Seis meses de uma ‘guerra absurda’ na Ucrânia, diz secretário-geral da ONU; veja imagens

Guterres destacou a persistente ameaça à segurança alimentar mundial após retornar de uma visita à Ucrânia e à Turquia focada nas exportações de grãos ucranianos

AFP Estados Unidos

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Os seis meses da invasão russa da Ucrânia representam um “marco triste e trágico”, disse o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, ao Conselho de Segurança nesta quarta-feira (24).

“Hoje representa um marco triste e trágico, (na conclusão) de seis meses desde que a Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro”, disse Guterres, que também denunciou as consequências dessa “guerra absurda” que vai “muito além da Ucrânia”.

Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro, mas a vida segue em meio aos tanques – Foto: Dimitar Dilkoff/AFP/NDRússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro, mas a vida segue em meio aos tanques – Foto: Dimitar Dilkoff/AFP/ND

Em particular, ele reiterou “sua profunda preocupação” com as atividades militares em torno da usina nuclear de Zaporizhzhia. “Qualquer escalada adicional da situação pode levar à autodestruição”, alertou.

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Sobre esse ponto, em um discurso por vídeo, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky disse ao Conselho que a Rússia “deve parar incondicionalmente a chantagem nuclear” e “retirar-se completamente” da central nuclear de Zaporizhzhia.

Ucrânia acusa Rússia de promover uma chantagem nuclear – Foto: Ronaldo Schemidt/AFP/NDUcrânia acusa Rússia de promover uma chantagem nuclear – Foto: Ronaldo Schemidt/AFP/ND

No início da sessão, o embaixador russo Vassily Nebenzia opôs-se à intervenção de Zelensky, sublinhando que não tinha objeções ao princípio da sua participação, mas sim ao fato de não o fazê-lo em pessoa.

Mas a intervenção foi aprovada em votação dos membros do Conselho (13 a favor, 1 contra, 1 abstenção).

Por sua vez, a representante dos Estados Unidos, Linda Thomas Greenfield, comentou que “hoje marca seis meses de guerra premeditada, injustificável, brutal e em grande escala da Rússia contra a Ucrânia”.

“Seis meses de mentiras vergonhosas e violações do direito internacional” e “seis meses de atrocidades terríveis”, denunciou.

Enquanto isso, Guterres também destacou a persistente ameaça à segurança alimentar mundial após retornar de uma visita à Ucrânia e à Turquia focada nas exportações de grãos ucranianos, que foram retomadas graças a um acordo internacional assinado em julho.

Distribuição desigual de alimentos preocupa – Foto: Bulent Kilic/AFP/NDDistribuição desigual de alimentos preocupa – Foto: Bulent Kilic/AFP/ND

“Em 2022 há comida suficiente no mundo, o problema é sua distribuição desigual. Mas se não estabilizarmos o mercado de fertilizantes em 2022, simplesmente não haverá comida suficiente em 2023”, disse ele.

Guterres viajou esta semana para Lviv, no oeste da Ucrânia, onde se encontrou na quinta-feira com o presidente ucraniano Volodimir Zelensky e seu homólogo turco Recep Tayyip Erdogan. Na sexta-feira, ele foi para Odessa, um dos três portos destinados à exportação de cereais.

No sábado, ele também visitou o primeiro navio humanitário fretado pela ONU que transportava grãos ucranianos na costa sul de Istambul.