‘Temos que regionalizar a saúde’, diz Jorginho Mello

Candidato ao governo do Estado foi entrevistado no ND Notícias desta terça-feira (25)

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Redação ND Florianópolis

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O candidato ao governo do Estado Jorginho Mello (PL) foi entrevistado ontem pelo jornalista Luan Vosnhak no ND Notícias, da NDTV TV Record.

Mello falou sobre saúde, educação e segurança pública – Foto: Leo Munhoz/NDMello falou sobre saúde, educação e segurança pública – Foto: Leo Munhoz/ND

A conversa faz parte do projeto Voto+ e tem como objetivo levar até o eleitor os projetos e propostas dos candidatos que disputam o segundo turno ao governo em Santa Catarina. Cada um terá o tempo de 12 minutos.

Na entrevista, Jorginho Mello falou sobre os apoios de outros partidos, eleição para a presidência da Assembleia Legislativa, repasse do duodécimo, sistema de saúde, planos para educação e continuidade do Plano 1000 do atual governo.

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Com a definição do segundo turno, o senhor recebeu muitos apoios. Isso muda algo do plano inicial, daquilo que estava previsto inicialmente?

Não. Eu, de forma muito honrosa, recebi apoio de quase todos os partidos, menos os partidos de esquerda que a gente está disputando. Foi um conversa muito republicana, uma conversa em ajudar Santa Catarina.

Eu vou precisar, nós vamos precisar, caso a gente venças as eleições, de um apoio na Assembleia, que é muito importante. Todos os Poderes são importantes.

A Assembleia é muito importante para que as matérias enviadas, os projetos e as alterações a gente tenha uma normalidade. Então, em uma conversa respeitosa, eu fiz com todos eles que me visitaram, falando do futuro, falando de tudo que aconteceu no primeiro turno.

Eu tenho muita experiência nisso, fui por quatro mandatos deputado estadual, fui presidente da Assembleia, eu conheço quase 100% dos deputados que se elegeram. Vai ser muito franca [a conversa], muito sincera, para que todos nós possamos trabalhar em favor de Santa Catarina e isso é o mais importante.

O senhor falou na Alesc. Logo o PL vai ter uma superbancada, passa de sete para 11 parlamentares a partir do ano que vem. Como é que o senhor vai tratar essa composição? O PL deve presidir a Assembleia Legislativa?

Graças a Deus a gente teve essa oportunidade de construir uma bancada extraordinária. Tínhamos sete e fomos para 11. Independente do tamanho da bancada a gente precisa ter um relacionamento muito firme com as outras bancadas.

Candidato falou sobre relacionamento com a Alesc – Foto: Leo Munhoz/NDCandidato falou sobre relacionamento com a Alesc – Foto: Leo Munhoz/ND

Não necessariamente o PL tem que presidir a Assembleia. Eu tenho conversado com os meus companheiros de partido e todos eles têm essa visão, essa grandeza.

A composição de períodos, quem vai presidir, quem é que vai ficar na mesa diretora, eu defendo uma mesa eclética, dando participação para todos os partidos, porque funciona melhor a Casa inclusive.

A gente está conversando isso com muita tranquilidade, vamos esperar passar a eleição. Depois que terminar a eleição a gente vai sentar para conversar.

Vamos falar um pouco sobre os Poderes. A partir de tudo que o Estado arrecada 22% é destinado aos Poderes. O que sobra desse dinheiro depois é devolvido. O senhor pretende manter esse repasse automático? Vai mudar alguma coisa?

Não, claro que eu vou manter. Até por que o que está funcionando bem e que foi combinado tem que ser honrado. Se alguma coisa modificar tem que ser um consenso com todos que recebem o duodécimo, porque ele já tem a previsão de gastar, quanto é que vai nisso, quanto é que vai naquilo.

Então você não pode interromper algo que já vem há muitos anos. Eu vou manter sim e qualquer alteração tem que ser harmônica e de consenso.

Vamos falar sobre saúde. O Hospital Joana de Gusmão, que é referência infantil aqui em Florianópolis, não está mais suportando a demanda, está em colapso. O senhor pretende criar algum novo hospital de referência infantil?

Nós precisamos fazer uma avaliação. Eu quero levar a saúde mais próxima das pessoas, está no plano de governo. Isso não necessariamente precisa de construção imediata. Se precisar, a gente vai fazer. Mas eu quero fazer funcionar melhor o que já existe, a estrutura que já tem. Nós temos uma estrutura fantástica. Não está funcionando conforme tem que funcionar.

Primeiro, a gente tem que tirar essas pessoas da fila. Tem mais de 100 mil pessoas esperando para fazer uma cirurgia eletiva e isso é uma coisa feia, sofrendo com pedra no rim, com dores.

