Assim como em muitos esportes, a pandemia de Covid-19 também interrompeu e adiou os projetos dos atletas do remo catarinense. Nessa modalidade, a suspensão de campeonatos interrompeu o sonho de Augusto Schmitz Knoll, de 18 anos, integrante da seleção brasileira de remo.
Natural de Florianópolis e com treinamento realizado até o início de outubro no clube de remo Aldo Luz, com orientação da treinadora Thainá Korpalski, Knoll foi selecionado para representar o Brasil no campeonato Sul-americano. Marcada para abril, a disputa foi adiada e oficialmente cancelada em junho. “Deu uma bela desanimada”, conta o atleta.
Augusto representa o Clube Náutico Botafogo, do Rio de Janeiro. Mas como mora em Florianópolis, cidade onde nasceu, treina com os clubes catarinenses, como o Aldo Luz – Foto: Felipe Moraes/Divulgação/NDNa seletiva nacional que ocorreu em março, em São Paulo, Knoll ficou em terceiro lugar na modalidade Skiff (individual). Com o bom resultado, ele foi convocado para compor um barco de quatro participantes, acompanhado de remadores de equipes náuticas do Vasco e Botafogo.
SeguirAté a explosão da pandemia em meados de março, e o início das restrições, a equipe só conseguiu realizar um treino. “Primeiro veio a notícia do adiamento, mas ainda sem data prevista. Depois em junho, o campeonato foi cancelado oficialmente”, lembra Knoll.
Seria a primeira competição internacional do atleta. Mesmo que seja realizada no próximo ano, Knoll não poderá participar pois estará com 19 anos – e fora da categoria Júnior, pela qual competiria e cuja idade máxima é 18 anos.
Augusto Knoll durante o treino – Foto: Felipe Moraes/Divulgação/NDO baque foi tamanho que ele ficou cerca de três meses distante dos mares. “Dependendo do resultado do Sul-americano, eu poderia ser levado ao campeonato mundial”, lamenta. Knoll compete pelo time carioca Botafogo, mas treina com as equipes catarinenses, como o Aldo Luz.
Aprimoramento do remo brasileiro
Se por um lado o remo brasileiro foi prejudicado com a pandemia, por outro deu tempo para o esporte se organizar melhor. Diferente da antiga estratégia da seleção, que consiste em formar e treinar equipes às vésperas das competições, a Seleção Brasileira lançou em maio um projeto que promete um treino mais uniforme e a longo prazo.
Batizado de “Remo Quatro”, o projeto formou nos últimos meses polos regionais para selecionar remadores de todo o país. Além de distribuir um treino padrão, os atletas serão encaminhados para um camping de treinamento oficial em novembro, por duas semanas, na ilha do Pavão, em Porto Alegre – junto com a equipe de remo do Grêmio Náutico União.
Dentre os catarinenses selecionados está Knoll. “O Brasil nunca teve algo assim. Agora temos um planejamento maior, não mais restrito à seleção de um atleta por Estado pouco antes dos campeonatos. Também entrosa melhor o pessoal”, afirma o atleta, que já está de passagem comprada para o estado gaúcho.
De pai para filho
A relação de Knoll com o esporte veio pela influência do pai, Marcos Roberto Knoll, também praticante do remo. O que começou com uma prática esporádica aos 10 anos, pegando o remo uma vez ao mês, foi se intensificando gradualmente.
“Aos 12 já treinava três vezes por semana. Hoje treino de segunda à sábado”, conta. Até 2017 ele treinou e competiu pelo clube de remo Aldo Luz. A partir de 2018, ele passou a representar o Botafogo, mas continuava treinando no clube florianopolitano.
O remo foi o esporte em que Knoll mais se adaptou e se encontrou – e no qual acumula medalhas nacionais desde 2016. Edições do campeonato brasileiro e campeonato de jovens talentos são alguns nos quais Knoll saiu premiado. O sonho do atleta é seguir a profissão, e conseguir conciliar com os estudos da próxima fase de vida – a faculdade.