“Vou colocar Joinville como a cidade mais segura do Brasil”, diz Marcucci

Candidato do partido Republicanos falou sobre suas propostas em entrevista ao Grupo ND

Juliane Guerreiro Joinville

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A série de entrevistas com os candidatos à prefeitura de Joinville continua. Nesta segunda-feira (19), o sabatinado pela NDTV Record Joinville e pelo portal ND+ foi Marco Aurélio Marcucci, do partido Republicanos.

Marco Aurélio Marcucci tem 53 anos e, atualmente, é advogado criminal. Foi funcionário público da Polícia Civil por 24 anos, oito no Departamento de Homicídios de São Paulo e 16 como delegado em Santa Catarina, onde atuou em várias cidades. Em Joinville desde 1999, foi delegado titular da DIC (Divisão de Investigação Criminal) e delegado regional de polícia. Foi eleito vereador em 2004 e assessor parlamentar da Alesc em 2019 e 2020.

Entrevista com Marcucci foi conduzida pela apresentadora Sabrina Aguiar – Foto: Juliane Guerreiro/NDEntrevista com Marcucci foi conduzida pela apresentadora Sabrina Aguiar – Foto: Juliane Guerreiro/ND

Confira a entrevista:

O senhor foca o seu plano na segurança pública, uma prerrogativa atribuída ao Estado. Mas como o senhor pretende coibir a criminalidade hoje em Joinville que está muito associada a facções?

Eu vou provar em Santa Catarina que dá pra fazer segurança pública municipal. Eu, como advogado, — fui delegado por 24 anos e sou advogado criminal com 33 anos de experiência —  sei que a competência é do governo do Estado, mas o prefeito tem liberdade de atuar em várias áreas de segurança pública. Segurança pública não é só guarda municipal ostensiva, como eu quero, não é só guarda municipal trabalhar à noite porque hoje ela trabalha até as 18h. O crime acontece a partir das 18h em diante. Não adianta a guarda municipal entrar às 8 e sair às 18h, eu vou pagar hora extra.

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Iluminação pública é segurança pública; terreno baldio, quando a mulher passa, é segurança pública, obrigar o terreno a fechar o terreno para evitar estupros. Rua esburacada com acidente de trânsito é segurança pública. Então, quando eu falo em segurança pública é genérico. O nosso governo óbvio que vai atuar em segurança pública. Eu pretendo implantar um disque-denúncia, é uma questão municipal. Controle de presos quando saem, eu posso fazer convênios com as varas criminais. 

Feminicídio, por exemplo: a mulher hoje vai na delegacia fazer um registro de ocorrência, aí ela tem 24 horas para esperar o juiz decidir, ela vai pra onde? Pra casa, ficar com o marido e o filho durante esse tempo? Não, o vice-prefeito e o prefeito vão atender pessoalmente. Ela vai optar: ou vai na delegacia ou na prefeitura. Não é que eu vou transformar a prefeitura na delegacia, mas nós vamos ter um atendimento diferenciado para a segurança pública dentro das verbas que puderem ser de discricionariedade do prefeito.

Por exemplo, vem verbas da saúde, eu não posso mexer. Mas se houver opção entre fazer um evento esportivo ou fazer segurança, por exemplo, eu vou optar por segurança pública. Então, eu estou deixando claro, não estou mentindo, se o eleitor quiser um candidato que vai prometer tudo, não sou eu esse candidato. Eu vou prometer primeiro segurança pública. Depois, é o social, que me interessa. 

Então, em segurança pública, eu vou provar que em quatro anos eu vou colocar Joinville como cidade mais segura do Brasil. Essa é a minha única promessa. Eu não vou abandonar saúde, educação e o social, que é o nosso interesse, mas eu vou focar em segurança pública.

Quando você for pra praia no fim de semana, quando voltar sua casa não vai ser arrombada. O dono do comércio não vai ter assalto. O cara que compra um carro em 48 vezes não vai ter o carro levado em uma rua como a Felipe Schmidt, rua dos Ginásticos ou a JK. Eu sei como eu vou fazer isso. Aí vão me perguntar como. Só eu sei porque eu fiz no passado com oito policiais. Eu tinha uma atuação forte, eu não vou dar flor pra marginal, vai ser faca na bota, como foi no passado. 

