Mais um candidato à prefeitura de Joinville foi sabatinado pelo Grupo ND na série de entrevistas com os prefeituráveis. Nesta quarta-feira (21), foi a vez de Fernando Krelling (MDB) ser entrevistado pela NDTV Record Joinville e pelo portal ND+.
Fernando Krelling tem 38 anos, é formado em Educação Física e pós-graduado em Treinamento Desportivo e Gestão Pública. Em 2012, foi candidato a vereador, mas não se elegeu. Foi presidente da Fundação de Esportes, Lazer e Eventos de Joinville (Felej) em 2013. Já em 2016, se candidatou novamente e conseguiu um lugar na Câmara de Vereadores, onde foi presidente do Legislativo. Em 2018, foi eleito deputado estadual de Santa Catarina.
Entrevista com Fernando Krelling foi conduzida pela apresentadora Sabrina Aguiar – Foto: Juliane Guerreiro/NDConfira a entrevista:
Muitos eleitores são críticos ao fato de você não ter completado os mandatos nos cargos para os quais foi eleito. O eleitor pode acreditar que você terminará o mandato como prefeito, se eleito?
Eu me preparei nos últimos oito anos para ser candidato a prefeito em 2020. Na minha vida, tudo foi muito rápido, comecei com 14 anos trabalhando de garçom, com 18 anos estava num banco e dois meses depois de iniciar o trabalho no banco já fui promovido na frente de pessoas que estavam lá há 20 anos. Me formei com 21 anos e no mesmo ano já estava na pós-graduação, já me formando no ano seguinte, então tudo foi muito rápido e na vida pública também. Eu me preparei, hoje eu me sinto preparado pra assumir como prefeito de Joinville e cumprir os quatro anos. Inclusive, isso está registrado em cartório.
SeguirEm seu plano de governo, você fala em melhorar a infraestrutura na região do Vigorelli, uma área em que alguns moradores nem mesmo tem acesso à água e à energia por causa dos impasses ambientais. Como fazer isso?
O prefeito municipal tem que ter essa coragem de dialogar junto com o judiciário e o Ministério Público para que a gente ache caminhos de viabilizar essa infraestrutura. Hoje, as questões ambientais travam o progresso daquela região. Então, o primeiro passo é o prefeito municipal, junto com a Procuradoria e o secretário do Meio Ambiente, ir até o Ministério Público para achar caminhos. O que não pode é a gente ficar de braços cruzados esperando aquelas pessoas estarem em condições vulneráveis por não ter água e luz. Então, a gente tem que ter essa pró-atividade de procurar os órgãos ambientais e também o MP.
Você fala em realizar um processo licitatório para o transporte. Tem previsão de como isso deve funcionar? Quais características o transporte coletivo da cidade deve ter e como diminuir o preço da tarifa que, hoje, é uma das mais caras do Estado?
Vou fazer no meu governo a licitação do transporte coletivo, isso é fato, é compromisso meu. Automaticamente, você criando uma concorrência isso pode diminuir o custo da passagem. Mas também criarmos novos modais de transporte coletivo, dando oportunidade para utilização de novos modelos, um deles pode ser até o VLT, que não é uma promessa que vou fazer, posso colocar num edital. Mas, além disso, fazer preços diferenciados nas passagens: quem faz trajetos pequenos, saindo do Centro e indo até o BIG no final da Getúlio Vargas, por exemplo, pode ter um custo menor.
O que nós temos que fazer com o novo processo licitatório é fazer com que as pessoas resgatem a tradição de utilizar o meio de transporte público, melhorando assim a mobilidade num todo. Então, esse edital tem que ser montado com esses fins, para que tenhamos mais usuários e também reduzindo a passagem.
Hoje, o Centro de Bem-Estar Animal (CBEA) tem uma atuação com recursos limitados e você pretende construir um hospital veterinário na cidade. Como isso funcionaria e com quais recursos fazer isso?
Hoje, o Centro de Bem-Estar Animal está na Secretaria do Meio Ambiente, o que a gente tem que fazer é trazer também para a Secretaria de Saúde, porque é saúde pública. O Centro de Zoonoses tem que ser administrado pela saúde. Automaticamente, nós teremos recursos da saúde com recursos do meio ambiente e faremos uma junção de forças.
O hospital veterinário não é um hospital para aquele cidadão que mora no Centro e tem um cachorrinho e consegue levar no pet shop. É para aquele cidadão que encontra um animal abandonado e não tem pra onde levar, aquele cidadão numa situação difícil, que tem um animalzinho doente, e não tem pra onde levar. O que eles fazem? Ou deixam o animal morrer em casa ou abandonam. E a gente quer evitar esse abandono de animais aqui na cidade. Nós faremos um investimento de ampliação e reforma onde já existe o CBEA e ali será o nosso hospital veterinário.
Você pretende entregar sete novos CEIs em vários bairros da cidade. Com que recursos pretende fazer isso?
Recursos do Fundeb, da educação. 25% do orçamento constitucional é pra educação. O meu plano de governo foi baseado, com muita responsabilidade, em obras que possam existir e não obras para ganhar uma eleição. Então, esses sete novos CEIs estão totalmente dentro de um planejamento orçamentário da Secretaria de Educação.
O problema da habitação é histórico em Joinville. Como resolvê-lo em um cenário de escassez de recursos federais?
O município tem que assumir a responsabilidade dos lotes populares. Nós teríamos, a partir do ano que vem, a oportunidade de termos mil novos lotes na cidade em terrenos já existentes da prefeitura que a gente pode utilizar para as pessoas que ainda não têm um local para construírem suas casas. Então, lotes populares será um caminho. A partir de recursos próprios, sem pensar em Estado e em recursos federais, é o município poder utilizar esses espaços existentes para lotes populares.
