Silvinei Vasques desiste de assistir ao próprio julgamento no STF

PGR denunciou Silvinei Vasques por uso da PRF para favorecer Bolsonaro nas eleições de 2022

Foto de Carolina Sott

Carolina Sott Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp
Silvinei Vasques foi denunciado pela PGR – Foto: Marcelo Camargo/Agência BrasilSilvinei Vasques foi denunciado pela PGR – Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ex-diretor da PRF (Polícia Rodoviária Federal) e atual Secretário de Desenvolvimento Econômico de São José (SC), Silvinei Vasques (PSD), desistiu de assistir ao julgamento da denúncia apresentada contra ele no STF. A decisão foi tomada por recomendação dos advogados.

Em contato com a redação do ND Mais, Vasques explicou o motivo do recuo. “Existe uma decisão anterior do STF acerca de eventuais publicações em redes sociais de terceiros. Como não temos controle sobre o que terceiros poderão postar sobre a minha pessoa e acerca do processo, entendemos que é mais seguro não participar”, justificou o secretário.

O julgamento de Silvinei Vasques e outros cinco denunciados pela PGR (Procuradoria-Geral da República) está agendado para os dias 22 e 23 de abril. Na semana passada, o ex-diretor da PRF havia solicitado ao STF autorização para acompanhar o julgamento de forma presencial, já que não sair de Santa Catarina.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

A restrição de deixar o estado faz parte de um conjunto de medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF. Entre as medidas, também está o uso de tornozeleira eletrônica por Silvinei Vasques.

Qual é a denúncia da PGR contra Silvinei Vasques?

A PGR denunciou Silvinei Vasques por supostamente coordenar um plano para manter Jair Bolsonaro (PL) no poder de forma ilegítima durante as eleições de 2022. Segundo a denúncia, Vasques teria utilizado a estrutura da PRF para dificultar o acesso de eleitores considerados desfavoráveis à reeleição de Bolsonaro aos locais de votação.

A acusação detalha a elaboração de um plano de trabalho que previa o uso da força policial para obstruir o acesso às zonas eleitorais. Vasques, juntamente com Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, também denunciado pela PGR, teria se reunido com lideranças da PF e da PRF para organizar um “policiamento direcionado” durante o segundo turno das eleições.

Silvinei VasquesEx-diretor da PRF, Silvinei Vasques – Foto: Lula Marques/ Agência Brasil

Ainda conforme a denúncia, testemunhos de policiais indicam que Vasques teria afirmado, em tais reuniões, que “era hora de escolherem um lado”.

Atualmente filiado ao PSD, Vasques esteve à frente da PRF durante o governo Bolsonaro. O ex-diretor foi preso em agosto de 2023, a pedido da Polícia Federal, por suspeita de interferência nas eleições de 2022.

Se o STF aceitar a denúncia da PGR, ele e outros cinco investigados se tornarão réus e vão responder a um processo criminal, assim como ocorreu com Bolsonaro e sete aliados do “núcleo 1”.