Polícia Civil fazem milagres em Santa Catarina, porque os juízes são positivos.

Gean Loureiro: Eles são muito qualificados. Não, nós temos uma série de motivos que levaram isso que já vem acontecendo há mais de dez anos. Primeiro deles é a qualificação com melhor armamento, usos de tecnologia, a tendência de redução é uma característica nacional da criminalidade. Agora dizer que a sensação de segurança acontece, isso não acontece. Eu dou um prêmio para quem achar um policial na rua fazendo ronda hoje. A gente não acha. Qual é a sensação que tem? Eu estou visitando muitas regiões. Vai em Joinville, pergunta se eles estão felizes, Balneário Camboriú.

Moacir Pereira: Quais outras regiões?

Gean Loureiro: Cidades que diminuíram o seu efetivo, em grande parte da estrutura houve uma redução de efetivo. A garantia da segurança começa pela ostensividade. E você precisa ter um efetivo fazendo. É em conjunto com isso. Significa ter equipamentos, armamento adequado e ter o uso da tecnologia que acaba tendo um alcance muito maior.

Vanessa da Rocha: Candidato, nesse contato com o eleitor, queria falar um pouquinho sobre a sua estratégia política e também sobre marketing político. A gente sabe que é uma das campanhas mais conectadas. O senhor é muito ativo nas redes sociais e vários candidatos lançam estratégias, até mesmo para se aproximar do público jovem, para se aproximar do público das mulheres. E o senhor, em diversos momentos, tem defendido pautas bem diversas. Uma delas é a questão da defesa dos animais de rua que, em geral, é uma pauta que é defendida nos municípios, que é tratada no âmbito municipal. Na defesa desses assuntos e, sem sombra de dúvidas, os animais de rua têm uma importância elementar, mas diante de tantos assuntos importantes, estruturais para o Estado, fundamentais para a economia, para o desenvolvimento do Estado, o senhor está defendendo esse tipo de pauta. O senhor não teme ser interpretado como uma alternativa, como uma política de fisgar votos do eleitorado?

Gean Loureiro: Olha, primeiro eu gostaria de dizer que quem vai definir uma estratégia para usar na eleição está fora da rede. Você tem que construir isso durante toda uma carreira. Eu sempre atuei na rede social, e não só na campanha. Segundo é que nós abordamos vários temas e em muitos temas existe uma omissão por parte do governo do Estado. E omissão como na área de justiça social, assistência social. Eu estou falando de uma área da saúde, que é a área da proteção dos animais. Você observa o seguinte: Florianópolis é um exemplo nacional em proteção aos animais. Tem a Diretoria do Bem-Estar Animal que faz o atendimento gratuito com veterinários para população carente. Estrutura no sistema de castração eficiente. Faz adoção responsável. Mas o pequeno município consegue fazer isso? Ele não consegue fazer isso. Daí o desenvolvimento regional tem que estar o braço do Estado, que se omite totalmente e não participa desse tema. Eu citei a proteção aos animais, mas tem vários outros temas. Vamos falar das mulheres vítimas de violência, que é um tema importante. Será que o Estado vai dizer: ‘é responsabilidade do município. Eu lavo as minhas mãos?’ Não pode ser assim. Porque o pequeno município não consegue ter uma estrutura de um caso, outro caso. Mas uma estrutura regionalizada consegue atender uma diversidade de municípios. E daí o Estado tem que participar. Cada vez mais o Estado está se afastando dos problemas da sociedade e deixando sob responsabilidade dos municípios. Ou ele tem que ser parceiro dos municípios, ou ele tem que desenvolver, ele não pode se afastar.

Gean Loureiro promete reformas em mais de 900 escolas estaduais – Foto: Leo Munhoz/NDGean Loureiro promete reformas em mais de 900 escolas estaduais – Foto: Leo Munhoz/ND

Moacir Pereira: Candidato, é consenso aqui em Florianópolis, salvo as oposições radicais, de que uma das qualidades da sua gestão foi a questão da educação. A educação realmente é um brinco, as escolas, a gente percebe, é visível a olho nu, é só passar nas escolas. No Estado de Santa Catarina, o que eu percebo também é que você vai em qualquer município, uma escola maravilhosa é municipal, já uma escola caindo de pedaço é estadual. Eu queria saber o seguinte, se o senhor tem alguma ideia para mudar esse quadro?