Candidato do PL foi o primeiro entrevistado no ND Notícias – Foto: Leo Munhoz/NDCandidato do PL foi o primeiro entrevistado no ND Notícias – Foto: Leo Munhoz/ND

Tem que fazer um mutirão, falar com a classe médica, todos os hospitais, hospitais filantrópicos para que a gente possa tirar isso do caminho e depois fazer regionalmente, dotar os hospitais elegendo hospitais de referência para que ele tenha atendimento de alta e média complexidade, e as cirurgias eletivas, as menores, têm que ser feitas pelos hospitais filantrópico, fazer parceria, tem que fazer funcionar muita coisa que está se arrastando.

Eu cito um exemplo: o Marieta Bornhausen, eu estive lá há poucos dias. Tem uma ala nova se arrastando há dez anos, que poderia atender e desafogar Balneário Camboriú, todo o Vale do Itajaí.

Enfim, nós temos que regionalizar a saúde, acabar com a ambulancioterapia, dotando de equipamentos médicos, serviço, credenciamento. Nós vamos tratar a saúde como uma coisa muito séria, uma coisa que as pessoas não podem suportar mais.

E tem dinheiro na conta, a gente sabe disso. Então vamos gastar com responsabilidade, nós vamos tirar essas pessoas do sofrimento.

Sobre o agronegócio, que é tão importante para economia de Santa Catarina, em 2020 o setor mostrou força quando ocupou a Assembleia Legislativa quando era discutida a alíquota do ICMS para os defensivos agrícolas. Foi definida uma alíquota progressiva até 2025. Qual vai ser a política tributária do senhor, caso eleito, para esse setor especificamente?

Eu sou de quem pensa que reduzindo a carga tributária se arrecada mais. Você inclui mais o contribuinte. Ninguém gosta de ficar escondido sonegando ou coisa parecida. Eu sou dessa política. Você reduz a carga tributária e arrecada mais.

As cooperativas são responsáveis por 70% das nossas exportações. As cooperativas de agro no ano de 2021 faturaram R$ 48 bilhões. Então precisa ser respeitada, precisa ser valorizada, e não é ser taxada, porque se você vai taxar os insumos complica o produtor lá no campo, ele acaba não tendo condições de se manter, de ter um pouquinho de lucro. Nós temos que ver isso com muita seriedade.

Vamos falar agora sobre segurança pública. Mais de 4.000 presos aguardam por vagas no sistema prisional aqui em Santa Catarina e outros 7.000 têm mandados abertos. Como é que o senhor vai agir frente a essa situação?

Com muita coragem, enfrentando. A gente precisa construir alas para que o preso possa trabalhar, a exemplo do que tem em São Cristóvão do Sul, aqui em Santa Catarina. Ele trabalha e, a cada três dias trabalhados, reduz um ano de pena.

Vamos tratar isso com muita responsabilidade. O que não fizeram até hoje, o remanejamento de forma muito equilibrada. Tratar de segurança pública é uma coisa muito séria.

A nossa polícia está estressada, a escala de trabalho e de serviço é muita apertada, eu vou valorizar as forças policiais e a polícia penal que cuida dos presídios. Nós temos que inicialmente já chamar quem vai coordenar essas forças para tratar desse assunto.

Olhando um pouquinho seu plano de governo, o senhor cita o aspecto de educação e a faculdade gratuita. Como é que isso vai funcionar?

Isso vai ser uma virada de chave na educação de Santa Catarina. Nós vamos qualificar profissionalmente, curso técnico para o jovem trabalhar mais cedo, ganhar mais, ajudar a sua família e depois possa olhar para frente e fazer a faculdade do seu sonho, porque hoje ele não pode fazer.

Jorginho Mello em entrevista ao jornalista Luan Vosnhak – Foto: Leo Munhoz/NDJorginho Mello em entrevista ao jornalista Luan Vosnhak – Foto: Leo Munhoz/ND

Ele vai fazer a faculdade que ele quiser fazer. Depois de formado, ele vai trabalhar um ano, cinco horas por semana para devolver parte do que o Estado investiu nele. Então, nós vamos erguer a régua, qualificação profissional e a faculdade é gratuita.

Aí perguntam para mim, da onde é que vai sair o dinheiro? Do orçamento. Eu já fiz um estudo, faz dois anos que eu penso nisso. Eu conheço isso. Eu quero elevar a régua de Santa Catarina para que a gente tenha condições de agregar valor, de faturar mais, de melhorar a vida das pessoas.

E o Plano 1000 continua?

Jorginho Mello disse que vai manter Plano 1000 – Foto: Leo Munhoz/NDJorginho Mello disse que vai manter Plano 1000 – Foto: Leo Munhoz/ND

Eu já assumi esse compromisso há muito tempo numa reunião da Fecam (Federação de Consórcios, Associações de Municípios e Municípios de Santa Catarina). Eu não vou suspender absolutamente nada que venha sendo construído.

Tem que ter responsabilidade com o dinheiro público, o meu governo não vai serrote vai ser escada. Tudo que for bom e estiver funcionando a gente vai tocar sem dúvida nenhuma.