Na sequência de entrevista com os candidatos ao governo de Santa Catarina dentro do projeto Voto+ do Grupo ND, o jornalista Luan Vosnhak entrevistou ontem no ND Notícias o candidato Décio Lima (PT).
Décio Lima foi entrevistado no ND Notícias – Foto: Leo Munhoz/NDO candidato do PT ao governo falou sobre como superar a força da direita no Estado, a relação com o Legislativo, como irá gerir a máquina pública caso seja eleito, planos para economia e infraestrutura de Santa Catarina e a política tributária em um possível governo.
Historicamente, a direita em Santa Catarina tem mais a tendência do eleitor. Como romper essa tendência? O senhor já chegou ao segundo turno, isso pode atrapalhar de certa forma o resultado das urnas, esse perfil mais conservador no Estado?
SeguirEu não entendo que essa dicotomia entre direita e esquerda é algo que possa trazer o retrato claro do povo de Santa Catarina. O povo de Santa Catarina é marcado por um processo apaixonante.
Primeiro que somos um povo marcado pela nossa própria religiosidade, um povo cristão, da terra de Santa Catarina, portanto os nossos valores são muito além do que uma expressão possa diminuir o tamanho do nosso povo.
É marcado pelo cooperativismo, pelo associativismo, pelo comunitarismo, um povo marcado pelos valores humanistas, da solidariedade, do amor e, portanto, somos um povo que está atento aos acontecimentos do nosso país e do nosso Estado.
Eu não vejo dificuldades porque eu sou pertencente à família catarinense. Tive essa formação e sei conviver na pluralidade diferente daquilo que querem, insistentemente, trazer para a narrativa do povo catarinense.
Décio Lima (PT) falou sobre algumas propostas de governo – Foto: Leo Munhoz/NDA política do ódio, da mentira, da maldade, da exclusão, da fome, da negação de valores que o povo catarinense não concorda. E eu represento isso.
O ambiente daqueles que querem construir uma Santa Catarina plural, uma Santa Catarina que terá um governo com todos os setores da sociedade e não vai governar como estão governando o nosso país, com Orçamento Secreto, com as mentiras, com as fake news e, principalmente, com a produção de ódio.
Eu represento os valores que são da grande maioria do povo catarinense. Portanto, nessa caminhada que eu fiz para estar aqui, é uma prova de poder estar no segundo turno e ser uma alternativa viável no momento da decisão soberana do povo catarinense no próximo domingo.
Vamos falar um pouquinho sobre a relação entre Executivo e Legislativo a partir do próximo ano na Assembleia Legislativa. O PL terá 11 parlamentares, o PT quatro. Como será a relação do senhor com a Assembleia, caso eleito. Isso pode representar alguma dificuldade?
Eu sou o único candidato que trago isso, a experiência administrativa de ter sido prefeito por oito anos e sempre com minoria nos espaços legislativos.
Eu, quando me elegi prefeito da cidade de Blumenau, eram 18 na oposição e apenas três haviam sido eleitos pela frente que eu representava.
Eu não vou governar Santa Catarina na forma como eles têm governado, com fisiologismo, historicamente, como o Brasil está sendo governado com o Orçamento Secreto tirando do povo, inclusive, como estamos acompanhando aqui em Santa Catarina recursos da Universidade Federal, negando a comida para os estudantes nos institutos federais, negando os recursos para saúde.
Ou seja, nós vamos governar com os valores da pluralidade, permitindo que os interesses difusos daquilo que representam o Poder Legislativo. Que todos os 40 deputados possam estar na pauta permanente dos resultados na execução do nosso governo.
Então não vou ter dificuldade de trabalhar o modelo executivo com as diferenças naturais da pluralidade política, da expressão do Poder Legislativo de Santa Catarina.
Sobre máquina pública, os cofres do Estado estão em dia. Ainda que apontem uma leve redução, para o ano que vem vai sobrar dinheiro. Como o senhor vai gerir a máquina pública? Pretende criar mais secretarias? Elevar ou reduzir salários, contratar mais gente?
