“Será concorrência internacional”, diz secretário da Seinfra sobre Ponte Joinville

Jorge Luiz Correia de Sá falou sobre os desafios e as prioridades da pasta no governo Adriano Silva

Juliane Guerreiro Joinville

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Na penúltima entrevista com os titulares do primeiro escalão da administração no governo Adriano Silva, quem fala sobre os desafios e as prioridades da sua pasta é Jorge Luiz Correia de Sá, que assumiu a Secretaria de Infraestrutura Urbana.

Jorge é engenheiro, presidente do Seconci (Serviço Social da Indústria da Construção Civil) e diretor do Sinduscon (Sindicato da Indústria da Construção Civil de Joinville). Além disso, participou de grandes obras da região, como o Centreventos Cau Hansen e a Arena Jaraguá.

Jorge Luiz Correia de Sá é o titular da Seinfra – Foto: Rogério da Silva/NDJorge Luiz Correia de Sá é o titular da Seinfra – Foto: Rogério da Silva/ND

“Tenho 65 anos, sou empresário no ramo há mais de 40 e nunca tive esse desafio, aceitei com a minha vida toda resolvida. Mas me sinto satisfeito porque acho que consigo preparar para os meus netos e para as próximas gerações um legado. Já que a cidade me ofereceu, ao longo dos 29 anos em que moro aqui, uma série de oportunidades, aceitei o desafio para colaborar”, ressalta. Confira a entrevista:

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Quais os desafios e as prioridades da pasta?

Eu acho que o principal ponto desse primeiro momento à frente da Seinfra foi a reestruturação das subprefeituras. Nós, ao assumirmos em janeiro, encontramos as subprefeituras com 80% das pessoas de férias, completamente desestruturadas em termos de equipe. Nesse primeiro mês, estamos procurando reestruturar por meio da nomeação de profissionais da engenharia, que assumiram na última segunda-feira as oito subprefeituras.

O trabalho inicial será dar a organização padronizada. A gente recebeu oito “Joinvilles” diferentes e, nesse momento, pretendemos tornar uma única Joinville para que todos os bairros possam ter o mesmo atendimento por parte da prefeitura. Essa é a principal tarefa da Seinfra nesse momento.

Em paralelo, estamos cuidando de uma série de outras obras importantes, como a Ponte Joinville, que a gente tem encaminhado o complemento de algumas ações. Também há a parte de pavimentação e outros serviços vinculados à Seinfra, como a análise de um novo modelo de transporte público. Nós realizamos algumas reuniões com as empresas que têm a concessão e, ao longo delas, estamos encontrando soluções a curto prazo que podem melhorar a qualidade do transporte coletivo. 

Também estamos analisando a parte da limpeza pública através do contrato com a Ambiental, já que pretendemos colocar uma série de melhoramentos, até buscando cases de sucesso em outras regiões para que a gente também possa entregar uma qualidade maior que a de hoje. Não que o serviço não seja adequado, mas o princípio é qualificar cada vez mais os serviços prestados à população.

Por último, temos o desafio de fazer a renovação da iluminação pública. Isso é uma licitação que já está em andamento e a gente espera dentro desses meses iniciais estar com a licitação concluída para ter a parte de manutenção da iluminação pública em andamento.

Em relação às obras do rio Mathias, quais são os planos?

Como decisão de governo, sem dúvida, a gente entende que a população não pode ser prejudicada e estamos buscando alternativas para que a obra seja concluída. Hoje, ela está com processo judicial e existem impedimentos para a continuidade dela, mas a determinação do governo é buscar soluções para que a obra fique concluída e possa permitir à população o uso desse sistema de macrodrenagem na região de abrangência da obra.

Obras do rio Mathias estão paralisadas e uma CPI foi aberta na Câmara – Foto: Fabrício Porto/Arquivo/NDObras do rio Mathias estão paralisadas e uma CPI foi aberta na Câmara – Foto: Fabrício Porto/Arquivo/ND

Com relação aos problemas de mobilidade, a prefeitura já tomou todas as medidas técnicas necessárias para, a curto prazo, buscar solução, mas dependemos da decisão do promotor que controla esse processo no sentido de nos liberar para que o serviço possa ser executado. Já existe toda a preocupação técnica e medidas para agilizar a execução de serviços assim que a justiça determine que isso possa ser feito.

Com relação à CPI, também por determinação do governo, nós colocaremos os profissionais e toda a documentação à disposição dos vereadores. Não temos interesse em bloquear informação e tudo será colocado à disposição.

Quanto às obras na Almirante Jaceguay e uma possível duplicação da Dona Francisca, há prazo?

Preciso verificar os contratos, só vou responder depois que tiver contrato assinado. É uma irresponsabilidade da minha parte começar a falar sobre qualquer tipo de obra que quer existe projeto ou foi licitado. 

Em que estágio está o desenvolvimento da Ponte Joinville?

O projeto executivo já está concluído e temos uma segunda etapa que é de conseguir a licença ambiental de instalação. Será uma concorrência internacional: já fizemos reuniões com o BID e com o Fonplata sobre critérios e elaboração de editais.

Essa é uma obra que Joinville nunca teve na história, que muda o patamar da cidade em termos de sistema viário e cabe à prefeitura e demais órgãos envolvidos a responsabilidade de fazer um edital com qualidade. Será um marco para Joinville e nós faremos exemplo fazendo uma obra com qualidade, no prazo e, principalmente, com todos os controles exigidos para uma obra desse patamar.

Ponte Joinville vai ligar os bairros Adhemar Garcia e Boa Vista – Foto: Divulgação/NDPonte Joinville vai ligar os bairros Adhemar Garcia e Boa Vista – Foto: Divulgação/ND

Quanto à licitação do transporte coletivo, já há prazo? O que se tem pensado para o edital?

A nossa intenção é passar 2021 estudando modelos e alternativas de transporte que possam ser oferecidos à população com qualidade e preço justo. O foco é buscar alternativas de transporte, seja por ônibus, seja por bicicletas elétricas, patinetes ou a partir de aplicativos. São vários modelos que existem em outras cidades e a gente quer passar 2021 analisando, discutindo com clareza e transparência. Não estamos sendo precipitados em definir um curto prazo para depois nos arrependermos. É uma decisão muito importante: queremos que Joinville tenha transporte moderno, com custos compatíveis com os serviços prestados.

A pavimentação era uma grande queixa na gestão anterior. Quais são os planos para o serviço?

O governo tem interesse e recursos garantidos para que a gente tenha uma quantidade de obras de revitalização, pavimentação e drenagem em várias regiões da cidade. São contratos no qual há licitações já sendo providenciadas e outras estão em processo de conclusão. Teremos uma série de ruas contempladas.

Com relação à pavimentação comunitária, também por uma decisão de governo, estamos qualificando o processo. Queremos criar procedimentos, modelos e especificações para que o contribuinte que participar dessa modalidade tenha segurança jurídica e técnica, o que não vinha sendo utilizado em gestões anteriores.

Achamos que essa é uma maneira segura de passar para a população algo com durabilidade e garantia por meio de uma especificação detalhada. Haverá um manual com opções: antigamente, só havia uma opção, então a gente quer dar a oportunidade para que a população escolha a melhor alternativa para a rua. Além disso, somente uma empresa ficará responsável por cada opção.

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