“Tenho certeza que Santa Catarina vai voar”, diz Carlos Moisés

Governador Carlos Moisés conversou com o Grupo ND sobre as dificuldades enfrentadas e demonstrou otimismo para o futuro de SC

Cristiano Rigo Dalcin Florianópolis

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À frente do comando no combate à crise provocada pela pandemia do coronavírus no Estado e ameaçado por dois pedidos de impeachment, o governador Carlos Moisés (PSL) teve um ano tumultuado e precisou mudar o “modus operandi” político para permanecer na chefia do Poder Executivo de Santa Catarina.

Focado na gestão, Moisés festeja o término de 2020 como um ano de aprendizado político e de conquistas na eficiência da administração pública, com “entregas” e “economia”, apesar de o governo ter sido marcado negativamente pelo episódio da fraude da compra dos respiradores que custaram R$ 33 milhões, dos quais nem a metade foi recuperada.

Governador Carlos Moisés olha para tela de notebook“Tenho certeza que Santa Catarina vai voar”, diz Carlos Moisés – Foto: Mauricio Vieira/ND

Em entrevista ao Grupo ND realizada na Casa D’Agronômica, em Florianópolis, Moisés falou sobre o novo momento da pandemia, o regramento proposto pelo Estado para o funcionamento das atividades durante a temporada de verão e a necessidade de proteger os vulneráveis enquanto a vacina não é autorizada pela Anvisa.

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Quando a vacina estiver pronta, Moisés garante que o Estado estará pronto para fazer a logística e distribuição em parceria com municípios.

INÍCIO DA PANDEMIA

Foi um grande desafio para nós a partir de 17 de março, quando tivemos que adotar uma medida muito dura, com o fechamento do Estado. Claro que alguns setores continuaram trabalhando com percentuais menores, mas aquele momento era especial.

Alertávamos toda a população que precisávamos aumentar a disponibilidade de leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva), com pessoal e equipamentos, pois precisávamos de tempo.

Se não freasse a pandemia no dia 17 de março, naquele momento, nós não daríamos conta, não teríamos tempo de trazer pessoas, de importar equipamentos. Foi todo um grande desafio que vocês acompanharam ao longo desse ano.

FLEXIBILIZAÇÕES

Na terceira semana começamos a flexibilizar e fomos criticados também, mas tínhamos a convicção que era o movimento certo e conseguimos manejar muito bem.

Somos quase meio milhão de pessoas que já tiveram contato com o coronavírus e mais de 430 mil pessoas que foram curadas. Então a gente precisava fazer esse movimento gradativo sem colapsar a estrutura de saúde pública, filantrópica e privada do Estado.

A maioria das estruturas de saúde de diversos países teve seu colapso de fato, a gente assistiu isso, então nós fomos considerados uma das melhores gestões de enfrentamento à crise no Brasil e fizemos isso com muita responsabilidade, no meio de muitas dúvidas, no momento em que a gente não conhecia de fato o que estava acontecendo. E com esse resultado a gente consegue hoje apresentar normas para todas as atividades.

PANDEMIA NO VERÃO

A pandemia ainda é um desafio. A gente está regrando tudo porque sabemos que manter as pessoas em casa no verão é um desafio impossível. As pessoas vão sair de casa, vão às praias.

Entre proibir e estabelecer regras de um convívio seguro e responsável, é preferível estabelecer regras.

Vou dar um exemplo clássico. Os hotéis, se você privar da ocupação, as pessoas vão para a ocupação clandestina. Isso não é bom. Hotéis têm regras, com áreas de circulação controladas.

Eventos? O poder público faz eventos, então o privado não pode fazer um pequeno evento? Nós estamos fazendo eventos em vários lugares, várias regiões. Os municípios fazem eventos, o Estado tem feito eventos, controlado, com distanciamento, enfim.

É uma questão de coerência o que estamos fazendo. O templo funciona, então por que outros espaços que têm muita similitude não podem funcionar? Com regras, com restrição de ocupação, mas de forma segura.

As pessoas também não são obrigadas a estarem em ambientes que apresentem algum risco. Nós precisamos ter maturidade para agir como adultos. O Estado não precisa pegar pela mão e dizer: agora sai, agora fica em casa.

PROTEGER OS VULNERÁVEIS

Nós precisamos proteger os vulneráveis. Essa é a mensagem que fica com esse movimento do governo. Nós estamos chegando num repique, numa nova onda talvez da Covid-19. Vamos continuar protegendo.

Não vamos perder a ideia de que tudo passou, não há mais pandemia. O verão está chegando e as pessoas têm que proteger os vulneráveis, sob pena de colapsar de fato o nosso sistema.

Avançamos em 160% (a criação de leitos de UTI), mas se não houver a participação social não haverá condição nenhuma de mantermos os hospitais com leitos disponíveis para a população.

IMPACTO NA ECONOMIA

Nós continuamos produzindo muito bem, nossa indústria cresceu, vários setores cresceram (varejo, cerâmica), o agro exportou muito, nós aumentamos a arrecadação. Para entender o que está acontecendo na economia de Santa Catarina é ver quanto o Estado arrecada.