Gean Loureiro: Nós temos que mudar. Nós temos 1.264 escolas estaduais, praticamente 900 delas não tiveram qualquer tipo de manutenção nos últimos quatro anos. As que foram reformadas, tiveram estrutura, elas chegam a trezentas e poucas escolas. Esse quadro tem que ser modificado. Eu quando assumi a prefeitura de Florianópolis investia um R$ 1 milhão na manutenção de 123 unidades. Hoje nós investimos mais de R$ 20 milhões. Essa manutenção tem que ser constante. Ela não pode ser de ano em ano, de quatro em quatro anos. Você tem que ter lotes definidos com empresas de manutenção, para quando chover dentro, resolver. Mas hoje em dia chove dentro e continua chovendo dentro. Hoje em dia se quebra uma janela e continua quebrada a janela. Hoje em dia se destrói uma quadra, a tabela de basquete, a trave do campo de futebol, e ficam destruídas. Tem que se fazer uma vaquinha da associação dos pais e professores para poder recuperar a escola. Quando o básico deveria ser feito.

Moacir Pereira: Isso depende de quem? Do governador?

Gean Loureiro: Depende do governador, claro. Depende do governo do Estado. É a Secretaria de Estado de Educação que tem que fazer. Só que ele não conseguiu licitar ainda uma estrutura de manutenção. Está há quatro anos para fazer isso e não conseguiu. Está na hora de dar a vez para outro para poder fazer, né, Moacir?

Vanessa da Rocha: Gestão financeira, como que o senhor vai buscar esse dinheiro para fazer investimentos? O senhor pensa em aumentar o endividamento do Estado? Como o senhor pretende conduzir?

Gean Loureiro: Primeiro, o nosso compromisso é reafirmado. O compromisso de não aumentar impostos. Eu fiz isso em Florianópolis nos cinco anos e três meses que passei, por sinal reduzi alíquotas tributárias. Nós temos o compromisso muito claro de não aumentar impostos. Hoje o Estado vem pagando uma dívida pretérita, que aconteceu em governos anteriores, que é um procedimento normal. Agora novos investimentos se fazem com recursos próprios e com recursos de financiamentos contraídos. Florianópolis, a avaliação do RIT da Secretaria do Tesouro Nacional, era “C menos”. Hoje ele é “triplo A”, a melhor avaliação que poderia ter. Então, você cuida primeiro da gestão fiscal. Gestão fiscal é cuidar do custeio da folha, do custeio do governo do Estado. Saber a sua capacidade de investimento e, à medida que tem capacidade de investimento, você pode utilizar recursos próprios e recursos de financiamento. Esses dois combinados podem alavancar um canteiro de obras para Santa Catarina, que é o que nós vamos fazer.

Moacir Pereira: Candidato, questão, turismo e cultura, arte e cultura. O senhor sabe que Santa Catarina é um estado único no Brasil, tem um mosaico folclórico, artístico, cultural, coral, banda, enfim, que é uma coisa maravilhosa, mas o poder público não tem incentivado muito isso, com frequência, não existe uma política pública para essa área. Turismo e cultura estão juntos, o senhor sabe disso melhor do que eu. Algum projeto específico nessa área?

Gean Loureiro: Sim, nós vamos trabalhar a diversidade das características turísticas e culturais. Hoje você tem uma estrutura de águas termais que é pouco explorada em Santa Catarina. Você tem um turismo rural em regiões, como o Planalto Norte indo de Campo Alegre até Mafra, que é muito pouco explorado. Não se trabalha promoção, não se trabalha a divulgação correta. Nem a infraestrutura para o turista trabalhar. Agora você tem que fazer rotas turísticas. Onde a cultura esteja envolvida, o turista permaneça mais tempo no seu destino e a garantia de que ele vai poder voltar, com um bom atendimento. Se nós trabalharmos com essa característica, a cultura vai ser um dos pilares fortes do turismo catarinense.

