A um dia do segundo turno, confira propostas dos candidatos à prefeitura de Joinville

Ambos os candidatos tem uma coisa em comum: a grande presença das conhecidas PPPs, ou Parcerias público-privadas em seus planos de governo

Redação ND Florianópolis

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Neste domingo (29), a cidade de Joinville decide se será Adriano Silva (NOVO) ou Darci de Matos (PSD) quem ocupará a cadeira de prefeito pelos próximo quatro anos.

Segundo pesquisa do Grupo ND, Adriano tem 51% das intenções de voto, enquanto Darci tem 34%. Cerca de 8% devem votar branco ou nulo, e 7% ainda não sabem em quem votar.

Adriano Silva (NOVO) e Darci de Matos (PSD) Concorrem à prefeitura de Joinville – Foto: Arte/NDAdriano Silva (NOVO) e Darci de Matos (PSD) Concorrem à prefeitura de Joinville – Foto: Arte/ND

Ambos os candidatos têm uma coisa em comum, a forte presença das conhecidas PPPs, ou Parcerias público-privadas em seus planos de governo.

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Na disputa, o Mercado Municipal, por exemplo, é um dos alvos de PPP. Adriano quer “através de parcerias com as empresas privadas, revigorar o Mercado Público de Joinville e utilizar 100% de sua capacidade”, enquanto Darci pretende “estabelecer PPPs para gestão eficiente do Mercado Municipal”.

Os planos para a Cidadela Cultural Antárctica são os mesmos. Adriano quer concedê-la para a iniciativa privada com premissas como “criar um ambiente cultural, com exposições artísticas, convivência e conveniência, que mescle amplo espaço para a manifestação cultural, com restaurantes, bares e serviços ligados à atividade de cultura. Retirar os muros e integrar a Cidadela Cultural Antárctica à Praça das Águas”, diz o plano.

Já Darci quer restaurar e equipar o espaço por meio de PPP “garantindo seu uso para fins culturais, de entretenimento e de desenvolvimento da economia criativa, com museus, teatro, cinema, auditório, parque, feiras temáticas, espaço para associações artísticas e estabelecer espaço definitivo de gastronomia de referência cultural regional em conjunto com a iniciativa privada”. O Centreventos é outro espaço que deve ser concedido à iniciativa privada pelos dois candidatos.

Adriano ainda fala em repassar para a iniciativa privada espaços como a Casa Krüger, as salas do Pórtico e o morro das antenas para criação do teleférico do Boa vista e Darci quer uma PPP para a construção do Teatro Municipal de Joinville e para a Casa Krüger.

Darci de Matos

Atualmente deputado federal, Darci afirma que não fará coligação para o segundo turno. “A minha coligação será feita com eleitores e não com partidos”, disse em entrevista a uma rádio local.

Além disso, ele é taxativo ao dizer que a maior cidade do Estado precisa de experiência.

“A maior cidade do Estado não pode ficar na mão de quem não tem experiência. No segundo turno, a população poderá comparar quem tem experiência e quem não tem. Poderemos debater claramente as propostas, os problemas, os projetos e as soluções. A nossa proposta é reconstruir a nossa cidade”, ressaltou.

O experiente político reafirmou que não fará coligação e que não escolhe adversários, mas alfinetou novamente o adversário.

“Eu não escolho adversário, sempre disse que teria estaria no segundo turno e estou muito feliz porque chegamos e agora será possível discutir as propostas. Não dá para colocar a maior cidade do Estado nas mãos de quem não tem preparo”, disse.

O candidato falou também que já tem planejamento para a transição de governo e que acredita na vitória.

“Temos planejamento para o segundo turno, para fazer a transição e para começar a governar de maneira correta, planejada, destravando Joinville e buscando recursos para construir uma cidade que ofereça verdadeiramente oportunidades para o joinvilense. Vou ganhar a eleição sem fazer coligação no segundo turno”, complementou.

Adriano Silva

Após as declarações do adversário, Adriano respondeu e emendou ser  um político “diferente”.

“Depende de qual experiência estamos falando. Eu administro uma empresa centenária e a minha experiência não está em cima de politicagem. Queremos uma política diferente, queremos tratar das questões da cidade sem troca de favores e indicações”, ressaltou.

