O uso da linguagem neutra, também chamada de linguagem não-binária, tem sido cada vez mais discutido nacionalmente. E, em Joinville, assim como em outras cidades de Santa Catarina, um vereador quer proibir a utilização dela na esfera pública municipal.
Nesta semana, Wilian Tonezi (Patriota) apresentou projeto de lei na Câmara de Vereadores de Joinville para vedar a utilização de “linguagem estranha à Língua Portuguesa em utilização de flexão de gênero no âmbito da administração pública municipal”.
Wilian Tonezi quer proibir linguagem neutra em Joinville – Foto: André Kopsch/NDNesse sentido, o uso da linguagem neutra seria proibido no Executivo, Legislativo, organizações ligadas diretamente ao poder público municipal e, conforme o projeto, “em especial, as instituições que compõem o sistema de ensino municipal”.
SeguirA proposta ainda sugere que o servidor que praticar ou tomar conhecimento do uso da linguagem neutra deve comunicar à autoridade sob risco de “inobservância de seus deveres”.
Na justificativa, Tonezi argumenta que “a inclusão de linguagem neutra seria uma afronta à língua portuguesa, traria confusão ao processo de aprendizagem das crianças, geraria inexatidão nos textos oficiais, além de ser uma imposição semântica que privilegia uma ideologia minoritária, não natural à sociedade como um todo”.
O projeto ainda vai passar pela análise das comissões antes de ser votado em Plenário. Vale lembrar que pelo menos uma vereadora de Joinville, Ana Lucia Martins (PT), costuma usar a linguagem neutra, como fez durante a posse, usando “todes” para se referir aos presentes na cerimônia.
O que é a linguagem neutra ou não-binária
Diante das polêmicas, o ND+ explicou o que é a linguagem não-binária, usada para designar o gênero das pessoas sem identificá-las no feminino ou masculino. Nesse tipo de linguagem, são usados termos como elx, todes e meninx, por exemplo, para substituir o “o” e o “a” que indicariam o gênero.
Atualmente, três projetos dos deputados estaduais Ana Campagnolo (PSL), Jair Miotto (PSC) e Jessé Lopes (PSL) querem impedir o uso da linguagem em nível estadual. Além disso, também há projeto semelhante tramitando em Balneário Camboriú.