VÍDEO: É mentira que professora fez gesto político em aulão do Enem em Chapecó

Marília Fortes Bianchi foi acusada de fazer apologia política; colégio emitiu uma nota de esclarecimento

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Redação ND Chapecó

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Um print de um vídeo retirado de contexto bagunçou a vida de uma professora de filosofia de Chapecó, no Oeste de Santa Catarina, e gerou uma série de interpretações.  Na imagem, que circulou na internet e viralizou, Marília Fortes Biachi é acusada de fazer apologia política durante um Aulão Solidário do Enem, realizado no último sábado (22), no Colégio Exponencial, onde Marília ministra aulas.

Marília entrava dançando no aulão – Foto: Colégio Exponencial/NDMarília entrava dançando no aulão – Foto: Colégio Exponencial/ND

A foto que circula na internet mostra a professora fazendo o sinal com as mãos enquanto dança a música “Ela é Top”. Porém, um print está sendo compartilhado dizendo que ela está fazendo sinal de “L” com as duas mãos. Junto da foto, a frase: “Professora de Filosofia do Exponencial ativismo puro”.

A professora afirma que a imagem foi retirada de contexto e compartilhada de maneira indevida. O colégio emitiu uma nota de esclarecimento assinada pelo diretor Élio Antônio Maldaner. No comunicado, a escola informa que durante o aulão foram apresentadas inúmeras atividades de reforço, revisão e estudos preparatórios para estudantes de diversas escolas.

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A nota relata que para tornar a aula mais atraente, os docentes fizeram uma entrada de apresentação descontraída, escolhendo individualmente uma música para o momento. A professora Marília Fortes Bianchi escolheu a música “Ela é Top”.

Assista:

Vídeo da entrada da professora mostra o que realmente aconteceu. – Vídeo: Colégio Exponencial/ND

A letra diz: “Ela não anda, ela desfila. Ela é top, capa de revista. É a mais mais, ela arrasa no look. Tira foto no espelho pra postar no Facebook”.

“Inspirada em danças modernas da rede social TikTok, no momento que a letra fala ‘Ela é Top, capa de revista’ a professora faz uma gesticulação que representa ‘fotografia’, ‘close’, momento este que foi printado e está sendo divulgado de maneira descontextualizada, induzindo a acreditar que a mesma esteja fazendo apologia política”, justifica a nota. (Veja a nota na íntegra abaixo).

Nota de esclarecimento foi divulgada pelo colégio. – Foto: Colégio Exponencial/NDNota de esclarecimento foi divulgada pelo colégio. – Foto: Colégio Exponencial/ND

O que diz a professora?

Marília afirma que está assustada com o linchamento virtual que vem recebendo na internet. Ela afirma que foi vítima de uma violência e um crime de Fake News.

“Quem vê essas dancinhas de Tik Tok sabe que o sinal simula um quadrado com as mãos, fazendo referência ao close, assim como cita na música”, comenta.

Segundo a professora, o print foi totalmente retirado de contexto e utilizado de má-fé para prejudicá-la. “Está induzindo uma interpretação errada de uma situação que pode ser esclarecida e confirmada com o vídeo, que foi enviado com a nota de esclarecimento emitida pelo colégio”.

Marília confirma que em nenhum momento durante o aulão fez qualquer menção política partidária e diz que todos os alunos e colegas professores que estavam no local podem confirmar isso.

“A minha aula era sobre filosofia e sociologia e em nenhum momento falei referente a candidato ou partido político. A única menção que fiz ao tema ‘Eleições’ foi citar que seria uma pauta que poderia cair em prova do Enem, devido ao ano eleitoral, mas nada além disso. Todos que estavam lá testemunharam isso”, comenta.

A professora lamenta e se preocupa com o estrago que essa Fake News ainda pode lhe causar. “Fiquei muito assustada com as consequências que essa mentira poderia me trazer fora da internet. É o meu emprego, o meu trabalho e minha credibilidade que foram colocadas em jogo por causa de uma mentira e isso me deixou extremamente preocupada”, diz.

De acordo com ela, o sentimento é de impotência e indignação. “Fico muito grata da escola ter acreditado em mim, eles conhecem meu trabalho  e minha conduta em sala de aula. Inventaram uma mentira com a clara intenção de me prejudicar. O que aconteceu foi um crime, não somente comigo, mas com  escola, que também teve a credibilidade contestada. É inacreditável que as pessoas façam esse tipo de coisa”.

A professora está tomando todas as medidas jurídicas cabíveis.

Fake news

O delegado de Polícia Civil, Thiago de Oliveira, da 1ª DP (Delegacia de Polícia) de Fronteira de Chapecó, não está acompanhando o caso, mas explicou à reportagem do ND+ o que é Fake News e suas penalidades. De acordo com ele, é a disseminação de informações em desacordo com a realidade visando distorcer fatos com a intenção de causar dano a alguém, bem como obtenção vantagens em decorrência disso.

Segundo ele, a depender do que for disseminado e se for contra alguém, pode se enquadrar nos crimes de calúnia com pena de detenção, de seis meses a dois anos, e multa; difamação com pena de detenção, de três meses a um ano, e multa; ou injúria com pena de detenção, de um a seis meses, ou multa.

“Essas penas serão triplicadas se forem praticados via redes sociais pela internet. Pode configurar também uma contravenção penal, quando a pessoa anuncia desastre ou perigo inexistente, ou praticar qualquer ato capaz de provocar temor ou pânico na população, e se for alguma informação falsa mais genérica e que não seja contra alguém, com pena de prisão simples, de quinze dias a seis meses, ou multa”, esclarece.

Oliveira ressalta, ainda, que Fake News podem gerar consequências no âmbito cível. “Se a informação propagada causar dano moral ou material a alguém, pessoa física ou jurídica, o propagador da informação falsa pode ser responsabilidade a indenizar a pessoa que for lesada”.

O delegado acrescenta que todas essas consequências se aplicam a quem cria e também a quem propaga a informação. “O fato de apenas receber e repassar adiante em algum grupo de Whatsapp, por exemplo, pode configurar essa prática”, finaliza.

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