Tudo que já se sabe sobre a confissão de culpa milionária da Neoway no caso Hemorragia em SC

Empresa fundada em 2002, em Florianópolis, pelo empresário Jaime de Paula Junior, aceitou revelar detalhes do esquema, entregar documentos e pagar R$ 50 milhões

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Um acordo de leniência foi firmado entre o Estado de Santa Catarina e uma empresa privada. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (7). A informação foi publicada em primeira mão pelo blog.

Trata-se do primeiro acordo do gênero na história da administração pública catarinense. Veja, a seguir, todos os principais detalhes sobre o caso.

Como é o nome da empresa?

Neoway Tecnologia Integrada Assessoria de Negócios.

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O que faz essa empresa?

A Neoway se apresenta em comunicação institucional como “a maior empresa da América Latina de Big Data Analytics e Inteligência Artificial para negócios”.

Foi fundada em 2002, em Florianópolis, por Jaime Leonel de Paula Junior.

Em outubro de 2021, a empresa foi vendida para a B3 por R$ 1,8 bilhão.

Qual é o valor do acordo?

Serão R$ 50.606.147,09, atualizados pela taxa Selic a partir da data da celebração. O pagamento ao Tesouro Estadual será realizado em parcela única.

Para onde vai o dinheiro?

Os recursos serão devolvidos aos fundos dos órgãos e entidades estaduais de onde saíram no momento das fraudes, que incluíram superfaturamento de contratos e pagamentos de propina.

Quantos contratos estão sob suspeita?

Ao todo foram 17 contratos, firmados entre a Neoway e seis órgãos e entidades do Poder Executivo entre 2007 e 2019.

Quais eram os governadores nesse período?

  • Luiz Henrique da Silveira (PMDB) – assumiu em 1º de janeiro de 2007 e renunciou em 25 de março de 2010 para concorrer à reeleição.
  • Leonel Pavan (PSDB), vice-governador – assumiu em 25 de março de 2010.
  • Raimundo Colombo (DEM/PSD) – assumiu em 1º de janeiro de 2011. Foi reeleito para mandato a partir de 1° de janeiro de 2015. Renunciou em 16 de fevereiro de 2018 para concorrer ao Senado.
  • Eduardo Moreira (PMDB/MDB), vice-governador, assumiu em 16 de fevereiro de 2018.
  • Carlos Moisés (PSL/sem partido) – assumiu em 1º de janeiro de 2019.

A Neoway confessou a culpa?

Sim, com o acordo, a empresa admitiu sua participação em atos ilícitos contra a administração pública e comprometeu-se em não mais cometer infrações, com a apresentação de um plano de integridade e compliance, que será acompanhado por três anos pela CGE.

Caso os termos do acordo não sejam integralmente cumpridos, a empresa pode ser penalizada.

A empresa apresentou provas?

A Neoway apresentou documentos que permitirão aprofundar as investigações e deflagrar processos em relação a pelo menos 13 empresas e 20 agentes públicos.

O que a empresa ganhou com isso?

As principais vantagens são:

  • Manter o direito de contratar com a administração pública;
  • Receber desconto de até dois terços na multa prevista pela Lei Anticorrupção; e
  • Livrar-se de proibições como recebimento de incentivos e concessão de empréstimos de órgãos e entidades públicas, incluindo bancos.

Quais são as pessoas físicas envolvidas no acordo?

Em razão do sigilo legalmente imposto aos termos do acordo, não é possível divulgar detalhes das pessoas físicas e demais pessoas jurídicas envolvidas.

O que a Neoway diz?

Em nota, “a Neoway esclarece que a assinatura do acordo com a CGE é fruto de um rigoroso processo de auditoria que vem ocorrendo na empresa desde 2019, ano que marca o início da estruturação de sua área de governança corporativa, riscos e compliance. O Programa de Compliance da Neoway é referência no Brasil atualmente, demonstrando que a empresa virou a página com relação aos fatos objeto do acordo de leniência.”

Como foi a Operação Hemorragia?

Foi realizada em 19 de janeiro de 2021. A denominada Operação Hemorragia se constitui na segunda fase da Operação Alcatraz e apura crimes de corrupção, fraudes em processos licitatórios e lavagem de dinheiro envolvendo empresários do ramo de tecnologia e agentes públicos.

Em que fase está a investigação?

A notícia mais recente dá conta de que a juíza Janaina Cassol Machado, da 1ª Vara da Justiça Federal, em Florianópolis, recebeu as denúncias do Ministério Público Federal contra 15 acusados.

Entre os réus estão o fundador e antigo dono da Neoway, Jaime Leonel de Paula Junior, e os ex-secretários de Estado Milton Martini (Administração) e Dalmo Claro de Oliveira (Saúde). Na época, os dois políticos estavam filiados ao MDB.

Quais os nomes dos 15 réus na Justiça?

  • Alexandre Tonini
  • Alissa Martini Guerreiro Martini Slaviero
  • Amazilia Maria Guerreiro Martini
  • Dalmo Claro de Oliveira
  • Felipe Tome Gurerreiro Martini
  • Jaime Leonel de Paula Junior
  • José Carlos Zanini
  • Márcio Biff
  • Mauricio Passos de Castro
  • Milton Clécio Zanini
  • Milton Martini
  • Nelson Castello Branco Nappi Junior
  • Radames Guerreiro Martini
  • Roberto Hess de Souza
  • Vilmar Alcides Burguesan

O que é acordo de leniência?

Criado pela Lei Anticorrupção, o acordo de leniência é uma espécie de delação premiada de empresas.

É um instrumento jurídico que busca facilitar e agilizar a investigação de crimes e fraudes de natureza civil e administrativa, com o objetivo de recuperar prejuízos aos cofres públicos com mais celeridade.

Quando começou a negociação do acordo?

A negociação foi iniciada em 27 de janeiro de 2021, após proposta de acordo enviada pela empresa. Todo o processo foi coordenado pela Controladoria-Geral, com participação da Procuradoria-Geral do Estado.

Foram realizadas 12 reuniões da Comissão de Negociação com a empresa, além de diversas trocas de correspondências e reuniões com auditores da CGU (Controladoria-Geral da União) para atuar segundo as melhores práticas na área.