Com uma relação com o remo que completa uma década em 2020, Thainá Korpalski, de 25 anos, é a treinadora de remo olímpico mais jovem em todo o Brasil, conforme os registros da CBR (Confederação Brasileira de Remo).
Há cerca de um ano e meio, ela treina jovens atletas no clube de regatas Aldo Luz, em Florianópolis. O ND+ revela um pouco dessa história.
Thainá começou no remo aos 15 anos, mas sempre preferiu treinar outros atletas – Foto: Felipe Moraes/Divulgação/NDLeia mais Seguir
Considerando também treinadores paraolímpicos, ela é a segunda mais jovem em todo o país, ficando atrás de um treinador pernambucano de 21 anos. Em Florianópolis, é também a terceira treinadora mulher – e a primeira no Clube Aldo Luz.
Natural de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, mas criada na Capital catarinense, a relação de Korpalski com o esporte começou no colégio, quando ela tinha 15 anos.
Como ocorre até hoje, os treinadores dos clubes de remo de Florianópolis visitaram as escolas, apresentando o remo aos alunos. Foi aí que ela decidiu se matricular no Aldo Luz.
Vocação para treinar
Desde cedo, Korpalski apresentou inclinação mais para o treino do que para a prática, o que acabou sendo tema dos seus projetos de conclusão da graduação em Educação Física na Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) e, em seguida, no mestrado.
No TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) fez um estudo sobre a prevalência de lesões nos remadores da seleção brasileira, que competiam no pan-americano.
Thainá é a mais jovem treinadora de remo olímpico do Brasil – Foto: Reprodução/InstagramJá no mestrado, teve como foco o perfil dos remadores brasileiros. Ela pesquisou tanto a condição de atletas como praticantes amadores, verificando questões como lesões, a qualidade de vida, o humor e o sono nesses dois grupos.
Rotina
O conhecimento adquirido com a academia é utilizado diariamente com os atletas que ela treina, com idades entre 14 e 18 anos. “Eu até pratico às vezes, sempre que falta alguém, eu ocupo o espaço. Mas prefiro treinar. É minha vocação”, conta Korpalski.
Desde a abertura do clube, às 6h, Korpalski começa os trabalhos, que seguem até o fechamento, às 17h. “Fico mais tempo aqui do que em casa”, conta a treinadora.
De acordo com os registros da CBR, Korpalski é responsável pelo treino de 22 atletas.
Korpalski treina atletas desde os 23 anos, no Clube Aldo Luz – Foto: Felipe Moraes/Divulgação/NDDentre eles está Augusto Schmitz Knoll, de 18 anos, que integra a seleção brasileira de remo e foi convocado ao campeonato sul-americano de remo. Porém, a competição foi cancelada em razão da pandemia de Covid-19. Até outubro, ele treinou no Aldo Luz, sob os cuidados de Korpalski.
O vírus também alterou as rotinas de treinamento, que foram suspensas por 40 dias, a partir de 17 de março. As atividades voltaram inicialmente em casa, através de simuladores, e depois retomaram os treinos presenciais com protocolos sanitários.
Futuro do esporte
Para a treinadora, os jovens da Capital catarinense têm perdido o interesse no esporte. Em parte, ela acredita que a prática esportiva esteja perdendo espaço para os videogames.
Mas ela também atribui a diminuição da procura à localização dos clubes na cidade. Próximos às pontes Pedro Ivo Campos e Colombo Salles, o local é de difícil acesso. “Tem que vir a pé pelo terminal, ou ir até a beira-mar e fazer a rotatória. É complicado” afirma.
Mas de forma alguma ela é pessimista com o futuro do remo, o qual a encantou justamente por propiciar um contato maior com a natureza. “Se depender dos treinadores, sei que o remo vai crescer”.