Comparando períodos com o mesmo período de 2019, estamos arrecadando mais, avançando.

Nós tivemos um momento em que houve uma baixa de arrecadação, no lockdown. No mês seguinte houve uma retração no consumo, pois as pessoas ficaram em casa, mas a parte de supermercados continuou vendendo, as pessoas começaram a mobiliar a casa, repaginaram a vida no lar, deixaram de viajar e investiram em outras coisas.

Os investimentos migram, o Estado parou de arrecadar um pouco no que diz respeito à movimentação de veículos, ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) de combustível, mas daqui a pouco começou a recuperar isso.

Caiu o consumo de energia elétrica, depois voltou a recuperar. Então a gente percebe que saímos vitoriosos no que diz respeito ao impacto na economia.

VISITANTES

Naquele período as pessoas não vieram tanto para Santa Catarina. Agora a gente recomenda que as pessoas venham apenas e de fato sempre que tiverem condições de ficar em locais seguros, de frequentar ambientes seguros.

Por isso que a gente regra. E vamos regrar até os espaços públicos, parques aquáticos, praças. Os regramentos já estão prontos. As praias, a faixa de areia. Nós precisamos estabelecer regras por que as pessoas virão. Então, que a gente de forma muito coerente estabeleça regras de convívio seguro.

VACINAÇÃO

A parte do Estado é a logística. Sempre foi assim. Esse tema hoje é conhecido pela população, mas não era. As pessoas não sabiam as competências. Só sabiam que tinha que ir a uma sala de vacinação para tomar a vacina.

Hoje a gente sabe que a parte de conservação, frios, a geração de energia elétrica fica por conta dos Estados, assim como a logística do transporte, distribuição nos municípios, criação de salas de vacinação em parceria com os municípios, com os conselhos regionais de medicina e enfermagem.

Tudo isso nós estamos avançando para aumentar o número de salas, aumentar o número de vacinadores e qualificá-los com cursos, com apoio dos municípios e conselhos de profissionais, para que a gente possa fazer a nossa parte, que é distribuir a vacinar e aplicar a vacina e conservar a vacina em um local adequado.

Fora isso, nós reservamos R$ 300 milhões em caso de ter que comprar a vacina por alguma contingência qualquer e está separado para cinco milhões de doses de vacina. Estamos comprando 20 milhões de agulhas e seringas também para vacinar a população.

A gente acredita que, como o Ministério da Saúde sempre fez uma gestão adequada, assim será do mesmo modo com a Covid-19.

OBRA

Eu digo que 2020 foi um ano de encubar. Não gosto de citar uma ou duas obras pontuais, porque nós tivemos obras em todas as regiões do Estado. Nós aplicamos R$ 50 milhões em projetos que estão prontos para começar a rodar. Nós temos 5,5 bilhões para investir em 2021 e 2022 em infraestrutura.

Avançamos em 2019 com obras históricas, e o caso da Ponte Hercílio Luz foi uma delas. Acabamos obras que estavam por ser acabadas. Aqui na Capital são várias.

Eu não vou citá-las porque temos obras em todas as regiões de fato. Iniciamos obras, tocamos obras que começaram em governos anteriores e que estavam paralisadas, e estamos medindo com toda força e desembolsando recursos próprios em várias obras esperadas historicamente pelos catarinenses.

Mas eu penso que 2020 foi um ano para muitos projetos, e terminar em 2021 e 2022 o grande desafio que nos foi deixado, que é recuperar a malha viária catarinense, que recebemos com 74% em condições ruins ou péssimas.

Isso não se faz com uma virada de chave, em um ano de governo. Isso é de fato a falta de manutenção histórica que agravou a crise e torna as obras muito mais caras.

Quando a gente faz manutenção preventiva em rodovias, a intervenção é muito mais leve, muito mais barata. Em algumas rodovias nós vamos precisar refazer a rodovia por conta da falta de manutenção histórica.

Nós acreditamos que até final de 2022 a gente consiga atingir em 100%, 90% a 95% essa malha viária que estava tão prejudicada.

ATRAÇÃO DE INVESTIMENTOS

O Estado tem sido um grande atrativo para o mundo. Mesmo com a pandemia temos recebido a visita de empresários interessados em investir em Santa Catarina.

O Estado se tornou uma referência de um lugar que você pode chegar, conversar com o Poder Público, ter a segurança jurídica para fazer seus investimentos e a garantia de que o Estado não vai criar dificuldades para vender facilidade.

Essa confiança no governo está gerando força dos investidores para investir em SC. Eu tenho sido procurado por diversos grupos brasileiros e de fora do Brasil.

Na crise energética agora, já tem várias pessoas interessadas em investir no Sul do Estado, até mesmo na Usina Jorge Lacerda, dizendo que é interesse sim dar continuidade nas atividades.

Estamos alinhando. Ali são 21 mil empregos para o Sul de SC. Nossa ferrovia Teresa Cristina existe para o carvão. Precisamos melhorar a eficiência daquela indústria para que se torne sustentável e sustentada. Para isso precisamos de investidores. Temos projetos em todas as áreas e estou citando essa mais recente.

