Salvar a democracia com Ciro Gomes?

Talvez quando governadores tucanos rasgam a Constituição para abolir o direito de ir e vir, decidir o que é produto essencial e qual negócio pode ou não funcionar

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Um grupo de seis possíveis candidatos à presidência em 2022 lançou esta semana um manifesto em “defesa da democracia” e contra o autoritarismo. O manifesto ocorre depois de o presidente Jair Bolsonaro demitir o ministro da Defesa, o general Fernando Azevedo e Silva; e os comandantes da Marinha, da Aeronáutica e do Exército.

Ciro Gomes foi um dos candidados à presidência da República em 2018 – Foto: Marcelo Camargo/Agencia Brasil/DivulgaçãoCiro Gomes foi um dos candidados à presidência da República em 2018 – Foto: Marcelo Camargo/Agencia Brasil/Divulgação

O texto é assinado pelo ex-ministro da Saúde Mandetta (DEM), que transformou a pandemia em palanque eleitoral e mandava todos ficarem em casa até sintomas graves; pelo apresentador de TV, Luciano Huck, um tucano de alma que adora “lacrar” nas redes sociais; pelos ex-candidatos presidenciais em 2018 Ciro Gomes (PDT), um arrogante e autoritário político de esquerda, e João Amoêdo (Novo), um tucano alaranjado obcecado em pedir o impeachment do presidente; e ainda pelos governadores tucanos João Doria (SP) e Eduardo Leite (RS), que não possuem bons resultados para mostrar como gestores nessa pandemia, apesar de abusarem de medidas autoritárias e tentarem monopolizar a fala em nome da ciência.

A imprensa está adotando a narrativa de que se trata de um manifesto que une da esquerda à direita, faltando só apontar qual o direitista no grupo. São todos tucanos em essência, fora Ciro Gomes, um radical oportunista que já passou por tudo que é partido e foi ministro no governo do PT, de extrema esquerda.

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“A conquista do Brasil sonhado por cada um de nós não pode prescindir da Democracia. Ela énosso legado, nosso chão, nosso farol. Cabe a cada um de nós defendê-la e lutar por seus princípios e valores”, diz um trecho do documento, intitulado “Manifesto pela Consciência Democrática”. Resta saber onde exatamente a democracia está ameaçada.

Talvez quando governadores tucanos rasgam a Constituição para abolir o direito de ir e vir, decidir o que é produto essencial e qual negócio pode ou não funcionar? Talvez quando o STF cria inquérito ilegal e persegue críticos, mandando para a prisão até deputado com imunidade parlamentar? Nada disso consta no documento.

Rodrigo Saraiva Marinho, que foi candidato pelo Novo em Fortaleza, desabafou: “Ciro Gomes é o que há de pior na política brasileira, tem o autoritarismo tão criticado em uns e o absurdo estatismo tão criticado em outros. É triste ver um dos membros fundadores do Novo assinando uma carta com o líder do grupo familiar que vem destruindo o Ceará há anos”.

Em seguida, ele lembrou de uma declaração de Ciro: “A Venezuela é uma democracia. Tão democrática quanto a brasileira e a americana”. É com uma figura dessas que vamos salvar nossa democracia da suposta ameaça bolsonarista? É realmente uma piada de mau gosto, e mostra o grau de oportunismo e politização da esquerda nessa pandemia.