“Vamos criar a ronda do capricho em Joinville”, diz Ivandro

Ivandro de Souza, candidato do Podemos, falou sobre os desafios da cidade e as propostas da chapa para a maior cidade do Estado

Juliane Guerreiro Joinville

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A série de entrevistas com os pretendentes à prefeitura de Joinville continua no Grupo ND. E nesta quinta-feira (22), foi a vez de o candidato Ivandro de Souza (Podemos) ser o sabatinado pela NDTV Record Joinville e pelo portal ND+.

Ivandro de Souza tem 50 anos e é do segmento da construção civil. Tem participação em entidades de classe empresariais, sociais e filantrópicas e, na década de 90, comandou a Secretaria Municipal de Habitação de Joinville. Começou a trabalhar com 13 anos como office boy e se tornou corretor de imóveis aos 19. Com 20, abriu a atual empresa, que hoje atua no ramo da construção civil. Essa é a primeira vez que ele concorre nas eleições.

Entrevista com Ivandro de Souza foi conduzida pela apresentadora Sabrina de Aguiar – Foto: Juliane Guerreiro/NDEntrevista com Ivandro de Souza foi conduzida pela apresentadora Sabrina de Aguiar – Foto: Juliane Guerreiro/ND

Confira a entrevista:

Em seu plano de governo, você fala em federalizar o Hospital São José. Por que essa iniciativa?

Para que Joinville possa concentrar os recursos da prefeitura em áreas mais estratégicas e porque Joinville concedeu ao presidente Bolsonaro 83% dos votos. Então, é necessário que o prefeito de Joinville vá à Brasília e faça algumas reivindicações ao presidente em retribuição ao número de votos que o eleitor de Joinville concedeu a ele.

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E uma das reivindicações vai ser para que a União assuma o custeio do Hospital São José fazendo com que ele possa ser ampliado e atender melhor a população. O dinheiro que sobrar, porque a prefeitura gasta de cerca de R$ 15 milhões por mês, esses recursos não estão claros, a gente pode investir em outras áreas da cidade.

Você fala em “coibir invasões na periferia”. De que modo fazer isso e qual solução pretende oferecer para as famílias em situação de vulnerabilidade?

Nós vamos criar a Secretaria de Articulação Social. A grande periferia de Joinville, a mais longínqua periferia de Joinville, está abandonada pela prefeitura há muitos anos. Então, essa prefeitura precisa articular novamente o tecido social, unindo aqueles que têm mais a oferecer àqueles que mais precisam. 

Por exemplo, essa periferia, muitas delas, estão sendo tomadas pelas facções. Então, é necessário nós formarmos uma grande força, unindo as igrejas, a segurança pública, o voluntariado, os recursos da Caixa Econômica Federal para fazermos habitação popular para essas famílias de tal forma a voltar a dar a eles uma inclusão social. Nós precisamos trazer essas famílias para dentro da cidade e não expulsá-las da cidade. E a Secretaria de Articulação Social terá essa função.

Você fala em “dar novo significado aos ginásios Ivan Rodrigues e Abel Schulz para devolvê-los à comunidade”. O que vai fazer com esses espaços, principalmente com o Ivan Rodrigues que está sem uso há tanto tempo?

O Ivan Rodrigues hoje é estadual e nós vamos pedir ao governador que nos devolva para que a gente possa reformá-lo e entregá-lo para a população para as práticas desportivas amadoras, tendo em vista que as profissionais, em função das novas regras e exigências, o Ivan Rodrigues não atende mais. Mas ele pode, por exemplo, ser útil para treinos de futsal e outras modalidades. E o Abel Schulz, que está na praça central de Joinville, vai ser integrado a um novo centro, moderno para a população. 

Hoje, há uma dificuldade em manter os filhos de agricultores na área, principalmente pela falta de incentivo. Como pretende lidar com essa questão?

Incentivando, motivando, colaborando, levando a pavimentação às áreas rurais, reabrindo a Fundação 25 de Julho, que sempre foi uma fundação de valor para quem mora na área rural através da patrulha mecanizada, através da criação de alevinos para a piscicultura e, principalmente, através do turismo rural, que é uma modalidade de turismo que está se aflorando pela cidade, mas que está abandonada por falta de incentivo municipal.

