Tropas da Rússia chegaram aos arredores de Kiev, capital da Ucrânia, nesta quarta-feira (9). A aproximação dos militares acontece na véspera da primeira negociação entre os chefes de diplomacia dos dois países desde a invasão à Ucrânia.
Destruição atinge cada vez mais as cidades da Ucrânia. – Foto: Aris Messinis/AFP/Divulgação/NDOs blindados russos, que há cinco dias estavam a centenas de quilômetros, estavam a cerca de 15 quilômetros da capital ucraniana nesta quarta-feira (9), perto de Brovary.
Soldados da Ucrânia relataram à AFP que combates aconteceram em Rusaniv, aproximadamente 30 quilômetros a leste da cidade.
SeguirEm Mariupol, porto estratégico no sudeste do país, 17 adultos ficaram feridos em um bombardeio russo a um hospital pediátrico, segundo anúncio do funcionário regional Pavlo Kirilenko, que não citou vítimas.
O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, chamou esse ataque de “imoral”. Após o ocorrido, a ONU pediu “o fim imediato dos ataques a instalações de saúde, hospitais, profissionais de saúde e ambulâncias”.
Enquanto isso, os Estados Unidos rejeitaram qualquer plano de enviar jatos de combate, do modelo MiG, à Ucrânia, mesmo que por meio de um segundo país.
Segundo o porta-voz do Pentágono, John Kirby, a ação seria uma operação de “alto risco” e sem eficácia significativa para a Força Aérea Ucraniana.
A Polônia tem afirmado que pode disponibilizar o envio de aviões MiG-29 para a Otan, e as aeronaves poderiam ser repassados à Ucrânia. De acordo com Kirby, o secretário de Defesa estadunidense já informou o governo polonês sobre a avaliação dos EUA.
A vice-presidente dos EUA, Kamala Harris, discutirá com autoridades polonesas nesta quinta-feira (10) sobre como fornecer “assistência militar” à Ucrânia.
Mantendo o compromisso de defender o território dos países da Otan, os Estados Unidos enviaram duas novas baterias de mísseis Patriot para a Polônia, informou uma autoridade do Pentágono nesta quarta-feira (9).
Preocupação com Chernobyl
A AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) afirmou que a desconexão elétrica na central ucraniana de Chernobyl, onde ocorreu um dos maiores acidentes nucleares do planeta em 1986, “não tem grande impacto sobre a segurança”.
A operadora ucraniana Ukrenergo informou nesta quarta-feira (9) que o fornecimento de energia para a usina nuclear e seus equipamentos de segurança estava “totalmente” cortado, devido às ações militares russas.
“Não há possibilidade de restabelecer as linhas”, já que a ofensiva está em andamento, garantiu a operadora ucraniana.
Aumento no número de refugiados
O Acnur (Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados) já contabiliza 2.155.271 refugiados que fugiram da guerra da Ucrânia até esta quarta-feira (9). São 143.959 refugiados a mais que no dia anterior.
Novos corredores humanitários são a esperança para ucranianos fugirem da guerra. – Foto: Aris Messinis/AFP/Divulgação/NDAutoridades na zona de guerra e a ONU asseguram que o fluxo de refugiados irá aumentar. Um novo acordo foi firmado nesta quarta-feira (9) para abrir novos corredores humanitários para que até 4 milhões de pessoas possam abandonar o país.
Em entrevista coletiva, a porta-voz do Ministério russo das Relações Exteriores, Maria Zakharova, reforçou que as ações da Rússia não tem como alvo a população civil.
“Paralelamente à operação militar especial (nome dado pelas autoridades de Moscou à entrada de tropas russas na Ucrânia) também acontecem negociações com a parte ucraniana para acabar o quanto antes com o banho de sangue sem sentido e a resistência das Forças Armadas ucranianas (…) alguns progressos foram feitos”, afirmou.
Zakharova ainda declarou que estão sendo feitos progressos nas negociações com a Ucrânia e que objetivos da Rússia “não incluem a ocupação da Ucrânia, a destruição de seu Estado ou derrubar o governo atual”.
Enterros em valas comuns
Parentes e amigos de pessoas que morrem após ataques à Mariupol, no sul da Ucrânia, estão enterrando as vítimas em valas comuns. O motivo para a decisão são os constantes bombardeios russos na cidade impedem sepultamentos adequados.
Mortos durante a guerra são enterrados em valas comuns em Mariupol, sul da Ucrânia. – Foto: Mstyslav Chernov/Divulgação/NDNos últimos dias, a cidade tem sido alvo de fortes ataques frequentemente. Apesar de um acordo de cessar-fogo, civis não conseguiram deixar a região e fugir para fora do país.
Agências de notícias internacionais afirmam que a população de Mariupol está sem água e eletricidade há dias. Segundo o assessor do prefeito do município, Petro Andryushchenko, cerca de 1,3 mil civis já morreram na cidade desde o início da guerra.
Dias de encontros e acordos
Discussões estão marcadas para esta quinta-feira (10) na Turquia, em Antália, entre o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergey Lavrov, e seu par ucraniano, Dmitro Kuleba.
Na quarta-feira (9), o presidente russo, Vladimir Putin, e o chefe do governo alemão, Olaf Scholz, conversaram sobre os “esforços diplomáticos” e corredores humanitários, informou o Kremlin.
Possibilidade de concessões para o fim da guerra
Em entrevista a um portal de notícias da Alemanha, o presidente da Ucrânia, Volodmir Zelenski, disse que não pode trair seu país, mas está disposto a realizar concessões.
A afirmação foi feita quando Zelenski foi questionado sobre abrir mão da região de Donbass, onde estão as áreas separatistas de Donetsk e Lugansk.
“Compromissos podem ser feitos, mas não devem ser uma traição ao meu país. E o outro lado também deve estar disposto a fazer concessões — é por isso que elas são chamadas de concessões. Essa é a única forma de sairmos desta situação”, alegou.
Zelenski declarou que “não tem medo” do cerco em Kiev. Para ele, o pior que poderia acontecer já é uma realidade: a guerra entre os dois países.
*Com informações do R7, Estadão Conteúdo e Uol.