TRE fala em dever cumprido após 1º turno das eleições municipais em SC

Florianópolis foi uma das primeiras capitais a conhecer o prefeito eleito, mas o Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina esperava resultado geral até as 22h, o que não se confirmou

Nícolas Horácio Florianópolis

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O TRE-SC (Tribunal Regional Eleitoral de Santa Catarina) montou uma estrutura especial para atender à imprensa na apuração das eleições 2020, em um dos seus prédios na Rua Esteves Júnior, no Centro de Florianópolis. Em grandes telões, o TRE-SC informou, aos poucos e, em primeira mão, o resultado das eleições nas principais cidades do Estado.

O TRE-SC montou uma estrutura especial para divulgar o resultado das eleições 2020 aos veículos de imprensa – Foto: Felipe Carneiro/NDO TRE-SC montou uma estrutura especial para divulgar o resultado das eleições 2020 aos veículos de imprensa – Foto: Felipe Carneiro/ND

A primeira cidade a conhecer o prefeito eleito foi Ponte Alta do Norte, que elegeu Ari Bagúio (PL). O resultado na Capital saiu às 19h50, dando vitória ao atual prefeito, Gean Loureiro (Dem) logo no 1° turno. Gean disparou no início da apuração, manteve a liderança e consolidou a vitória.

Os 23 vereadores de Florianópolis foram conhecidos logo seguida, às 20h17. A maior bancada ficou com o DEM, partido de Gean, que elegeu quatro. O vereador mais votado foi Marquito (PSOL). Além disso, a próxima legislatura será histórica pelo fato de reunir cinco mulheres, um recorde. 

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Foram eleitas Manu Vieira (Novo), Carla Ayres (PT), Maryanne Mattos (PL), Priscila Fernandes (Podemos) e Cintia Mendonça (Psol), esta última uma candidatura coletiva, que reúne outras quatro mulheres, mais um fato inédito na Capital.

O resultado nas demais cidades demorou mais. O TRE-SC concluiu a apuração por volta das 23h30 com um pronunciamento do presidente Jaime Ramos em tom de dever cumprido.

Como foi a eleição de 2020 no Estado

Frias nas ruas e mais intensas nas redes sociais, as eleições de 2020 não tiveram grandes incidentes segundo a cúpula do TRE-SC que executou as eleições, sendo a instabilidade no aplicativo E-título o problema que mais incomodou os eleitores. Ainda assim, 23 mil pessoas conseguiram utilizar o aplicativo para justificar a ausência.

Para o desembargador e presidente do TRE-SC, Jaime Ramos, a sensação é de dever cumprido – Foto: Felipe Carneiro/NDPara o desembargador e presidente do TRE-SC, Jaime Ramos, a sensação é de dever cumprido – Foto: Felipe Carneiro/ND

O presidente do TRE-SC, desembargador Jaime Ramos, falava em “dever cumprido” logo após o fechamento das urnas, às 17h. A agilidade na apuração da Capital se deve a uma mudança no sistema de totalização.

Nas eleições anteriores, o envio dos dados era feito das zonas eleitorais para o TRE-SC e depois para o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Dessa vez, o envio foi feito diretamente das zonas eleitorais para o TSE e o retorno eletrônico para o TRE ocorreu, praticamente, em tempo real.

“Foram eleições tranquilas, poucas ocorrências policiais e crimes eleitorais. Tivemos prisões de candidatos fazendo boca de urna e alguns eleitores que incidiram nesse tipo de crime eleitoral. Um número esperado de substituição de urnas eletrônicas [126], como normalmente ocorre”, explicou Jaime Ramos.

Cuidados com o coronavírus

De acordo com o TRE-SC, os eleitores compareceram às urnas da forma esperada, ou seja, utilizando os equipamentos de proteção individual e coletiva.

“A solidariedade com que todos os atenderam ao chamado da Justiça Eleitoral é o que temos a comemorar e também o engajamento dos servidores, juízes e promotores eleitorais que permitiram que o planejamento e a organização redundasse nesse sucesso das eleições municipais de 2020”, disse o presidente do TRE-SC.

Na visão do diretor-geral do TRE-SC, Daniel Sell, a eleição foi ainda mais tranquila do que a expectativa. Segundo ele, depois da eleição de 2018, o TRE-SC montou uma infraestrutura esperando encontrar dificuldades, especialmente em relação às urnas eletrônicas.