Então, qual é a função da prefeitura nesse caso? Uma delas, por exemplo, é que a Secretaria de Comunicação pode ser a verdadeira secretaria que comunique o turismo da cidade e não as ações de governo, muitas vezes até enganando a população, inventando assuntos para poder botar na mídia. A Secretaria de Comunicação vai ter um protagonismo diferente, vai promover a cultura, a área rural, o turismo, para que o joinvilense volte a ter orgulho da própria cidade.

Você fala em descentralizar a administração nos bairros. Hoje, a gente já tem as subprefeituras. Você pretende manter este formato? Qual é a sua proposta nesse sentido?

A subprefeitura, hoje, é um cabide de emprego para apoiador de vereador e do prefeito. É necessário mudar esse modelo e entender que a população, hoje, quando chega na subprefeitura não é atendida. Então, para que ter uma subprefeitura? Nós vamos criar a “ronda do capricho”, que será um serviço 24 horas que cuidará da cidade, da limpeza das ruas, da limpeza de bocas de lobo, das floreiras, das calçadas, dos jardins. 

Então, eu prefiro muito mais olhar quatro zeladorias municipais atuando firmemente na cidade porque o que a população em geral vai procurar na subprefeitura é uma melhoria na sua rua, uma árvore que caiu e precisa ser retirada da rua e assim por diante. E a prefeitura não vem dando esse serviço. Então, esse serviço será substituído pela “ronda do capricho”, que será um serviço 24 horas à disposição da sociedade. 

Manter o diálogo com os servidores é uma de suas propostas. Como pretende fazer isso?

A Secretaria de Recursos Humanos de Joinville vai ter um novo papel, um papel de aperfeiçoar, treinar, aprimorar e colaborar com o servidor público. Porque a visão é que essa secretaria possa contribuir, cooperar com os servidores públicos para que eles possam cuidar das 600 mil pessoas.

Então, a secretaria cuida dos 12 mil servidores que, por sua vez, vão cuidar da população nas mais diversas áreas, na educação, na segurança, no trânsito, na mobilidade, nas certidões, nos licenciamentos e assim por diante. Essa é uma ação. E depois tratar o servidor público com respeito, dando novamente um propósito de vida e de trabalho para ele.

A licitação e as obras do rio Mathias estão suspensas. Como você pretende lidar com a questão? 

Eu vou fazer aquilo que eu já fiz numa carta e entreguei para o prefeito. A primeira coisa é ter um laudo técnico da realidade das obras porque ali tem muita enganação, tem muito dinheiro público enterrado e a gente não sabe onde foi enterrado. Então, tem que fazer um laudo técnico. Depois disso, nós vamos dar sequência às obras, terminar e entregar para a população uma cidade limpa e organizada novamente.

O que pensa em relação à licitação do transporte coletivo e a medidas para tornar a tarifa mais barata?

Nós, primeiro, vamos criar a região metropolitana, incentivar que ela seja criada para que alguém lá de Araquari possa pegar um ônibus com a mesma tarifa e atravessar toda Joinville. Nós vamos licitar o transporte público coletivo de uma nova forma, num novo modelo voltado ao usuário. A prefeitura de Joinville vem administrando as coisas todas para meia dúzia de pessoas e essa página nós vamos virar e, com isso, vamos ter soluções melhores, mais eficazes e baratas para a população.

Vamos fazer um edital trazendo um corpo técnico, fazendo um novo estudo que interesse para a população e não para meia dúzia e, em cima do estudo técnico, você abre um processo licitatório. Agora, não faz mais sentido uma pessoa ficar 40 minutos num ponto de ônibus enquanto a gente tem hoje um aplicativo que você pode chamar a qualquer momento e esperar o ônibus ali no ponto daqui a cinco minutos.