A minha proposta de governança, como aqui já me referi do período em que governei a cidade de Blumenau, fui reeleito com 63% dos votos, e saí de forma inusitada, inclusive para época, com aprovação de ótimo e bom de 85% da população. Por quê? Porque fiz um governo com todos os setores da sociedade.
Segundo Décio Lima, caso eleito, não terá dificuldade em dialogar com a Alesc – Foto: Leo Munhoz/NDÉ assim que eu quero governar Santa Catarina. E com a garantia da responsabilidade administrativa e fiscal, ou seja, eu não tenho dificuldades de ter recursos no cofre e não saber gastá-los, porque nós vamos produzir políticas de Estado.
Vamos mudar a forma de construção do orçamento em Santa Catarina, que será participativo, construído pela sociedade, nas 21 microrregiões de Santa Catarina junto com os prefeitos, junto com os vereadores, com os empresários, com as cooperativas, com os setores produtivos, com os micros e pequenos empreendedores, com os trabalhadores, para que eles decidam a execução e as prioridades nas suas respectivas regiões.
Garantindo inclusive um modelo de governança isonômico e que esteja presente na vida do povo catarinense e não o que nós temos historicamente assistido em Santa Catarina, um modelo de governo completamente ausente na vida do nosso povo.
Alguma nova secretaria?
Olha, tudo vai ser construído com a sociedade. Eu quero me reunir, como disse, com os empresários, com os micro e pequenos empreendedores, com a expressão das mulheres catarinenses, das quais eu tenho a honra de trazer na minha chapa majoritária, Beatriz Vargas, a Bia Vargas, uma mulher negra, mãe, de 35 anos, para também trazer o impulso da nossa juventude e vamos fazer uma construção para ter um Estado moderno, efetivo e que atenda, sobretudo os desafios do povo de Santa Catarina a partir do ano que vem.
O candidato especifica no plano de governo que a infraestrutura é a mola propulsora do desenvolvimento, especialmente para a indústria catarinense que clama tanto por isso. Como tirar tantos projetos parados, inclusive com corte de verbas, do papel?
Primeiro trazendo de volta o que o Brasil já sabe, o modelo republicano representado pela esperança que é o presidente Lula. Nós vamos trazer de volta as políticas para sairmos do mapa da fome.
Lima também falou sobre investimentos em infraestrutura – Foto: Leo Munhoz/NDColocar o povo no orçamento de novo e, com isso, aquecer o modelo econômico e voltar os investimentos federais, além do potencial que o nosso Estado terá pra fazer as obras de infraestrutura.
No nosso período, voltava pra Santa Catarina aquilo que era arrecadado pelo governo federal, 60% em obras, em acontecimentos que nos permitiram duplicar a BR-101 Sul, a ponte Anita Garibaldi, 31 institutos federais, programas na área da saúde, UPAs, policlínicas.
Hoje, com esse presidente, voltam 7% apenas para o povo catarinense, ou seja, Santa Catarina não merece ser tratada dessa forma. Portanto nós vamos trazer novamente os investimentos federais e vamos também apresentar um conjunto de obras, porque só na duplicação da BR-101 Sul nós tivemos um crescimento econômico, dados da Fiesc, na ordem de R$ 9 bilhões o que levou Santa Catarina a ser o sexto PIB do Brasil. Com isso a economia cresce, geramos emprego e levamos qualidade de vida para o nosso povo.
O senhor cita em fazer um pente fino na política tributária para proteger os produtos catarinenses. Isso significa reduzir impostos?
Isso significa fazer justiça fiscal. Isso significa nós podermos junto com os setores produtivos dar para eles, inclusive, segurança na produção e nos seus negócios. Nós temos várias situações que precisam ser protegidas pelo Estado de Santa Catarina.
Candidato do PT falou política tributária no Estado – Foto: Leo Munhoz/NDAgora recentemente a produção do leite, que entrou em um processo decorrente da guerra fiscal, num processo que eu diria de deteriorização. Nós não podemos permitir que os setores produtivos de Santa Catarina, principalmente os pequenos, fiquem na vulnerabilidade comum do mercado.
Nós temos que proteger a economia de Santa Catarina, porque protegendo a economia de Santa Catarina, nós estamos protegendo os empregos e a renda do nosso povo.