INOVAÇÃO

Aqui é um celeiro de inovação também. Inaugurei recentemente três centros de inovação, estamos transferindo recursos para criar novos centros de inovação, onde a gente incuba novas empresas, descobre novos negócios, encontra jovens talentos e encontra soluções para nossa própria indústria.

É isso que participa o governo, encontrar soluções, ser parceiro, manejar com eficiência a questão tributária para facilitar o desenvolvimento, hoje a gente tratamentos diferenciados muito retos, ou seja, para você ter isenção ou incentivo fiscal você precisa apresentar um projeto que você vai ampliar a sua planta, que você vai investir em SC, que vai aumentar o número de empregados. Então a gente gera emprego e renda em Santa Catarina facilitando a vida de quem quer investir no nosso Estado.

LIÇÃO POLÍTICA

Quando eu saio às ruas as pessoas dizem: “Parabéns governador, o senhor voltou. O senhor nunca deveria ter saído”. Essa é uma boa lição para todos, não só para o governador.

A segunda lição importante, e digo isso pois não havia justa causa para se iniciar esse processo de impeachment, isso é o que defendemos desde o início e temos a convicção de que a Justiça será feita como foi feita no primeiro processo de impeachment.

Por outro lado a gente vê a importância de nós fazermos os alinhamentos políticos. Muito focado na gestão, a gente aprende de fato que a construção política tem seu grau de importância.

É isso que a gente fez nesse período de afastamento, voltamos com torcida, o governo agora tem torcida, tem pessoas que olham a gente com outro olhar, nos dão parabéns por ter retornado, e isso faltava para o governo também.

GESTÃO

Sempre fui muito voltado à gestão e passei meu tempo nos dois primeiros anos muito focado à gestão, não fizemos construções políticas ou concessões, e estivemos muito voltados a fazer entregas, sanear o Estado.

Nós tiramos o Estado de um déficit de R$ 1,2 bilhão em dezembro de 2018 para um superávit de R$ 160 milhões em dezembro de 2019. Isso é foco na gestão, transparência, pagamos R$ 750 milhões da dívida da Saúde, entramos em pandemia com estado saneado, senão seria um colapso total. Não atrasamos salário dos servidores, pagamos os fornecedores e assim a vida vai seguindo.

CONVERSAS FRANCAS

Nosso relacionamento com a Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina) de um modo geral é muito bom, a gente tem conversas muito francas, com o próprio presidente da República recentemente tivemos conversas muito francas, havia muito ruído, muita coisa que não era verdadeiro.

Tudo isso a gente está tirando da agenda para fazer o que as pessoas querem do gestor público, não é guerras, conflitos ou falar mal do outro. O cidadão que trabalha, que recolhe tributo, que paga o governo quer que homens públicos trabalhem, façam entregas, pensem em projetos.

Então é isso que a gente fez nos dois primeiros anos, alinhamos agora a um tempero político um pouco melhor e vamos avançar, sem amarguras, sem nutrir decepção com a ingratidão, isso mostra muito a nossa intenção.

A gente tem que fazer as coisas sem pensar em restituição, e dessa forma a gente consegue olhar pra frente, com equilíbrio. Eu tenho certeza que Santa Catarina vai voar, e com a vacina, vai voltar à normalidade.

O cidadão catarinense passou a conhecer mais o governo do governador com todos esses episódios, então a lição que fica é uma lição de proximidade com as pessoas.

APROXIMAÇÃO DE BOLSONARO

O que se faz no governo federal se faz aqui também. Eu acredito na equipe técnica do governo federal e querem fazer o bem. Havia ruídos, mas a gente eliminou, eu já sentei e conversei com o presidente, prova disso que ele veio a SC e conversamos muito sobre os desafios do nosso Estado e do Brasil e a gente está olhando para a frente, quebrando retrovisores.

Ele entendeu isso, entendeu que havia ruído demais na nossa comunicação, por muitas pessoas que estão no nosso governo e no governo federal, então passamos a falar diretamente e isso faz toda a diferença porque o Brasil precisa disso, Santa Catarina precisa disso.

O presidente veio, se colocou à disposição, colocou à disposição todo o staff, principalmente nessa crise que tivemos agora, um desastre natural (em Presidente Getúlio e Ibirama), e rapidamente houve a decretação de calamidade e situação de emergência , o governo já homologou, se coloca a disposição para transferência de recursos de forma ilimitada para a gente recuperar a região atingida.

Isso é parceria, o que se espera de todos os homens públicos, e a gente tem um excelente diálogo hoje, bola para frente.

MENSAGEM

Gostaria de desejar a todos um ótimo Natal, que todos tenham muita tranquilidade e equilíbrio e protejam os vulneráveis neste Natal, nas festas de fim de ano.

Isso é fundamental, estamos entrando no Verão, naturalmente as pessoas têm contato umas com as outras, mas tenham cuidado. Ninguém é obrigado a frequentar eventos, locais que tenham reunião de público. Protejam os vulneráveis e nesse sentido desejar um 2021 muito melhor que 2020.

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