Finalmente chegaram as eleições presidenciais. Para um país que passa quatro anos perguntando “se as eleições fossem hoje”, chega a ser um anticlímax o momento real do voto.
Eleições de 2022 irão ocorrer em – Foto: Divulgação/NDÉ o momento em que fica para trás uma multidão de possibilidades, de projeções, de deliciosas especulações e, principalmente, de presidentes imaginários que surfaram na espuma das imaculadas pesquisas de intenção de voto. Esta é, portanto, a hora de se homenagear tantos presidenciáveis de mentirinha, que passaram anos nas manchetes pautando o debate político como se relevantes fossem.
É a hora de celebrar essas figuras emblemáticas que caem no esquecimento justamente no momento que as tornou famosas: a eleição presidencial — que infelizmente chegou, aniquilando cruelmente toda essa fantasia. Se as eleições fossem hoje, e se hoje fossem dois anos atrás, João Dória estaria nos debates presidenciais mentindo com grande convicção sobre eficácia de vacinas de Covid.
SeguirÉ um desperdício a ausência de Doria, o falso presidenciável mais famoso do Brasil — que o consórcio de imprensa achou que poderia ser construído em laboratório a golpes de manchete antibolsonarista.
Doria faz muita falta para bradar todo o seu humanismo, toda a sua obsessiva preocupação com a saúde dos seus semelhantes, enfim, essa vocação missionária para salvar vidas, vidas, vidas – palavra que ganhou novo sentido depois que virou bordão diário na boca mascarada desse samaritano empapado de gel.
Quem mais teria a desinibição de usar o Instituto Butantã para espalhar dados falsos (e exatos) sobre o número de vidas salvas pelo lockdown de fundo de quintal do indefectível “Centro de Contingência” — que por contingências da vida deixava o transporte público apinhado, enquanto o magnífico governador se mandava para Miami (onde não havia lockdown, porque ninguém é de ferro).
Certamente a campanha presidencial de João Doria estaria neste momento estampando no horário eleitoral gratuito as fotos em que ele aparecia esparramado numa espreguiçadeira de hotel de luxo no Rio de Janeiro em plena era do toque de recolher. Pegar sol enfiado numa muvuquinha Vip não deixa de ser uma forma de recolhimento.
Doria certamente roubaria a cena nessa reta final de campanha. Tanto que nem arranjamos espaço para destacar outros grandes presidenciáveis de festim — como o governador soviético do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, e sua política de bloqueio de gôndolas de supermercado por um mundo melhor.
Nossas homenagens póstumas também a candidaturas presidenciais inesquecíveis como as de Sergio Moro, Wilson Witzel, Rodrigo Pacheco, Flávio Dino, Rodrigo Maia, Henrique Mandetta e outros heróis da imprensa falida. O Brasil teria morrido de tédio sem eles.