SC tem alta de 67% nas candidaturas de negros e aumento é ‘puxado’ por mulheres

Dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) apontam que 154 negros são candidatos neste ano; em 2018, eram 92

Redação ND Florianópolis

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Santa Catarina registra alta de 67% nas candidaturas de negros nas eleições deste ano quando comparado com o pleito de 2018. Dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) apontam que 154 negros se candidataram a cargos. Entre os negros, 94 disseram ser pardos (9,83%) e 60, pretos (6,21%). Em 2018, o número era de 92 postulantes negros.

As mulheres, que vêm conquistando mais espaço no ambiente político, impulsionaram o crescimento de candidaturas negras no Estado – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/NDAs mulheres, que vêm conquistando mais espaço no ambiente político, impulsionaram o crescimento de candidaturas negras no Estado – Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil/ND

Vale lembrar que o prazo para o registro dos nomes que concorrem ao pleito deste ano encerrou na segunda-feira (15).

As mulheres, que vêm conquistando mais espaço no ambiente político, impulsionaram o crescimento de candidaturas negras no Estado. O cenário é consequência de mudanças na legislação eleitoral.

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A Lei Eleitoral define, por exemplo, que os partidos devem repassar para as candidaturas femininas o mínimo de 30% dos recursos das campanhas eleitorais.

Além disso, a reforma eleitoral aprovada pelo Congresso no ano passado adotou novas regras para incentivar a eleição de mulheres e negros para a Câmara dos Deputados. Os votos dados a mulheres e pessoas negras contarão em dobro para a distribuição de recursos do Fundo Eleitoral entre os partidos políticos.

No Estado, são 71 candidatas negras entre as 313 mulheres disputando cargos nas Eleições 2022, sendo que 38 delas (12,06%) se identificam como pardas e 33 (10,48%) como pretas. Em 2018, o número era de 25 candidatas negras entre as 247 postulantes. Isso significa um aumento de 184%.

Para o professor e cientista político Thiago Borges, do Departamento de Sociologia e Ciência Política da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), o quadro de candidaturas negras vem mudando por conta dos incentivos institucionais e obrigações por parte dos partidos, como o financiamento de campanhas.

Borges considera ainda que, nos últimos anos, aumentou a mobilização de grupos sociais que tentam superar as adversidades e se inserir na esfera política.

“Os grupos veem nesse meio uma importante arena para a realização de políticas públicas, a garantia de direitos e a proteção contra retrocessos. Um exemplo, são as candidaturas coletivas que têm tentado se inserir na disputa e serem competitivas de fato, angariando votos e sendo eleitas”, analisa o professor.

Negros e mulheres ainda são minoria em SC

Pela primeira vez no Brasil, o número de candidatos negros serão maioria nas urnas. Os candidatos negros – que se autodeclararam pretos ou pardos – são quase 50%. Se autodeclararam brancos menos de 49%.

Em contrapartida, em Santa Catarina, o cenário é outro. Os negros e as mulheres são minoria na política catarinense. As candidaturas de brancos representam 83,13% do total de candidatos, com mais de 800 elegíveis.

Já mulheres representam somente 33% de todas as candidaturas do Estado. Santa Catarina acompanha a média nacional de candidaturas femininas: no Brasil, são 9.406 mulheres, ou seja, 33,27% do total. Em comparação com as eleições anteriores, em 2018, o número de candidatas em Santa Catarina aumentou 1,07 pontos percentuais.