O plenário do STF (Supremo Tribunal Federal) vai retomar nesta quarta-feira (14), a partir das 14h, o julgamento de quatro ações que questionam a validade das emendas de relator que compõem do orçamento secreto. Os ministros começaram a analisar o caso na semana passada, mas ninguém votou.
O orçamento secreto tem sido monitorado pelo STF desde o fim de 2021. Alguns partidos políticos acionaram a Corte questionando a medida e corte e criticam a falta de publicidade sobre quais deputados e senadores usam os recursos e quanto cada parlamentar tem direito nas emendas de relator. As informações são do R7.
Votação continua nesta quarta (14) no plenário do STF (Supremo Tribunal Federal), em Brasília – Foto: Carlos Moura/SCO/STFBoa parte dos ministros do Supremo é a favor de que haja mais transparência sobre o orçamento secreto. De acordo com informações obtidas pelo R7 com fontes no STF, a tendência é de que a Corte entenda que os repasses não estão de acordo com a Constituição e que, com isso, se estabeleça uma nova modulação às emendas de relator para que haja mais clareza sobre quem utiliza os recursos.
SeguirAlteração no texto
A possibilidade de o STF alterar as regras do orçamento secreto fez o Congresso Nacional pensar em um novo formato para a medida. Na terça-feira (13), Senado e Câmara apresentaram um projeto para modificar a distribuição das emendas de relator.
De acordo com a matéria, 80% dos recursos serão repassados de acordo com o tamanho das bancadas partidárias, sendo 2/3 para a Câmara e 1/3 para o Senado. Do restante, 7,5% ficarão com a mesa diretora do Senado, 7,5% com a mesa diretora da Câmara e 5% com a Comissão Mista de Orçamento do Congresso.
Suspensão em 2021
No ano passado, quando o STF passou a analisar o tema, a ministra Rosa Weber, relatora das ações contra o orçamento secreto, suspendeu temporariamente a execução dos recursos e cobrou do Parlamento que desse informações mais detalhadas sobre como era feita a repartição da verba, com o nome de deputados e senadores que usufruíram as emendas em 2020 e 2021, e quais critérios técnicos eram levados em conta para a distribuição dos recursos.
Enquanto o orçamento secreto estava suspenso, Câmara e Senado aprovaram um projeto de resolução sobre o tema que previa, entre outros pontos, a criação de um site para que fossem publicadas todas as informações relacionadas às indicações das emendas. No entanto, o endereço eletrônico feito pelo Congresso não informa com clareza quais parlamentares usufruíram dos recursos.
Além disso, as duas casas publicaram um ato conjunto para detalhar alguns dados sobre o uso dos recursos nos últimos dois anos, como para quantos ministérios esses recursos foram destinados e quantas prefeituras foram contempladas com emendas.
Entretanto, a publicação não informou quais parlamentares receberam a verba. De todo modo, Weber continuou cobrando a divulgação do nome de todos os parlamentares que usaram emendas em 2020 e 2021, o que foi feito pelo Congresso apenas neste ano.