No seu plano de governo, você fala em implantar o programa Aluguel Social. Como ele deve funcionar e de onde viriam os recursos para essa ação?
Aluguel social é com recursos próprios da prefeitura. O aluguel social é utilizado, por exemplo, quando houve uma cheia e a pessoa ficou com uma dificuldade e teve que sair ou a Defesa Civil foi na casa dela e acabou notificando e diz que tem que sair. Ele vai pra casa de um parente e, se não tiver parente aqui, não tem pra onde ir. Com o aluguel social, a prefeitura assume essa responsabilidade durante um determinado período até que ele consiga se reestruturar no lugar em que mora.
Então, seria para essas eventualidades? Uma pessoa que está numa ocupação poderia sair dela para morar com aluguel social?
Quem mora numa ocupação irregular, em uma invasão, e a prefeitura tem uma notificação judicial pra ir lá e tirar esse pessoal, essas pessoas a gente não pode jogar na rua, mas também é eventual. A gente pode assumir essa responsabilidade até que um lote da habitação dê uma oportunidade para a pessoa. Mas isso é por demanda, não é simplesmente “quem não tem casa, vem aqui”, nós não podemos agir assim porque seria irresponsabilidade minha. O município nem conseguiria atender tudo isso.
Você fala em captar recursos para realização de obras que esperam solução há muito tempo. Que obras seriam essas e os recursos viriam de onde?
Em Florianópolis, nos últimos anos, teve R$ 600 milhões para o contorno viário da Grande Florianópolis e Joinville fica no conta-gotas. Essas obras seriam a da Almirante Jaceguay, duplicação da Dona Francisca, o “eixo K” no Distrito Industrial na frente do Parque Perini, teríamos as pontes Anêmonas, Nacar e Plácido Olímpio, tudo isso são recursos que a gente consegue trazer de fora e que são importantes para a mobilidade da cidade. Hoje, infelizmente, a gente vê Florianópolis com milhões e milhões e Joinville ainda com dificuldade de trazer recursos.
E isso é perfil. O meu perfil é de correr atrás, é de ir para Brasília, de ir a Florianópolis como prefeito pedir respeito com a minha cidade e, além do mais, não dizer apenas somos a maior do Estado, mas também que nos respeitem e nos deem a qualidade de melhor do Estado. Esse é o meu perfil e a forma como vou fazer no ano que vem.
Os profissionais da cultura reclamam da extinção da Fundação Cultural de Joinville e sua unificação com a secretaria de turismo. Você pretende manter esse formato?
A nomenclatura é o que menos importa nesse momento. O que tem que importar é a atividade, é realmente dar resultado para quem mais necessita. Hoje, se a Secretaria de Cultura e Turismo fosse administrada por alguém da pasta, alguém técnico, que entendesse de cultura, talvez nós teríamos outros avanços.
Mas, além disso, nós não podemos ter uma Secretaria de Administração travando todo um processo do Sistema Municipal de Desenvolvimento pela Cultura (Simdec). Hoje, o que fomenta a cultura no município é o Simdec, é o mecenato. Então, nós não podemos fazer com que as pessoas façam projeto, tenham a oportunidade de captar o projeto e a prefeitura trava e não deixa o negócio acontecer. A prefeitura tem que ser facilitadora.
Eu vejo a cultura como economia criativa, oportunidade social, então isso a gente quer desburocratizar, dar a oportunidade, criar programas específicos de contraturno, criar o PIC (Programa de Iniciação Cultural), descentralizar a Casa da Cultura, levar música e dança para os bairros e é assim que a gente vai conseguir fazer com que a cultura seja resgatada. Aquela que o Luiz Henrique falava, que uma cidade sem cultura nada mais é do que um amontoado de gente.
Entrevista foi transmitida no programa Balanço Geral – Foto: Juliane Guerreiro/NDJoinville carece de parques, de áreas verdes, de mais convívio social. Como pretende resolver essa carência, em que prazo e com quais recursos?
De duas formas, a primeira com a criação da Secretaria de Pavimentação e Zeladoria. Zeladoria, especificamente, para as nossas flores, para a nossa cor da cidade ser novamente pujante, a cidade ser vista bonita e com muita criatividade. Melhoramos as praças já existentes através dessa secretaria.
E aí, já na saúde, com uma fatia de recursos buscados na esfera federal e em emendas parlamentares, criarmos oito parques da saúde, que é a unidade básica da saúde funcionando até 22 horas, com um grande parque de saúde com atividades de lazer e qualidade de vida para o cidadão, como quadra, pista de caminhada, uma delas com piscina. A piscina não é pública, é para reabilitação e, principalmente, inclusão social para as pessoas que mais necessitam. A gente tem que resgatar o que já existe e criar oito parques em oito regiões distintas.
Por que o eleitor joinvilense deve votar em você?
Porque eu estou preparado, me preparei oito anos. Por onde passei, fiz uma administração correta, de resultados. Como secretário de esportes por quatro anos, aumentamos o número de crianças em atendimento em vulnerabilidade social, fizemos resultados fantásticos. Como presidente da Câmara, fui o presidente que mais economizou recursos na história do Legislativo, cortando gastos, privilégios, carros alugados. Então, a responsabilidade com o dinheiro público.
Fui o deputado que mais trouxe recursos, principalmente nesse momento de pandemia, e eu conheço a gestão pública, mas além do mais, tenho relacionamentos pra buscar recursos para Joinville. Então, me sinto preparado.