Adriano salientou, ainda, que o Novo quer ser propositivo, mostrar e executar projetos para a cidade. Além de conquistar a vaga no segundo turno, o Novo elegeu três vereadores. “Isso é fantástico, é uma renovação importantíssima para a história política de Joinville. O joinvilense conheceu e reconheceu esse novo formato de fazer política”, finalizou.

Confira os principais momentos dos candidatos no debate realizado pelo grupo ND

Doações de campanha

No primeiro, e mais caloroso bloco em relação à troca de farpas, os dois candidatos perguntaram um ao outro sobre temas livres. Darci de Matos começou perguntando e aproveitou o tempo para alfinetar o oponente, perguntando a ele de onde vem o dinheiro utilizado pelo Novo na campanha, uma vez que o partido não usa fundo eleitoral ou partidário.

Adriano respondeu que acredita “que o dinheiro do imposto tem que estar no Governo Federal e ser usado em saúde, educação e segurança, não para bancar políticos”. Ele explicou que o partido vive de recursos vindos de seus filiados a partir da uma mensalidade e da venda de itens e que a campanha também é custeada com doações de pessoas físicas. “Não temos nenhum grande doador que é dono do partido ou que manda no partido”, disse o prefeiturável do Novo.

Darci aproveitou o momento para dizer que votou favorável à redução do fundo partidário eleitoral e que, como deputado, não usa privilégios como o auxílio mudança. Novamente, ele trocou farpas com o concorrente: “quero esclarecer que esse é mais um truque do partido Novo, que tem o maior custo por voto do Brasil, apesar de não ter nenhum prefeito eleito”. Ele ainda ressaltou a doação feita pelo empresário Salim Mattar à campanha de Adriano.

Em relação às doações à campanha, o candidato do Novo também provocou Darci de Matos. “Estranho falar sobre isso quando o senhor recebe doação da JBS, uma empresa que a gente sabe que está na Lava Jato. Nós também achamos estranho que o seu vice fez uma doação de R$ 100 mil à campanha com um patrimônio de R$ 200 mil. Isso é estranho”, destacou Adriano Silva.

Divulgação de fake news

Ainda no primeiro bloco, Darci de Matos disse que é vítima de fake news divulgadas pelo partido Novo e acusou o deputado Gilson Marques, que faz parte da sigla, de ter usado equipamentos e profissionais do seu gabinete para divulgar uma notícia falsa sobre o candidato do PSD.

Adriano fez o contra-ataque: “o senhor chamou uma coletiva de imprensa e não apresentou prova alguma disso. Agora, nós temos provas de que partiu do gabinete do seu assessor de campanha fake news dizendo que o Zema usou o avião do governo do Estado para vir para Joinville. Aliás, você já foi condenado por fake news e teve que pagar multas por isso. Eu faço uma campanha bonita e quero continuar fazendo isso”, disse o prefeiturável do Novo.

Ele também aproveitou a oportunidade para falar sobre fake news contra a sua campanha. “Nunca conversei com Udo sobre política, não faço parte “Do MDB, não tenho qualquer relação com o Udo e com o MDB. O partido Novo segue sozinho, não fizemos coligação. Somos um partido de direita, sou cristão conservador, contra o aborto, contra drogas e contra ideologia de gênero nas escolas”, falou.

Ainda sobre direita e esquerda, Darci de Matos usou seu tempo para lembrar que a vice de Adriano, a jornalista Rejane Gambim, foi secretária do PT no governo Carlito Merss. Além disso, destacou, novamente, a acusação de fake news produzida pelo deputado Gilson Marques. “Covardemente, o deputado Gilson Marques, que já foi denunciado, se utilizou do seu assessor que ganha R$ 12 mil, do computador da Câmara, para me atacar, para tentar arranhar a minha imagem”, ressaltou.

Adriano disse que Rejane Gambin foi contratada como profissional pelo governo do PT em Joinville e que essa é primeira vez que se filiou a um partido.