Moacir Pereira: Vamos a um bate-bola para encerrar. Nós estamos com seis minutos ainda, nossa sabatina do Conexão ND Voto Mais, especial com os candidatos ao governo de Santa Catarina. Sim ou não? Favor ou contra?

Moacir Pereira: Saidinha nas prisões.

Gean Loureiro: Contra.

Moacir Pereira: Portanto muda logo, se depender do senhor, né?

Gean Loureiro: Tem que ver a legislação.

Moacir Pereira: Foro privilegiado.

Gean Loureiro: Também não. Sou contra.

Moacir Pereira: Prisões em segunda prisão

Gean Loureiro: Tem que avaliar o quadro quando a decisão é colegiada.

Vanessa da Rocha: Privatizações. Há muitas estatais que não prestam bom serviço, outras prestam. Como que o senhor conduziria?

Gean Loureiro: As que não cumprem função social, se a alternativa for mais barato e mais eficiente, serão privatizadas.

Moacir Pereira: Entre as estaduais, há alguma que o senhor colocaria para a privatização ou não?

Gean Loureiro: Eu gostaria de ter uma Celesc muito forte sem privatizar. Agora, se cada vez mais continuar sendo uma Celesc que só dá lucro para os acionistas, então é melhor privatizar.

Moacir Pereira: As nacionais, se o senhor tivesse condições de pedir ao presidente para privatizar, o que o senhor pediria?

Gean Loureiro: Nós temos diversos sistemas, né? Muitas políticas de privatização do governo federal já vêm acontecendo com muita eficiência. Em determinados setores a gente viu o resultado. Olha a telefonia como era antes e como é hoje. Depois de privatizar. Então a gente vê ineficiência do poder público trabalhando em setores que não são essenciais, em que a iniciativa privada poderia trabalhar.

Moacir Pereira: Fim da reeleição.

Gean Loureiro: Bom, eu tenho um compromisso aqui, vou cumprir apenas os quatro anos e não serei candidato à reeleição.

Moacir Pereira: Ponto facultativo.

Gean Loureiro: É uma coisa que eliminei quando fui prefeito de Florianópolis. Então não tem lógica, esses “emendões” que são feitos, que acabam trazendo um prejuízo a toda a sociedade.

Vanessa da Rocha: Calendário eleitoral, eleições a cada dois anos. O senhor apoiaria uma mudança?

Gean Loureiro: Sim, acho que a reforma eleitoral é uma das grandes reformas que tem que ter. Primeiro nós não podemos mais aceitar a sopa de letrinhas, tem mais de 30 partidos políticos no nosso país. Depois tem uma eleição a cada dois anos, quando se deixa de ter o foco na gestão e passa ter o foco mais na eleição.

Vanessa da Rocha: Modelo de escolha para os ministros do STF. O senhor acha que está bom da maneira atual ou tem que mudar?

Gean Loureiro: O que tem que ser mudado são as decisões que acontecem de maneira monocrática. Não tem lógica aprovar uma proposta de legislação na Câmara Federal com 513 deputados, com 81 senadores, tem uma sanção do presidente da república e um único ministro do STF cancelar tudo isso. No mínimo tem que ser decisões colegiadas, evitando uma decisão individual que pode ser equivocada, afinal de contas, são seres humanos.

Moacir Pereira: Isso acabou de acontecer, né? O piso de salário da enfermagem, o senhor está acompanhando, né?

Gean Loureiro: Claro, estou acompanhando. Houve uma decisão suspendendo o efeito que agora está se discutindo como se aplicar. Nós não podemos ter decisões monocráticas que comprometam. Nós temos 513 deputados eleitos, 81 senadores. Um presidente da República eleito. Daí de repente um ministro sozinho decide que aquilo não é constitucional. Não tem lógica. Então que se tome uma decisão colegiada com mais ministros, onde o debate vai prevalecer uma decisão mais regular.

Moacir Pereira: Ativismo judicial.

