Um pé na renovação e outro na experiência; o que dizem as urnas de Joinville

Ao mesmo tempo em que escolheu novos representantes, eleitor joinvilense também apostou na experiência da alguns candidatos

Juliane Guerreiro Joinville

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De um lado, a renovação. De outro, a experiência. Ao mesmo tempo em que decidiu abrir as portas para as novidades, Joinville também apostou em candidatos já conhecidos pelos eleitores, tanto na prefeitura quanto na Câmara de Vereadores.

Disputa pela prefeitura deve ser acirrada

Depois de mais de seis horas de ansiedade para os 15 candidatos de Joinville, o resultado da eleição para a prefeitura da maior cidade de Santa Catarina saiu por volta das 23 horas. Como demonstrado pela pesquisa boca de urna encomendada pelo Grupo ND, Darci de Matos (PSD) e Adriano Silva (Novo) foram os escolhidos dos eleitores para disputarem o segundo turno.

Por causa do grande número de candidatos disputando a prefeitura neste ano, os números dos dois prefeituráveis levados ao próximo passo da campanha acabaram sendo menos expressivos. Em 2016, quando Udo Döhler e o mesmo Darci de Matos foram ao segundo turno, eles somaram 221.935 dos votos. Neste ano, a soma dos dois mais bem colocados ficou em 127.566, uma diferença de mais de 90 mil votos.

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Darci de Matos e Adriano Silva devem vencer o concorrente e a alta abstenção em Joinville – Foto: Montagem/NDDarci de Matos e Adriano Silva devem vencer o concorrente e a alta abstenção em Joinville – Foto: Montagem/ND

A disputa pelo segundo lugar foi mais acirrada neste ano. No último pleito, o então terceiro colocado Marco Tebaldi fez cerca de 42 mil votos a menos que o segundo colocado Darci de Matos. Neste ano, a diferença do segundo para o terceiro, Fernando Krelling (MDB), foi de quase 12 mil votos. A pouca diferença entre os dois candidatos não foi exatamente uma novidade, já que o clima de incerteza sobre quem ocuparia o segundo turno ao lado de Darci de Matos era grande desde as primeiras pesquisas divulgadas na cidade.

Fato é que Joinville se colocou frente a um dilema entre a experiência e a novidade. Agora, os eleitores joinvilenses podem escolher entre a experiência de um candidato já conhecido da população e que ocupou diversos cargos públicos na cidade ou de uma novidade que se diz disposta a mudar a velha política sem nunca ter se candidato a um cargo público e que tem a novidade até no nome.

As farpas já começaram a ser atiradas de um lado para o outro. Em entrevista ao portal ND+, Darci de Matos disse que “não dá para colocar a maior cidade do Estado nas mãos de quem não tem preparo”. Já Adriano ressaltou que tem experiência na administração, mesmo que de uma empresa privada. “Eu administro uma empresa centenária e a minha experiência não está em cima de politicagem”.

O desafio de Darci de Matos será vencer a grande rejeição que tem na cidade. Apesar de ter ficado em primeiro lugar, pesquisas realizadas durante a campanha indicam que ele é a última opção de muitos eleitores. Já Adriano Silva terá de convencer o joinvilense de que um empresário pode ser uma boa alternativa para a cidade, já que a experiência com Udo Döhler acabou não agradando grande parte da população.

Como dizem muitos candidatos, o segundo turno é uma nova campanha e, em Joinville, os candidatos terão de vencer, além do concorrente, o alto índice de abstenções. Mais de 193 mil pessoas deixaram de votar neste ano, o que demonstra o clima de insegurança por conta da pandemia, mas também a indignação do eleitor com a política atual em todo o Brasil.

Na Câmara, renovação foi expressiva, pelo menos nos nomes

Na Câmara de Joinville, a escolha dos eleitores por renovação foi expressiva. Das 19 cadeiras do Legislativo, apenas cinco serão ocupadas por pessoas que já foram vereadoras. Essa renovação, no entanto, tem mais relação com os novos nomes do que, necessariamente, com o perfil dos eleitos. A maioria dos escolhidos pelos eleitores tem o mesmo perfil dos últimos: homens brancos.

Como em 2016, apenas duas mulheres foram eleitas neste ano. Uma delas é Tânia Larson (PSL), conhecida pela atuação nas causas animais. A outra é Ana Lúcia Martins (PT), o principal, se não o único, motivo de comemoração da esquerda no pleito municipal. Professora aposentada, ela é uma representante do feminismo e do movimento negro.

O Novo foi a grande novidade das eleições também na Câmara. Três candidatos foram eleitos para o Legislativo, entre eles Alisson, o vereador mais bem votado nessas eleições – apesar da votação expressiva, no entanto, ele não ultrapassou os votos de Fernando Krelling, vereador mais votado da história, em 2016. A eleição de Alisson também deve ser uma conquista para os deficientes físicos, já que o eleito convive com a AME (atrofia muscular espinhal) desde os primeiros anos de vida.

Alisson foi o eleitor mais votado de Joinville – Foto: Divulgação/NDAlisson foi o eleitor mais votado de Joinville – Foto: Divulgação/ND

Em 2016, candidatos de nove partidos diferentes foram eleitos, com predominância para o então PMDB, que colocou cinco vereadores na Câmara. Neste ano, assim como na eleição para prefeito, o MDB perdeu força no Legislativo, elegendo apenas três legisladores, mesmo número do Novo.

O PSD elegeu dois candidatos e outros 11 partidos conquistaram uma cadeira cada. Solidariedade e PSDB perderam um representante, PSB perdeu três e PR perdeu dois. PT, PSL, DEM, Podemos, PTB, PL, Patriota e Cidadania ganharam um vereador cada em comparação com o último pleito.

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