Então, Joinville está muito atrasada com isso porque não foi feito um investimento no transporte  público. Os ônibus são altos, a maioria deles não tem ar-condicionado, os pontos de ônibus são ruins, as linhas são pequenas. É necessário fazer um novo estudo técnico orientado para a população, para o usuário e, a partir desse momento, fazer a licitação para eles e não para quem opera o sistema. 

Entrevista foi transmitida pelo programa Balanço Geral – Foto: Juliane Guerreiro/NDEntrevista foi transmitida pelo programa Balanço Geral – Foto: Juliane Guerreiro/ND

Em relação à segurança pública, você fala em viabilizar projeto de parceria e integração com as empresas de segurança privada. Qual seria o papel delas e como funcionaria essa parceria?

O grande articulador da segurança pública de Joinville será o gabinete do prefeito, esse serviço não será terceirizado. Nós vamos unir Polícia Civil, Guarda Municipal, agentes de trânsito. Hoje, a Guarda Municipal trabalha até 18h30 e depois vai pra casa e o crime e a violência começam quando eles vão descansar, isso está errado, tem que mudar. Tem que fazer com que eles trabalhem à disposição da população quando a população mais precisa. 

O grande articulador da segurança municipal será o gabinete do prefeito, articulando, promovendo, desenvolvendo, incentivando todas as forças de segurança pública de Joinville, onde as companhias privadas também têm uma força muito grande porque têm redes de câmeras e tudo isso poderá ser integrado com Polícia Civil, Guarda Municipal, Polícia Federal, PM e assim por diante.

Agora, o prefeito precisa chamar para si, e eu vou fazer isso, essa discussão, essa liderança, para deixar a população mais segura. Porque nós temos todas essas forças à disposição da população, mas elas estão desarticuladas entre si e cabe ao gabinete do prefeito fazer essa articulação e, com isso, deixar a população mais segura. Soma-se a isso também o investimento onde a gente pode ter esquinas mais seguras, lugares onde acontecem mais acidentes, onde tem mais assaltos e que requerem maior atenção, com melhor iluminação, melhores câmeras. Tudo isso orientado e articulado pelo gabinete do prefeito.

O acesso aos CEIs é um problema histórico de Joinville, que não possui atendimento em período integral para as famílias. Você fala em criar novas estruturas. Como fazer isso? Com que recursos?

Nós tínhamos uma rede de CEIs comunitários na cidade que funcionava bem e a prefeitura comprava vagas, só que não pagava bem, pagava um preço injusto. Tinha uma relação de enganação, a prefeitura enganava os CEIs. O que nós vamos fazer é pegar a tabela, abrir a planilha e pagar o que for justo. Se uma criança custa R$ 800, vai ser pago R$ 800 e não R$ 600.

Nós vamos incentivar essa criação, comprar essas vagas em turno integral e, automaticamente, disponibilizar gratuitamente para a população nas áreas mapeadas em que mais houver crianças, perto da casa das pessoas. A Secretaria de Educação já tem esse mapeamento, sabe onde tem os focos, só que não atua.

Por que o eleitor joinvilense deve votar em você?

Eu estou muito afim desse projeto, desse desafio. Me preparei para isso, tenho 50 anos, sou construtor, conheço de obras. A cidade está abandonada, largada, sem uma liderança e eu estou à disposição. Se a população entender que Joinville precisa de um projeto de desenvolvimento, de crescimento e de ruptura com o atraso, uma ruptura não com pessoas, mas com sistemas e mecanismos que impedem o nosso desenvolvimento, esse projeto é o projeto que o Ivandro representa junto com a Angélica.

A Angélica, que é minha vice, vai trabalhar junto comigo na mesma sala, promovendo o desenvolvimento social em Joinville. E o Ivandro vai trabalhar promovendo o desenvolvimento econômico, o trabalho para as pessoas. E com a junção desses dois desenvolvimentos, o social, através do voluntariado, através do clube de mães, e o Ivandro trabalhando através da geração de empregos, atraindo novas empresas para cá, incentivando a vinda do trabalhador e do empreendedor, isso vai formar uma reação política, uma química maravilhosa de crescimento e de desenvolvimento para a nossa cidade. E para isso acontecer, tem que apertar o 19 na urna.

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