Votação sobre redução de ICMS para alimentos e bebidas será depois do Carnaval

Deputados da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Alesc decidiram derrubar o veto do governador do Estado a artigos do projeto que trata da diminuição do imposto. Decisão agora vai ao plenário

Foto de Paulo Rolemberg

Paulo Rolemberg Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

Apesar da tentativa de votar ainda esta semana, ficou para depois do Carnaval a apreciação e votação no plenário da Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina) sobre a derrubada do veto do governador Carlos Moisés (sem partido) a artigos do projeto que trata da redução do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) para alimentos e bebidas em Santa Catarina.

Na manhã desta terça-feira (22), a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Alesc aprovou, por unanimidade, suspender o veto governamental.

Integrantes da CCJ derrubaram veto do governador – Foto: Bruno Collaço/Agência AL/Divulgação/NDIntegrantes da CCJ derrubaram veto do governador – Foto: Bruno Collaço/Agência AL/Divulgação/ND

Ao longo de todo dia de ontem dezenas de integrantes do setor gastronômico catarinense se manifestaram em frente à Alesc e nas galerias com faixas e camisas pedindo a redução do imposto. O intuito foi sensibilizar os deputados estaduais.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Pelo menos, os oito deputados da CCJ acabaram convencidos e aprovaram, por unanimidade, o relatório do deputado João Amin (PP) que indicava pela derrubada do veto.

Com a aprovação na CCJ, a “corrida” passou a ser pelos gabinetes dos deputados na busca de convencê-los a acompanhar a decisão da Comissão de Constituição e Justiça.

Mas antes disso, o grupo de integrantes do setor de bares e restaurantes, com apoio de alguns parlamentares, buscou persuadir o presidente da Alesc, Moacir Sopelsa (MDB), para colocar a discussão na pauta da sessão plenária desta terça-feira. Foi em vão.

Com faixas e camisas, representantes do setor de bares e restaurantes cobraram uma decisão dos deputados – Foto: Bruno Collaço/Agência AL/Divulgação/NDCom faixas e camisas, representantes do setor de bares e restaurantes cobraram uma decisão dos deputados – Foto: Bruno Collaço/Agência AL/Divulgação/ND

Apesar de não conseguir levar a votação do veto para plenário ainda nesta semana, o presidente da Abrasel (Associação de Bares e Restaurantes) de Santa Catarina, Raphael Dabdab, comemorou o resultado na CCJ. “Uma vitória importante, uma batalha que foi, por unanimidade, a derrubada do veto do governador”, disse ele.

Dabdab voltou a defender que a redução da alíquota do ICMS possibilitará uma igualdade de carga tributária de Santa Catarina com o Paraná. Hoje os estabelecimentos do setor gastronômico pagam 7% nos alimentos e 25% nas bebidas, e com a aprovação da proposta equiparia com 3,2% cobrado no estado vizinho.

“Isso significa mais investimentos no Estado, mais estímulo para crescimento das empresas, maior geração de emprego, uma pauta que tem impacto para todos os catarinenses”, destacou.

A redução do ICMS para alimentos e bebidas em Santa Catarina, é vista pelos empresários como uma correção para distorcer o sistema tributário catarinense. Para eles, atualmente o sistema penaliza a empresa que quer crescer, estimula a empresa que é grande a diminuir, incentiva o empresário catarinense a investir em outros estados e desestimula os empresários de outros estados para investir em SC.

Questões técnicas em análise

Durante todo terça-feira, os representantes do setor buscaram contatos com os parlamentares em busca de apoio. Segundo o deputado Bruno Souza (Novo), um grupo de deputados deverá se reunir com a Sefaz (Secretaria de Estado da Fazenda) para discutir prós e contras da proposta em busca de um entendimento. “Analisar algumas questões técnicas da proposta”, disse o parlamentar.

Representantes do setor gastronômico estiveram na Alesc – Foto: Bruno Collaço/Agência AL/Divulgação/NDRepresentantes do setor gastronômico estiveram na Alesc – Foto: Bruno Collaço/Agência AL/Divulgação/ND

Foram essas questões técnicas que os empresários tentaram explicar aos parlamentares. De acordo com o presidente da Abrasel, as conversas com os deputados ainda serviram para corrigir informações que a Sefaz divulgou na última segunda-feira (21).

Como por exemplo, que a alteração da tributação beneficiaria apenas 1% dos bares e restaurantes de Santa Catarina. Já que 99% dos estabelecimentos do setor no estado estão enquadrados no Simples Nacional (receita bruta anual de até R$ 4,8 milhões), ou seja, não seriam atendidos pela medida proposta.

“Isso não procede, existem empresas que estão no Simples e pagam ICMS. Que isso beneficiaria grandes redes de restaurantes e bares também não procede. Queremos dar clareza e entendimento para os deputados entenderem a importância econômica e social da medida”, retrucou.

Votação na Quarta-feira de Cinzas

Nos bastidores da Alesc, há uma preocupação por parte dos deputados que apoiam a redução da alíquota do ICMS, de uma possível manobra política do governo do Estado para votar a derrubada do veto por parte da CCJ na sessão plenária no dia 02 de março (Quarta-Feira de Cinzas), quando os parlamentares retornam às atividades após o feriado de Carnaval.

Dezenas de pessoas foram até a Alesc acompanhar a votação – Foto: Bruno Collaço/Agência AL/Divulgação/NDDezenas de pessoas foram até a Alesc acompanhar a votação – Foto: Bruno Collaço/Agência AL/Divulgação/ND

“Agora é esperar e colocar em pauta. Agora é estar atento para não ter uma força contrária para derrubar a decisão da CCJ. Tomar cuidado para que não se coloque essa votação na Quarta-feira de Cinzas”, disse o deputado João Amin (PP).