Taiwan relatou 21 incursões chinesas em sua Zona de Identificação de Defesa Aérea (ADIZ) nesta terça-feira (2), no mesmo dia da chegada da presidente da Câmara de Representantes dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, à ilha reivindicada por Pequim como parte de seu território.
Visita de Nancy Pelosi a Taiwan elevou a tensão diplomática com a China – Foto: Reprodução/@SpeakerPelosi/NDSegundo o Ministério da Defesa de Taiwan, “21 aviões do ELP [Exército de Libertação Popular da China] (…) ingressaram no sudeste da ADIZ taiwanesa”. A ADIZ cobre uma área maior do que o espaço aéreo de um país e, no caso de Taiwan, sobrepõe-se parcialmente à da China.
Pelosi chegou a Taiwan ignorando as advertências da China, que denunciou as ações “extremamente perigosas” de Washington e ameaçou adotar ataques “seletivos” de represália.
SeguirImagens de televisão mostraram a representante democrata, de 82 anos, em sua chegada ao aeroporto Songshan de Taipei, onde foi recebida pelo ministro das Relações Exteriores de Taiwan, Joseph Wu.
A visita mostra o “apoio incondicional” dos Estados Unidos à ilha, embora “não contradiga” a política de Washington em relação à China, disse um comunicado do gabinete de Pelosi, que pertence ao mesmo partido do presidente Joe Biden e é a segunda na linha de sucessão presidencial.
A Chancelaria de Taiwan também assegurou que a visita mostra o apoio “sólido” de Washington à ilha de 23 milhões de habitantes.
Our visit reiterates that America stands with Taiwan: a robust, vibrant democracy and our important partner in the Indo-Pacific. pic.twitter.com/2sSRJXN6ST
— Nancy Pelosi (@SpeakerPelosi) August 2, 2022
A China, que considera Taiwan uma província rebelde, anunciou pouco antes que seus aviões caça cruzaram o Estreito de Taiwan e prometeu “ações militares seletivas” de represália.
O governo de Pequim afirmou que os Estados Unidos estão fazendo ações “extremamente perigosas” e advertiu que “quem brinca com fogo morre queimado”.
“O EPL (Exército de Libertação do Povo Chinês) está em alerta máximo e lançará uma série de ações militares seletivas para (…) defender a soberania nacional e a integridade territorial e frustrar a interferência externa e as tentativas separatistas de ‘independência de Taiwan'”, afirmou o porta-voz do Ministério da Defesa, em um comunicado.
A China disse ainda que seus aviões caça cruzaram o Estreito de Taiwan nesta terça-feira. Autoridades militares em Washington indicaram que vários navios de guerra americanos estavam navegando nas águas da região de Taiwan.
– EUA “pagará o preço” –
China e Taiwan estão separados desde 1949, quando as tropas comunistas de Mao Tsé-Tung derrotaram os nacionalistas, que se refugiaram na ilha.
Em 1979, os Estados Unidos reconheceram o governo de Pequim como representante da China, embora continuassem a dar apoio militar a Taiwan.
Pelosi, que chegou à ilha como parte de uma viagem pela Ásia. É a mais alta autoridade americana a visitar Taiwan desde seu antecessor Newt Gingrich, em 1997.
A possibilidade dessa escala atiçou as tensões regionais.
Pelosi#Taiwan #China
What could possibly go wrong?@globaltimesnews pic.twitter.com/V1dAwZqA7m— Carlos Latuff (@LatuffCartoons) August 2, 2022
“Os Estados Unidos vão assumir a responsabilidade e pagarão o preço por minar a soberania e a segurança da China”, disse uma porta-voz diplomática chinesa algumas horas antes.
Nesta terça, a Rússia expressou sua “solidariedade absoluta” com seu aliado chinês, em um gesto de convergência com a recusa de Pequim em condenar a invasão russa da Ucrânia.
A China se absteve este ano de condenar a invasão russa da Ucrânia, que enfrenta uma dura resistência apoiada pelas potências ocidentais.
A “reunificação” da China é uma meta prioritária para o presidente chinês, Xi Jinping, que, na semana passada, disse formalmente a Biden por telefone que evite “brincar com fogo”.
Para respaldar sua mensagem, o Exército chinês divulgou ontem, on-line, um vídeo de tom marcial. Nele, soldados gritam prontos para lutar, combatentes decolam, paraquedistas saltam de um avião, uma chuva de mísseis aniquila vários alvos.
– “Direito” de visitar a ilha –
Nos últimos dias, a visita de Pelosi a Taiwan foi objeto de todo o tipo de conjectura, e o governo taiwanês não a incluiu em sua agenda.
O porta-voz do Conselho de Segurança Nacional, John Kirby, disse na segunda-feira que Pelosi tem o “direito” de viajar para a ilha.
“Não há razão para Pequim transformar uma possível visita, coerente com a política americana de longa data, em um tipo de crise”, acrescentou.
Kirby alertou para a possibilidade de a China realizar demonstrações de força que podem incluir o disparo de mísseis no Estreito de Taiwan, ou incursões de “grande escala” no espaço aéreo de Taiwan.
O Ministério da Defesa de Taiwan declarou hoje que o território tem “decisão, capacidade e confiança” para proteger a ilha.