O gabinete de segurança pública vai ser na minha sala, a guarda municipal, a defesa civil e todos os órgãos de segurança pública vão estar na minha sala. Eu vou provar que dá pra fazer e isso é uma opção política, eu não estou mentindo, essa é minha única promessa de campanha.

Além disso, o senhor acredita que, com as propostas, Joinville será a cidade mais segura do país entre outros municípios com a mesma população. É possível fazer isso em apenas quatro anos de mandato? Como?

Eu fiz isso em quatro anos como delegado, com oito policiais. Nos anos 2000, Joinville foi considerada uma das cidades mais seguras do Brasil. Como eu fazia isso? Dando uma flor? Aqui na área central, por exemplo, eu passava com um ônibus por ali e fazia a limpa. Eu chamava as quadrilhas na minha sala. Vou dar um exemplo: quadrilha de roubo de camionetes eu chamava na minha sala e dizia “vocês saiam de Joinville porque fica eu ou ficam vocês, eu dava essa opção, se quiserem ficar, vão pra cadeia ou vai acontecer coisa pior”. É assim que eu fazia, assim que a gente tem que trabalhar e vai ser assim na prefeitura, independentemente do que vão falar.

Na área central vai parar essa palhaçada de traficante vender droga ali. Eu tenho a forma de atuar, não posso dizer como vou atuar porque é uma forma que eu tenho há 33 anos de vivência na política e se eu fizer errado, eu vou responder, como já respondi vários processos. Eu não tenho medo de processo, eles estão aí para serem respondidos. Eu vou trabalhar dentro da legalidade. Agora, na segurança pública é complicado pra conter a marginalidade. Tu acha que marginal vai respeitar as coisas do jeito que são? Tem que ser duro e minha atuação vai ser dura. Como vai ser? Me elejam pra saber.

O ND+ ouviu especialistas que apontaram que as políticas públicas para a juventude são essenciais para a segurança pública. Quais são suas propostas nesse sentido?

Quando eu falo em social, é a juventude também. O jovem não tem lugar pra ter lazer em Joinville, é zero. O jovem não tem emprego. Então, tudo isso tem a ver com segurança pública também: você ter um local pra se divertir, praticar esportes, fazer atividades. O jovem hoje fica nos bairros sem nada pra fazer. Então, tem que ocupar a cabeça do jovem com cultura, que é meu interesse também.

Então, eu tenho, além da segurança pública, um interesse na área social para juventude. Deixar o jovem mais feliz, propiciar vaga de emprego. Isso tudo é um trabalho que envolve também as empresas de Joinville e não só a prefeitura, é uma situação mais complexa. O jovem tem que ocupar porque ele vai pra criminalidade a partir dos 14 anos, principalmente, porque o crime organizado recruta esse jovem que não tem nada pra fazer.

Uma das propostas que chamam a atenção no seu plano de governo é o de colocar um gestor com carreira policial ou jurídica na saúde. Por que um profissional dessa área, e não da saúde, seria mais adequado para o cargo? 

Eu tenho um delegado da Polícia Federal que eu conheço que eu vou fazer o convite pra ele. A ideia nossa, do nosso partido, é colocar um gestor com conhecimento pra ver onde vai o dinheiro da área da saúde, dinheiro das verbas transferidas de Brasília e do Estado. Então, a ideia nossa é fazer um diagnóstico amplo pra ver onde vai o dinheiro. E depois, conforme for, aí sim procurar um profissional só da saúde. Mas junto com esse gestor com carreira policial, logicamente que nós vamos ouvir todos os técnicos da área da saúde.

Eu, por exemplo, não tenho conhecimento da saúde. Obviamente que eu tenho um conhecimento que é reduzir a fila de espera, que tenho interesse. Mas para reduzir a fila de espera eu tenho que saber o que está acontecendo com o dinheiro da saúde, onde ele está sendo investido. Por exemplo, no Hospital São José, os meus concorrentes falam em fazer uma OS, mas se fosse esse o problema da saúde já tinham feito. 

Outro candidato fala em construir oito unidades de saúde. É uma baita mentira, tem que ver a questão financeira, o orçamento que vem pra saúde. Depois que vier, aí sim você faz todo um planejamento para direcionar a saúde, mas inicialmente a minha ideia é essa. Óbvio que a Câmara de Vereadores vai ser heterogênea, não vai ser mais um partido com cinco, seis vereadores. Nessa posição pode ser que alguém pleiteie a saúde, mas essa é a linha do nosso partido, que pode ser alterada conforme a composição da Câmara.

