A primeira etapa do Campeonato Catarinense de Remo acontece no próximo sábado (8), em Florianópolis. A taça da disputa vai homenagear os 15 anos do Jornal Notícias do Dia. Por isso, durante esta semana o Balanço Geral Florianópolis irá exibir uma série de reportagens sobre os clubes de remo que vão disputar a competição. O primeiro deles é o Clube Náutico Riachuelo, o time azul e branco da Capital.
Riachuelo é o clube náutico mais antigo e Florianópolis com 106 anos – Foto: Flávio Tin/Arquivo/NDA história estampa as paredes do clube. O presidente do conselho do Riachuelo, Antônio Farias Filho, enche o peito para falar da trajetória de mais de cem anos do clube, que testemunhou transformações da cidade ao longo das décadas. A equipe se destaca pelo pioneirismo na promoção do esporte.
“O nosso glorioso Riachuelo foi fundado em 1915. O nome é uma homenagem à batalha do Riachuelo, que aconteceu no século passado. O Riachuelo foi pioneiro por ter levado os primeiros atletas a uma olimpíada”, contou Antônio Farias Filho.
O clube tem uma relação bem próxima com o Avaí. Faz parte da identidade do azul e branco. Segundo Farias Filho, “em 1923, com a fundação do Avaí, foi dado o nome também de uma batalha, que aconteceu no Paraguai. Na verdade, a batalha do Riachuelo e do Avaí continua até hoje, as batalhas dentro do esporte”.
Clube Náutico Riachuelo e Avaí, os times azul e branco de Florianópolis – Foto: Reprodução/NDLuca Suplicy Leger é um dos atletas e já treina há três anos. “Uma coisa que a gente aprende no remo é (…) a ter um espírito de liderança. É uma coisa que eu nunca tive muito. É bom ter um líder dentro de um barco. E me fez amadurecer bastante”, disse ele.
O atleta conheceu o remo por conta do projeto social do Riachuelo, que busca alunos dentro das escolas. “Gostei e continuei vindo. Mas vinha duas, três vezes por semana só. Aí, quando eu entrei de férias foi que eu comecei a frequentar um pouco mais. Eu percebi que tava começando a mudar meu corpo, eu tava começando a ficar um pouco mais forte”, lembrou Leger.
O técnico Thiago Almeida contou como funciona o projeto social: “A gente foi em algumas escolas, quando não tinha a pandemia, para poder fazer essa captação de atletas. Conseguimos alguns, que estão indo pro cenário nacional e indo em competições nacionais. A gente cobra bastante aqui o desempenho também dentro da escola. Acho que a gente mais do que formar atletas, a gente tem que formar cidadãos”.
Entre barcos e equipamentos de musculação, as prateleiras do Riachuelo guardam memórias. Desde a Taça Lauro Carneiro até o selo dos Correios com a identidade do clube.
Na foto da década de 1960, remadores, diretores e simpatizantes do Clube Náutico Riachuelo promovem uma carreata após a conquista de mais uma prova na capital, próximo da antiga sede do clube, que ficava nas proximidades da ponte Hercílio Luz, no bairro Rita Maria. – Foto: Roberto J. Muller/NDAs conquistas e perspectivas de crescer no esporte seguem até hoje nas prioridades dos jovens. Para funcionar tem que ter disciplina.
“Eu venho de bike do Campeche até aqui. A gente chega, faz o nosso alongamento, nosso aquecimento, trabalha abdominal, core, que é muito importante no remo pra não ter nenhuma lesão. Os treinos de remo são separados em três partes principais: treino na água, treino do remo ergômetro, na máquina de remo, e treino de musculação. Normalmente, a maioria dos dias são treino na água, quando a água está boa”, destacou o atleta Leger.
Com o Campeonato Catarinense e outras disputas voltando, fica mais difícil controlar a expectativa. De acordo com o técnico Almeida, “a preparação está sendo boa. Desde 1999, a gente tá aguardando esse momento. A gente começou ali 2020, com a ideia de qua ‘agora vai’, fizemos uma preparação bem bacana. Só que aí, veio a pandemia e a gente teve que interromper tudo, perdemos muitos atletas. Ainda tivemos alguns campeonatos brasileiros e esses atletas foram bem. Acredito muito que vão desempenhar um papel fantástico e vão fazer um excelente trabalho”.
O atleta Anderson Calado também falou sobre a expectativa para as competições: “é a preparação para o campeonato, a gente tem que treinar mais. Agora, tem o brasileiro de remo, acho que dá para sair com uma medalha de lá”.
O legado do Riachuelo motiva os atletas, que é claro, são inspirados por aqueles que vieram lá atrás. E hoje, o esporte segue como motor de transformação na vida dos jovens.
Saiba mais sobre o Clube Náutico Riachuelo na reportagem!