Para o diretor-geral do TRE-SC, Daniel Sell, a eleição de 2020 foi mais tranquila do que a expectativa. – Foto: Felipe Carneiro/NDPara o diretor-geral do TRE-SC, Daniel Sell, a eleição de 2020 foi mais tranquila do que a expectativa. – Foto: Felipe Carneiro/ND

“Essa era uma preocupação que não se verificou. Todas as forças policiais que foram mobilizadas atuaram nos casos específicos de problemas entre partidos e candidatos”, explicou Sell.

O diretor-geral do TRE-SC ressaltou que os eleitores respeitaram os protocolos sanitários. Segundo ele, houve problemas pontuais, mas, na grande maioria dos casos, os cuidados sanitários foram obedecidos. Ele disse, ainda, que o tempo do eleitor na urna foi bastante rápido, o que evitou aglomerações.

Problemas no e-título

O que não atendeu totalmente a expectativa do TRE-SC foi o aplicativo e-título. Durante todo o dia, o aplicativo apresentou instabilidade e os eleitores encontraram dificuldade para usá-lo.

“Houve alguns problemas de performance. Foi a nossa primeira experiência, por isso, a gente pede a compreensão do eleitor. Mesmo assim, o aplicativo funcionou para inúmeros casos. A gente teve uma grande repercussão no início do dia, do uso do e-título”, registra Daniel Sell.

Segundo ele, a sobrecarga no aplicativo chamou atenção. Ele disse, no entanto, que embora essas falhas possam gerar um sentimento de tristeza nos eleitores, todos ainda podem justificar o não comparecimento às urnas nos próximos 60 dias anexando um documento que comprove a situação.

O trabalho da PMSC nas eleições

A PM (Polícia Militar) de Santa Catarina identificou um crescimento de crimes relacionados às eleições na véspera e antevéspera da votação.

Por outro lado, o Subcomandante-Geral da PMSC, Cel Marcelo Pontes, disse que, no dia da eleição, ao contrário dos anos anteriores, o número de ocorrências reduziu.

Segundo o Subcomandante Geral da PMSC, Cel. Marcelo Pontes, houve poucas ocorrências no fim dia da eleição – Foto: Felipe Carneiro/NDSegundo o Subcomandante Geral da PMSC, Cel. Marcelo Pontes, houve poucas ocorrências no fim dia da eleição – Foto: Felipe Carneiro/ND

“Tivemos um período pré-eleição, na sexta e sábado, bastante agitado, principalmente no interior do Estado, com algumas ocorrências que chamaram atenção. Tivemos ocorrências com porte de arma, ameaças e brigas generalizadas nesses dias, mas o dia da votação foi na contramão e mais tranquilo do que os pleitos anteriores”, explicou Pontes.

O sub-comandante da PMSC disse, ainda, que as pessoas entenderam bem a questão das aglomerações e que não houve muita ocorrência nesse sentido. Segundo ele, o que prevaleceu foram as denúncias de boca de urna, algumas comprovadas e outras não.

Atraso na apuração

Na primeira hora da apuração dos votos, por volta das 18h, o sistema do TSE, em todo Brasil, começou a apresentar lentidão, o que gerou atraso no resultado geral das eleições também em Santa Catarina.

Até mesmo a apuração de Florianópolis, que seria ainda mais rápida, foi prejudicada em alguns minutos.

“São coisas que, no meio de uma pandemia, a gente está aprendendo e a gente viu, recentemente, que investir em segurança traz resultado. O nosso pedido é para que eleitores e candidatos aguardem e permaneçam confiantes no processo”, disse Daniel Sell.

O problema de lentidão foi nacional e foi causado por uma falha em um dos processadores do TSE, segundo o presidente do órgão, ministro Luiz Barroso.

Com isso, no país inteiro, a apuração das eleições caminhou a passos lentos e a expectativa inicial do TRE-SC de encerrar a apuração em todo Estado por volta das 22h, não se confirmou.

Em meio a uma pandemia e com uma série de cuidados sanitários nos locais de votação, a eleição municipal em Santa Catarina teve uma participação de 77,53% do eleitorado e índice de abstenção de 22,47%.