Vereadora de Florianópolis denuncia ameaças e ofensas recebidas por e-mail

A mensagem é assinada com o nome de um vereador do Extremo Oeste de Santa Catarina, mas que nega ter enviado o e-mail de ofensa

Redação ND Florianópolis

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A vereadora de Florianópolis Carla Ayres (PT) relatou que recebeu um e-mail com ofensas e ameaças, na última sexta-feira (3). O caso foi denunciado pela parlamentar à polícia e demais órgãos competentes. Além de Carla, a parlamentar Maria Tereza Capra (PT), que teve o mandato cassado pela Câmara de São Miguel do Oeste após denunciar supostos gestos nazistas, também foi alvo dos ataques.

Vereadora recebeu e-mail com ofensas e ameaças — Foto: Édio Hélio Ramos/Arquivo/NDVereadora recebeu e-mail com ofensas e ameaças — Foto: Édio Hélio Ramos/Arquivo/ND

O e-mail é assinado com o nome de um vereador da Câmara de São Miguel do Oeste, Vanirto Conrad (PDT), que nega que tenha escrito e enviado a mensagem. “Jamais enviei tal e-mail, aliás nem conheço, e nunca tive nenhum contato com a vereadora”, destaca Conrad.

O vereador destacou ainda que registrou um Boletim de Ocorrência e espera que a situação seja esclarecida com a maior brevidade possível.

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Apesar de conter o nome do vereador Conrad, a assessoria da vereadora destaca que o conteúdo teria sido supostamente enviado pelo parlamentar, já que a mensagem não veio de um e-mail oficial, mas de um destinatário com o nome do vereador.

Além disso, na assinatura da mensagem também é citado o nome do parlamentar, com o cargo de presidente da Câmara de São Miguel do Oeste. Contudo, Conrad faz parte da mesa diretora do legislativo, mas no cargo de vice-presidente.

“Se esse e-mail porventura existir, só pode ser fruto de invasão de minhas redes sociais ou de alguém que criou um e-mail falso em meu nome para criar um factoide político”, acrescentou o parlamentar.

Ameaças e ofensas

No e-mail, há uma sequência de ofensas de gênero e machistas. Além de ameaças de morte direcionadas à parlamentar que teve o mandato cassado no Extremo Oeste e a família dela.

Outras pessoas também são ameaçadas de morte no e-mail, entre elas: o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), o ministro da Justiça, Flávio Dino, e o ministro do STF, Alexandre de Moraes.

A reportagem do ND+ teve acesso ao e-mail na íntegra, mas optou por não divulgar o conteúdo por conta do teor ofensivo.

Denúncias

Diante do conteúdo da mensagem, a vereadora registrou um boletim na Polícia Civil e também denunciou os ataques sofridos em outros órgãos competentes, como Procuradoria-Geral Eleitoral, Ministério das Mulheres, Procuradoria Especial da Mulher da Alesc, entre outros. Também comunicou à presidência da Câmara de Florianópolis sobre as ofensas.

Por meio de nota, assinada pelo presidente da Câmara de Florianópolis, João Cobalchini (União Brasil) , a Casa afirmou repudiar as ameaças sofridas pela vereadora Carla.

“A intolerância, discriminação quanto a orientação sexual, gênero e raça fere toda e qualquer liberdade individual, além de ser crime previsto em lei. Esta Casa Legislativa presta total apoio a vereadora, bem como presta solidariedade a todos(as) que vêm sofrendo veemente com os ataques, não mais aceitos neste país”, diz a nota.

Ato na Câmara de Florianópolis

Segundo a assessoria de Carla, um ato é organizado e deve ocorrer na quarta-feira (8), às 14h, na Câmara Municipal de Florianópolis. A organização é realizada pelo Movimento Humaniza Santa Catarina. Além de Carla, também devem participar do movimento as vereadoras Giovana Mondardo (PCdoB), de Criciúma, e Marlina Oliveira (PT), de Brusque.

O objetivo da ação será prestar solidariedade às vereadoras ameaçadas e ofendidas.

Para a vereadora de Florianópolis, o episódio de ameaças trata-se de “mais um grave caso de violência política de gênero contra parlamentares eleitas democraticamente e que vêm sofrendo uma série de ataques e ameaças desde que assumiram seus mandatos”.

Além disso, Carla destaca que Santa Catarina não pode permitir que discursos de ódio sejam utilizados para tentar coibir ou ameaçar a democracia. “Nesse sentido, as denúncias se fazem necessárias para garantir o livre exercício dos mandatos e a segurança dessas parlamentares”, destaca.

A reportagem do ND+ tentou contato com a Polícia Civil na tarde desta terça-feira, mas até o fechamento desta matéria, às 22h25, não houve retorno para maiores esclarecimentos.