Francisco Martinelli é o clube de remo de Florianópolis que carrega o vermelho no DNA. Essa história começou a ser escrita em 1915, data de fundação do clube, que tem o nome de um oficial de marinha.
Martinelli é o clube de Florianópolis com mais títulos no Campeonato Catarinense de Remo – Foto: Martinelli/Divulgação/ND“É em homenagem a um oficial de marinha que era da região de Brusque e veio para Florianópolis para estudar. Mais tarde, ele foi fazer o curso para oficial de marinha e, quando se formou, teve a infelicidade do navio que ele estava abalroar num outro navio. Poucos deles faleceram, mas o Francisco Martinelli foi um deles”, explicou o vice-presidente do clube, Valmir Braz da Silva.
Do Francisco Martinelli saíram nomes conhecidos no mundo das regatas. Atletas que ganharam destaque no cenário brasileiro e estrangeiro. Silva lembrou que “Anderson Nocetti, o Macarrão, [participou de] quatro olimpíadas. Ele saiu aqui de Florianópolis. Ele esteve aqui no Martinelli, remou aqui, remou no Aldo Luz. Depois, foi pro Rio Grande do Sul, depois Rio de Janeiro. Temos três olimpíadas também com a Fabiana Beltrame. São exemplos de uma fineza, de um nível muito grande”.
Hoje, essas referências inspiram os atletas mais jovens que se dedicam ao remo. Como a atleta Isabela Miranda Lima, de 14 anos, que segue os passos do pai e do avô, que já passaram pela presidência do clube. A adolescente já virou promessa na família.
“Sempre fiz esporte, já me interessava por esportes. Então, eu acho que juntou um esporte que é muito legal, que é muito bacana, e eu já conhecia as pessoas. Eu tava confortável nesse ambiente”, contou Isabela.
Tanto ela quanto o também atleta Pedro Castro Cabral, de 15 anos, recém voltaram do campeonato brasileiro no Rio de Janeiro. Ele conquistou três medalhas.
O treinador Douglas Oliveira trabalha duro para estimular a juventude. Começou no Martinelli e no clube está até hoje. “Já começa no acordar em casa. Os atletas acordam todo dia 4h para chegar ao clube entre 5h e 5h30. A rotina já começa com esse treinamento diário, de segunda a sábado. A gente só tem o domingo para descansar”, destacou ele.
Que o esforço compensa, isso não resta dúvidas. Esse compromisso trouxe vários títulos para o clube ao longo da história. “Nós tivemos um momento, em 1987, quando partimos para 18 campeonatos seguidos campeões do Remo Aberto”, lembrou o vice-presidente.
Fabiana Beltrame começou no Martinelli. Foi o ponto de partida para uma trajetória que acumula premiações, jogos olímpicos e enche o clube de orgulho. “Comecei a remar aqui em 1997, eu tinha 15 anos. Eu comecei por brincadeira, para conhecer o esporte, e acabei me envolvendo nas competições e fui gostando de me tornar atleta e tendo objetivos maiores de competir brasileiro, participar de competições internacionais pela seleção brasileira”, lembrou ela.
Fabiana também falou sobre sua decisão de deixar o clube: “Chegou um momento que o clube passou a ser pequeno para mim, porque eu tinha que ter outros horizontes. E aí, fui convidada para remar no Vasco e fui para lá, ficar mais perto da seleção, treinar com outras meninas”. Ela atribui a oportunidade de participar dos jogos olímpicos também ao clube Martinelli, que sempre a apoiou.
O incentivo à permanência dos atletas também é financeiro. Quem tem entre 12 e 17 anos não paga mensalidade. “Aqui no Martinelli é gratuito para a formação de atletas”, explicou o vice-presidente.
Agora, os esforços estão concentrados no campeonato catarinense. Treinos, disciplina e expectativa não faltam. “Essa galera toda entrando na água, todo mundo treinando bem. Os barcos, a logística do clube tá bem legal e a gente tá indo com uma grande expectativa de levar o troféu”, revelou o jovem Cabral.
A dedicação também é estimulada pelos que vieram antes. Ídolos, referências que servem de espelho. É um hábito que se mantém até mesmo entre a direção do clube. Para o presidente, Luiz Fernando Vieira, “é uma continuidade. São 106 anos dessa continuidade”.
Saiba mais sobre a história do clube na reportagem do Balanço Geral Florianópolis.