Gean Loureiro: Olha, eu acho que já vem se discutindo muito essa mudança, do que tem que ser feito. Em que pese, o judiciário ter adentrado áreas como do Legislativo e do Executivo. Acho que vai chegar o momento do equilíbrio, que é o que a gente espera.

Vanessa da Rocha: Financiamento público de campanha.

Gean Loureiro: Olha, eu trago um comparativo quem está me vendo. Se não tivesse financiamento público provavelmente algumas empresas estariam financiando. Será que o candidato não ia atender o interesse dessas empresas? Ou interesse de toda a população? Em valores aceitáveis, o financiamento público é o melhor modelo, na minha opinião.

Moacir Pereira: Mas R$ 4,9 bilhões?

Gean Loureiro: Eu falei em valores aceitáveis.

Moacir Pereira: Isso é aceitável ou não?

Gean Loureiro: Não, em valores aceitáveis, não um valor que foi proposto. Pode-se ter um valor menor garantindo esse financiamento.

Moacir Pereira: Redução da maioridade penal.

Gean Loureiro: Não, eu não sou a favor da redução da maioridade penal. Acho que a gente tem que trabalhar o adolescente como adolescente, tendo aquilo que prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente para ter as punições, e o código penal para punir quem tem mais de 18 anos.

Vanessa da Rocha: Endurecimento dos crimes do colarinho branco. Mudaria algo, o que mudaria?

Gean Loureiro: Acho que a gente tem que modificar muito, né? Os crimes de corrupção, que são conhecidos como crime do colarinho branco, têm que ser banidos da sociedade. Para isso, uma legislação mais forte vem inibir que isso aconteça. Mas muito mais do que isso, é a fiscalização que pode modificar.

Moacir Pereira: O que mais entrava hoje no desenvolvimento do Brasil, na sua opinião? Gean Loureiro: Bom, eu acho que é burocracia, né? A burocracia continua trazendo sérios problemas. Hoje para se abrir uma empresa, em nível nacional, é muito difícil. Aqui em Florianópolis demorava 176 dias para abrir uma empresa. Nós conseguimos para reduzir quatro horas. A Capital que abre mais rápido uma empresa no país. E para fechar então é outra loucura. Mas para se desenvolver a empresa, são necessárias muitas autorizações certidões, muito imposto. É uma confusão, você tem que ter uma estrutura só para cuidar da burocracia estatal.

Moacir Pereira: O último livro que você recomendaria para os seus alunos?

Gean Loureiro: Eu sempre digo o seguinte, na universidade eu li muito, né? Norberto Bobbio, O discurso e a retórica, eu acho que cada um tem a sua característica de leitura, não sou muito do romance, eu sou mais de livros de gestão que participa, então eu recomendo algum com essa característica.

Moacir Pereira: Qual foi a última vez que o senhor assistiu a um filme cinema?

Gean Loureiro: Ora, eu confesso que faz tempo que eu não vou ao cinema, mas em casa eu tenho assistido.  A Lista de Schindler é um dos meus favoritos. Eu reassisti recentemente. Tem uma brilhante atuação e uma história real que faz a gente se emocionar.

Vanessa da Rocha: Encerramos, então estamos na linha final. Muito bom o bate-papo. Moacir Pereira: Então, 40 segundos para a sua despedida. Obrigado pela presença mais uma vez. Um grande abraço e estamos aqui à disposição.

Gean Loureiro: Obrigado, Moacir Pereira. Obrigado, Vanessa da Rocha. Obrigado a você que nos acompanhou. Eu queria ter oportunidade aqui de pedir uma chance para você. E pedir o seu voto. Pedir a sua atenção para as nossas a propostas. Acompanhe o nosso programa eleitoral, acompanhe o nosso perfil nas redes sociais e tenha certeza do que a gente pode fazer. Eu já fiz muito por Florianópolis, posso fazer por Santa Catarina, mas sei que o nosso Estado não tem uma só capital, tem várias e eu vou saber respeitar todos. Por isso eu peço quatro anos, apenas quatro anos eu transformo Santa Catarina. Bora trabalhar!