Uma de suas propostas é “investigar as famílias de alto e médio padrão que estão ocupando vagas na rede pública de ensino”. Mas a educação pública não é um direito de todos?

Desde a época que eu era vereador e depois quando eu comecei a advogar aqui em Joinville, eu recebi muitas famílias carentes com dificuldades pra colocar criança em creche. E eu fiz um trabalho como advogado, junto ao meu vice, e investigamos que alguns locais não são só pra pessoas carentes.

Embora a educação seja universal, você tem que ter critério. A saúde, por exemplo, também é universal, mas se você tem um hospital cheio, você vai optar por qual é o doente pior. Então, na educação também é assim. Por que a pessoa que tem condição financeira pega uma vaga de uma mulher que tem que trabalhar o dia todo? É isso, é social, o nosso governo vai ser social e nós vamos privilegiar o pobre, a periferia. 

Nós não colocamos o Israel Petróleo como vice à toa. Ele nasceu na periferia, nasceu do lado do mangue e sabe o que é uma mãe que vai trabalhar e não tem creche. Tudo bem que uma pessoa de classe média também tem esse direito, mas se tem cinco vagas e quatro mulheres que precisam trabalhar pra ter um salário mínimo e precisa colocar o filho na creche, no nosso governo essas mulheres é que vão ganhar a vaga. 

Se nós tivermos que mudar a legislação municipal, nós vamos mudar e o critério é a investigação. Porque se a família tem um carro 2019 que custa R$ 70 mil e a outra mulher não tem nada, qual mulher que tem direito? É opção nossa, entre uma família que tem posse e outra que não tem, as duas têm direito, mas vai a mais pobre. Isso não vou discutir, vai pra Justiça questionar.

Em seu plano de governo, você pretende fazer uma ampla discussão sobre as questões étnico culturais. Por que isso é importante e como isso deve beneficiar a cidade?

Eu tenho um vice-prefeito que é negro, que foi professor de capoeira, foi copeiro, segurança e o racismo é um negócio que me atinge, embora eu seja branco. Quando eu falo em racismo, não é só o racismo de cor, é o racismo de pessoas que não têm condições financeiras e oportunidades na vida. Então, eu vou deixar o meu candidato a vice-prefeito, que é o Israel Petróleo, cuidar dessa área, que é a área social. Essa discussão é ele que vai coordenar porque ele sentiu e sente até hoje o racismo na pele.

Não é só o racismo de cor, é o racismo do branco que não tem oportunidade. O meu vice veio de abaixo da linha de pobreza, eu dei oportunidade pra ele, mas o mérito foi dele. Então, o nosso governo vai ser assim: a porta do gabinete do vice-prefeito  vai ser aberta pra todo mundo, pra classe média e baixa, principalmente pra classe baixa. 

Quando eu falo que nós temos que tirar o grupo político do poder, é isso que eu estou falando. Os caras estão mandando há 50 anos já, seis, sete famílias e não se pode fazer nada na cidade. Eles financiam a campanha de todo mundo. Eu não tenho R$ 1 de financiamento privado. É lógico que eu vou usar o fundo eleitoral, eu não tenho dinheiro. 

Agora, os candidatos que estão dizendo que não vão usar o fundo eleitoral, vai ver as carreatas que eles fazem, as plotagens que eles fazem. É sem fundo eleitoral, mas alguém está financiando. É uma hipocrisia. Nós vamos usar fundo eleitoral porque é um dinheiro público, se nós não tivéssemos fundo eleitoral nós não teríamos como fazer a campanha. 

Em seu plano de governo, o senhor fala em oferecer incentivo fiscal para o empresariado, a fim de gerar empregos. Que incentivo seria esse?

Incentivo fiscal não é reduzir impostos. Dentro da legislação federal, estadual e municipal, o município pode oferecer incentivo pra se instalar uma indústria, por exemplo, na cidade. Mas você não pode renunciar o imposto porque isso é contra a lei. Então, isso a gente tem interesse em fazer como algumas cidades aqui da região estão fazendo. 

O que impede de fazer isso, conversando com alguns técnicos da prefeitura, é que a nossa legislação é muito antiga. Então, primeiro, tem que rever a legislação municipal para depois fazer isso. Revendo a legislação, dando incentivo e com a segurança pública, eu acredito que atraio investidores de fora. Eu quero mostrar pro Brasil que Joinville vai ser segura e aí, você tendo uma linha de avião Joinville- São Paulo decente, o empresário de São Paulo vem pra cá.