Vinda de Romeu Zema à Joinville

A vinda de Romeu Zema, governador de Minas Gerais pelo Novo, à Joinville também rendeu troca de farpas no segundo bloco. “O governador Zema esteve hoje em Joinville enquanto Minas explode com o coronavírus para dar apoio à sua candidatura. Como ele veio em relação aos gastos?”, perguntou Darci de Matos. Ele também destacou que o partido Novo não conseguiu eleger nenhum prefeito em Minas e nem no Brasil no mesmo questionamento.

Adriano explicou que o partido Novo só participou de campanhas em 35 cidades porque os seus candidatos fazem provas para se certificar de que estão aptos para assumir o cargo de prefeito e contra-atacou: “o seu partido perdeu em 18 cidades onde estava no governo, não dá para comparar partido com partido”.

Sobre a vinda de Zema, Adriano disse que o governador de Minas Gerais veio em um vôo comercial, enquanto seus seguranças usaram um avião da Polícia Militar porque ficou mais barato. “De forma alguma Romeu Zema usou o dinheiro do Estado. Ele está aqui para nos ajudar e mostrar como um empresário consegue transformar um Estado”, declarou.

Darci alfinetou a presença de Zema novamente, dizendo que em um levantamento ele foi considerado o pior governador do Brasil. “Quanto custa uma viagem de um jatinho de Minas Gerais para Santa Catarina trazendo toda a sua comitiva? Veio a comitiva para dar apoio ao governador para fazer política, isso não é zelo com o dinheiro público”, disse.

Adriano respondeu alfinetando o oponente. “Me chama a atenção a sua fala porque você foi um dos deputados estaduais que mais gastou em despesas com diárias, mais de R$ 260 mil em um ano como deputado federal, enquanto a Assembleia Legislativa de São Paulo inteira não gastou isso num ano”, contra-atacou.

Ligação com o MDB

Ainda no segundo bloco, Darci de Matos falou que Adriano Silva tem uma história de ligação com o MDB. “Nós sabemos que o seu pai foi presidente do MDB no passado, seu tio foi deputado estadual pelo MDB, o sobrinho de Udo se elegeu vereador pelo Novo, ele não colocou no MDB”, disse. Ele ainda insinuou que o candidato de Udo Döhler, atual prefeito de Joinville, no primeiro turno não seria o emedebista Fernando Krelling, mas sim Adriano Silva.

Adriano respondeu aos risos. “Desculpa, mas eu tive que rir. O Novo não fez nenhuma coligação. Não faço parte do MDB, é a primeira vez que sou filiado a um partido, nunca conversei com o Udo, meu pai fez parte do MDB há vinte anos”, disse o candidato do Novo. “Estranho você falar isso quando tem um vice do MDB e um coordenador de campanha que foi vice do Udo”, completou Adriano, referindo-se a Rodrigo Coelho.

Preparação para a campanha

No terceiro bloco, em que os candidatos respondiam perguntas sorteadas feitas pela produção da NDTV, Darci de Matos alfinetou Adriano Silva em relação à sua preparação para a campanha. “Você me ataca, diz que eu não faço nada na Câmara, mas diz que fez curso na Renova, esse curso é de 96 horas. 96 horas eu faço numa semana”, provocou. Adriano se defendeu dizendo que, além do curso, conhecer empresas e pessoas que o ajudaram a conhecer o que funciona na administração das cidades.

Ainda nesse bloco, em um debate sobre corrupção, o candidato do Novo falou que o arquiteto que vai trabalhar nos projetos de Darci não tem ficha limpa. O prefeiturável do PSD respondeu dizendo que o arquiteto é um dos melhores planejadores do mundo.

Confira como votar no Segundo Turno

Para comprovar a sua identidade, o eleitor deve levar um documento com foto, que pode ser carteira de identidade, passaporte, carteira de categoria profissional reconhecida por lei, certificado de reservista, carteira de trabalho ou carteira nacional de habilitação. Outra opção é apresentar o perfil no aplicativo e-Título, que mostra a sua foto caso você tenha feito a identificação biométrica.

Como no primeiro turno, o horário para votar é das 7 às 17 horas, sendo que o período das 7 às 10 horas é preferencial para pessoas com mais de 60 anos, que fazem parte do grupo de risco para o coronavírus. Os acompanhantes dos idosos podem aproveitar para votar nesse período também.