Um suposto rompimento político e a exoneração de Maria Juraci Alexandrino (MDB) do cargo de secretária de Educação de Penha, no Litoral Norte de Santa Catarina, teria motivado a retirada do gabinete dela, que também é vice-prefeita, eleita em 2020 ao lado de Aquiles da Costa (MDB), prefeito do município.
Maria Juraci (MDB) usou a tribuna na Câmara de Vereadores para fazer esclarecimentos sobre a exoneração dela da secretaria de Educação – Foto: CVP/Divulgação/NDA situação chegou até a Câmara de Vereadores da cidade, onde Maria Juraci se manifestou na tribuna, nesta segunda-feira (20). Ex-secretária de Educação, mas ainda vice-prefeita, ela alegou estar sofrendo “perseguição política”.
Na quarta-feira (22), um pedido de devolução do gabinete foi protocolado por Maria Juraci. Este seria a terceira solicitação. Conforme a Lei Complementar municipal 143/2020, o gabinete deve ser disponibilizado pela administração municipal.
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A vice-prefeita acumulava os dois cargos até 15 de fevereiro deste ano, quando foi exonerada após dois anos na função. Pouco antes da sessão que ela participou, o Executivo municipal protocolou um ofício em resposta à solicitação do Legislativo de um balanço dos gastos da Educação em 2022. O relatório aponta que a secretaria de Educação teria ultrapassado o próprio orçamento fiscal em 40%, atingindo a marca de R$ 72 milhões no ano passado (R$ 41,4 milhões com a folha de pagamento).
Chapa Aquiles e Maria Juraci foi eleita em 2020 com 6.359 votos – Foto: Reprodução/FacebookA resposta do prefeito Aquiles confirma os números apontados pelo Legislativo. A Câmara aprovou para 2022 um orçamento de R$ 55 milhões para a secretaria de Educação. Para pagar os salários, a secretaria usou R$ 34.904.970,99 do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica), repassados pelo governo federal, e suplementou R$ 6.569.454,05 com recursos da própria prefeitura.
Isso teria motivado a exoneração de Maria Juraci, que usou a tribuna para se manifestar. Ela afirmou que “tudo é do governo, é um conjunto. Eu era secretária de Educação, mas não tinha a chave do cofre; não ‘fazia PIX’, não contratava pessoal nem empresas. Tudo passa pela secretaria de Administração, pela Procuradoria, pela secretaria de Governo, e obviamente pelo prefeito. O prefeito assina tudo, sabe de tudo, ele é quem tem tinta na caneta”, pontuou.
A reportagem do ND+ procurou a prefeitura, que afirmou por meio da assessoria de imprensa que o prefeito vai se manifestar oficialmente nas próximas semanas, na tribuna da Câmara de Vereadores.