O senhor fala em colocar em prática um plano de mobilidade e acessibilidade. Como será? Poderia nos detalhar?

Quando falo em acessibilidade, é calçadas, por exemplo, mobilidade urbana. Eu tenho uma proposta que criou uma certa preocupação, mas é uma ideia com relação ao rodízio de carros na área central. Hoje, é um absurdo o número de carros emplacados mensalmente, tem mais carros na rua e menos infraestrutura porque não se criou nada nos últimos oito anos. Então, a mobilidade urbana tem a ver com essa possibilidade de o fluxo sair do Centro da cidade. Tudo isso é ideia.

Nós temos, na nossa nominata de vereador, deficientes físicos também. Então, a acessibilidade é pra idoso, tem toda essa questão social. Quando eu falo em acessibilidade é para o idoso também, para o morador de rua. Hoje, o morador de rua chega em Joinville e o Centro Pop fecha às 18h. Depois disso, ele vai pra rua de Joinville e, muitas vezes, vai viciar e roubar. 

E em relação às obras do rio Mathias, como você pretende lidar com a questão? 

Primeiro, eu vou investigar o que aconteceu. Vou investigar onde está o dinheiro, pra onde foi o dinheiro, quem fez a licitação, se tem ou não agente público envolvido, como foi feita, por que foi feita, quem autorizou. Arrebentaram o Centro da cidade. O lazer, o comércio, a Via Gastronômica de Joinville acabaram. O joinvilense não tem nada pra fazer hoje naquela região ali. Então, primeiro é investigar. Se tiver que investigar agente público ou empresário, vai ser investigado. 

Depois, junto com os moradores do Centro e com as empresas nós vamos decidir o que fazer. A revitalização do Centro passa por isso. Quem vai decidir vários aspectos da cidade são os moradores e os comerciantes da região. Não vai mais ser aquele grupinho de rico do Centro que vai decidir o problema do Paranaguamirim. O problema do rio Mathias quem vai decidir é quem mora no Centro e os comerciantes do Centro. 

Entrevista foi transmitida no programa Balanço Geral – Foto: Juliane Guerreiro/NDEntrevista foi transmitida no programa Balanço Geral – Foto: Juliane Guerreiro/ND
Entrevista foi transmitida no programa Balanço Geral – Foto: Juliane Guerreiro/NDEntrevista foi transmitida no programa Balanço Geral – Foto: Juliane Guerreiro/ND

Como você pretende resolver o impasse do transporte coletivo em Joinville?

Essa questão está judicializada, eu só vou resolver isso depois. Se eu falar que vou baixar a passagem do ônibus eu vou estar mentindo para o eleitor. Eu não tenho ideia de aumentar, exceto por ordem judicial. Eu não vou aumentar no nosso governo a passagem de ônibus. Podemos diminuir, mas isso depende de questões judiciais. Eu tenho interesse de abrir licitação, mas não sei como está a situação judicial.

Por que o eleitor joinvilense deve votar em você?

Nós temos duas bandeiras bem definidas: a primeira é segurança pública. Como eu disse, se o eleitor tem filho pequeno, família e quer viver numa cidade segura, se ele quiser ir pra praia e voltar com a casa intacta, vai votar no 10. Se quiser comprar um carro e não ser furtado, vai votar no 10. O dono de comércio que não quer ser assaltado, vota no 10. Se mulher quer andar sossegada, vota no 10. Feminicídio vai acabar. Eu vou provar que dá pra fazer segurança pública municipal.

E a outra ideia, como eu já disse, é tirar esse grupo político que está enganando o eleitor. O partido atual tem cinco candidaturas, um em cada partido. E a nossa ideia é tirar esse grupo do poder. Eu espero que a população vote no 10. A nossa ideia é fazer um trabalho para a segurança pública e para o social. Nós vamos atender o pobre.

O pobre e o empresário vão ter o mesmo direito. Nós queremos o empresário como parceiro, não com política-partidária de bastidores como é hoje. Eu não vou prometer nada além do que já prometi. Então, acho que o eleitor tem que ter consciência e não ser enganado de novo porque, se não, vai continuar a mesma forma de governar dos últimos oito anos. Então, a ideia é votar 10, votar segurança pública.

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