VÍDEO: Luciano Hang será candidato ao Senado? Presidente Jair Bolsonaro responde

Empresário dono da Havan e ativista político conservador e de direita, Luciano Hang desponta como franco favorito caso concorra por Santa Catarina

Receba as principais notícias no WhatsApp

Luciano Hang será candidato ao Senado? Essa é uma pergunta importante para a definição do cenário político em Santa Catarina. Com uma vaga em jogo, o empresário dono da Havan e ativista político conservador e de direita desponta como franco favorito.

Jair Bolsonaro, presidente da República, recém-filiado ao PL e pré-candidato à reeleição, falou sobre o assunto durante a tradicional live de quinta-feira (2).

Live do presidente Jair Bolsonaro comenta sobre candidatura de Jair Bolsonaro ao Senado – Vídeo: Reprodução/ND

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Bolsonaro citou Hang em uma lista de prováveis candidatos ao Senado. Mas, disse que ainda não há definições.

As especulações sobre a candidatura do empresário Luciano Hang ao Senado não são recentes.

No dia 17 de setembro o blog publicou uma das primeiras análises sobre o assunto. O texto foi acompanhado de um longo relato sobre o início do ativismo político de Hang, que teve como marco o dia 5 de janeiro de 2018.

No dia seguinte, a imprensa nacional repercutiu a publicação do blog.

Luciano Hang confirmou que recebeu um “pedido” do presidente Jair Bolsonaro para concorrer.

O primeiro passo do empresário no ativismo político

Não é a primeira vez que o nome de Hang é cotado para participar das eleições. Em 5 de janeiro de 2018, o empresário reuniu a imprensa no Centro Administrativo da Havan, em Brusque, e disse que estava disposto a concorrer nas eleições daquele ano. Na véspera daquele conferência, Hang informou que havia se desfiliado do MDB, ao qual foi inscrito por mais de 30 anos.

Até abril, prazo limite para filiações, muito suspense e especulações. Foram ensaiadas candidaturas ao governo do Estado, ao Senado – como agora – e até mesmo à vice-presidência, na chapa de Jair Bolsonaro. Dissipada a cortina de fumaça, Luciano Hang não se filiou a nenhum partido e não concorreu. “Vou atuar como ativista político”, disse. E assim o fez, se tornando expoente nacional do bolsonarismo.

Logo na primeira semana de janeiro de 2018, Luciano Hang reuniu a imprensa de todo o Estado para uma entrevista coletiva. Colocou, inclusive, o helicóptero particular à disposição para o transporte de comunicadores. As respostas foram milimetricamente ensaiadas, dentro daquilo que Hang queria dizer, mesmo que não fosse exatamente o perguntado.

O tom do discurso foi de fortes críticas ao modelo político vigente e de apelo para a mudança por meio do voto. Em ano de Copa do Mundo e de eleições, Hang defendeu o momento político como o mais importante de 2018.

Nos meses de abril e maio, o empresário prometeu – e cumpriu – lançando um movimento junto às lojas. Desde então, os funcionários usam camisetas com as cores verde e amarelo. “Não é para torcer pelo Brasil, é para mudar a política”, afirmou.

Já naquele dia, Hang vestia uma camiseta com a frase: “Coragem para mudar. O Brasil precisa de nós”.

De cabeça para baixo

Diante da projeção na parede de um desenho invertido do mapa do Brasil, Hang disse que o país está “de cabeça para baixo”. “Hoje, o errado está certo e o certo está errado. Estamos com os valores trocados”, disse. A alta carga tributária e a burocracia excessiva foram alguns dos entraves apontados. “Pedi um levantamento sobre a situação em uma cidade próxima. Nos últimos sete anos, despesa de pessoal subir 300%. Já a inflação foi de 55%. É assim em todo o Brasil”, disse em 2018.

Ideologia política

Luciano Hang adotou o discurso que o tornaria amado por uns e odiado por outros em todo o Brasil. Tópicos como liberalismo, meritocracia, desburocratização, redução da carga tributária, privatização de estatais, Estado Mínimo e reformas como a da Previdência, com a “extinção de privilégios”, foram listadas pelo empresário. “O bom político é aquele que pensa nas próximas gerações, não na próxima eleição”, afirmou, ao acrescentar que é contra à reeleição. “Foi uma desgraça”.

Populismo

Sem citar nomes ou partidos, Hang fez duras críticas ao modelo de gestão assistencialista e aos candidatos populistas. “Os incompetentes são iguais a papagaio. Só aprenderam a falar, mas não a pensar. Ele ganha a massa, diz o que cada um quer escutar. Chegando lá, não sabe fazer”, disse. “Eu não votaria em candidato populista, que não quer fazer reformas, mudanças. Candidato que não prega a mudança não é meu candidato”, assegurou.

Modelo de gestão

O empresário defendeu um novo modelo de gestão pública, baseado na experiência da iniciativa privada. “Recebi críticas no sentido de pensar que prefeitura, Estado e país é uma empresa. É sim. O lucro de uma boa gestão é saúde, educação e segurança”, disse. Hang comparou a incompetência como tão perversa quanto a corrupção. “Ninguém quem mais saber do político que ‘rouba mas faz’, do bonzinho mas incompetente, ou daquele que fica em cima do muro”, assegurou.

A consequência de um voto errado, disse, é paga pela população nas más gestões, disse. “Precisamos de políticos que não dependam daquele cargo. A grande maioria dos maus políticos só fez política, a vida toda. Se perder aquele cargo, está arrombado. Não sabe fazer nada”, afirmou.

Saída do MDB

A saída do MDB foi o primeiro passo para o ensaio político de Luciano Hang. Dia 4 de janeiro, o empresário pediu desfiliação do partido, no qual permaneceu por mais de trinta anos. O ingresso ocorreu em 1985, para apoiar o então pré-candidato ao governo do Estado, Luiz Henrique da Silveira, nas prévias. “Nós vencemos aqui em Brusque, mas perdemos na convenção estadual. O candidato foi Pedro Ivo Campos, que depois se tornou governador”, lembrou.

Desde então, a permanência no MDB foi uma “homenagem” a LHS, aquele que Hang descreveu como o “maior governador da história do Estado”. A saída também serviu para evitar um mal-estar na legenda, disse na época, quando o partido já tinha encaminhamento para lançar o então deputado federal Mauro Mariani, que sequer chegou ao segundo turno.